A Stellantis revelou na Itália as primeiras imagens e detalhes do novo Lancia Gamma, que ressurge oficialmente como um SUV cupê com trejeitos de Fiat Fastback para tentar reerguer a tradicional marca italiana na Europa por meio da eletrificação. O modelo abandona o formato clássico de sedã de três volumes do passado para apostar no segmento que mistura utilitário esportivo com cupê, uma movimentação para tentar rivalizar com modelos mais caros do mercado europeu.
O veículo compartilha a plataforma modular STLA Medium com outros produtos do grupo, como o DS N°8 e o Peugeot 408. A produção concentrada na fábrica de Melfi, na Itália, reforça a intenção da empresa de posicionar o modelo em um patamar superior de acabamento, buscando atrair compradores que procuram uma alternativa aos SUVs convencionais.
Uma base conhecida para ganhar eficiência
A escolha da arquitetura modular permitiu ao Lancia Gamma adotar dimensões generosas sem comprometer a eficiência. O crossover mede 4,67 m de comprimento, 1,89 m de largura e 1,66 m de altura, porte que o posiciona ligeiramente abaixo de modelos médios grandes, sendo cerca de 15 cm mais curto e 8 cm mais alto do que o irmão de plataforma da DS.
O desenho da carroceria foca na aerodinâmica para favorecer a autonomia das variantes elétricas. Na dianteira, os faróis de led divididos remetem ao estilo adotado no compacto Ypsilon, complementados por aletas ativas no para-choque inferior para controle de arrefecimento. Na lateral, as maçanetas embutidas e os apliques em preto nas caixas de roda tentam conferir um aspecto mais limpo ao conjunto.
Motores eletrificados e promessa de grande autonomia
O trem de força do modelo combina opções híbridas e totalmente elétricas para atender diferentes perfis de uso na Europa. A versão de entrada utiliza um conjunto híbrido que entrega 145 cv, baseado no conhecido motor 1.2 turbo de três cilindros do grupo Stellantis, com uma autonomia estimada pela fabricante que supera os 1.000 km em ciclo combinado.
As configurações puramente elétricas são divididas em três níveis de desempenho e capacidade de bateria. A opção de acesso oferece 230 cv e autonomia superior a 540 km, enquanto a intermediária eleva a potência para 245 cv e promete rodar mais de 740 km com uma única carga. No topo da gama, a variante com tração integral e dois motores gera 375 cv e, ainda assim tem autonomia de até 675 km.
Cabine foca em telas e console peculiar

O ambiente interno repete a estrutura de telas flutuantes vista nos lançamentos recentes da Peugeot. O painel traz um quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas combinado a uma tela central de 16 polegadas para o sistema de entretenimento, que concentra os comandos do sistema de climatização na interface sensível ao toque.
O diferencial estético fica por conta do console central, que traz uma bandeja circular batizada pela marca de “tavolino”, inspirada em pequenas mesas de centro italianas. O acabamento mistura tecido preto com couro sintético branco nas portas e painéis, buscando um aspecto visual mais claro, complementado pelo teto solar panorâmico que amplia a sensação de espaço interno.
O início das vendas no mercado europeu está programado para ocorrer após o término do verão no hemisfério norte, quando a fabricante deve divulgar a tabela de preços oficial. Embora utilize uma plataforma que serve de base para carros vendidos no Brasil, não há qualquer previsão de chegada do modelo ao mercado nacional.
