Depois de remontado, nosso Citroën C3 está de volta à frota do Longa Duração para finalizar sua avaliação, que não terminou porque não foi possível remover seu cinto de segurança traseiro esquerdo, por conta da solda da porca que o prende que se soltou.
Consultada, a Stellantis disse que apenas as concessionárias são capazes de remover a peça. Sendo assim, seguiremos essa recomendação e levar o C3 a uma oficina Citroën, mas antes tratamos de registrar as condições em que o carro se encontra.
Mais do que uma vistoria cautelar, providenciamos uma análise da condição estrutural do carro e de sua pintura, para, caso seja necessário fazer uma intervenção estrutural no veículo, para que seja feita a remoção do cinto, tenhamos como comparar o estado do C3 antes e depois.
Isso parece ser necessário, pois não há como acessar o local onde está a porca que prende o cinto, sem uma intervenção mais radical.

Levamos o carro à oficina de vistorias SuperVisão, do bairro Sumaré, em São Paulo. O serviço que melhor atendia nossa necessidade foi a vistoria chamada Certicar, a mais completa. Custou R$ 500.
O plano, na sequência, é refazer essa inspeção quando o C3 voltar da autorizada, a fim de descobrir se a execução do serviço poderá gerar alguma anotação no histórico do carro e eventual desvalorização na venda.

O C3 passou por uma análise minuciosa. Todas as peças de carroceria foram inspecionadas, em busca de serviços de repintura. O funcionamento de seus equipamentos e acessórios foi checado. As numerações de chassi foram conferidas. E todos os módulos eletrônicos foram conferidos. Por conta do cinto de segurança, pedimos para incluir fotos da região da fixação do cinto no documento, que inclui, por padrão, foto da etiqueta que informa a data de fabricação do cinto de segurança.


Essa inspeção do cinto de segurança veio bem a calhar, pois a partir deste mês de maio será obrigatório não apenas o registro fotográfico dos cintos, mas também a gravação em vídeo da fixação dos componentes nas vistorias de transferência dos carros. Desta forma, ficará comprovado que os cintos e seus pré-tensionadores foram devidamente substituídos após uma colisão, evitando que modelos fora das especificações de segurança cheguem ao mercado.
Em paralelo, a SuperVisão fez um levantamento do histórico do carro, seja em bases privadas ou públicas, quanto a sinistros, recalls pendentes e executados, passagens por leilão, impedimentos judiciais e multas. Não foram encontrados problemas. A inspeção toda durou duas horas e gerou um relatório de 20 páginas.

Essas pesquisas são úteis porque descobrem carros clonados, uso de peças roubadas e serviços de funilaria e manutenção que podem não ter sido informados ao comprador.
Onde fazer o reparo?
Primeiro, preparamos o nosso carro. As concessionárias poderiam se negar a trocar um cinto retrátil em pleno funcionamento e a insistência sujeitaria o carro a ser identificado como sendo da QUATRO RODAS.

O que fizemos foi soltar a mola de retorno do cinto, que foi o motivo de, anos atrás, o nosso Chevrolet Onix Plus ter o cinto trocado em garantia. A grande implicação da porca quebrada no C3 seria justamente impedir a troca do cinto quando necessário, seja por defeito, seja após uma colisão.
Também escondemos um pequeno rastreador no carro. Se a concessionária fosse terceirizar o serviço para uma outra oficina, nós saberíamos. Como a garantia de fábrica do hatch havia expirado exatamente um mês antes, sabíamos que a conta sairia do nosso bolso, mesmo com todas as revisões feitas na rede Citroën e sendo o defeito da solda da porca um problema de fabricação.

Agendamos a avaliação na concessionária GP France, na zona oeste de São Paulo. Sob o aviso prévio de que o diagnóstico custaria R$ 459, caso o conserto não fosse aprovado, deixamos o carro. No dia seguinte, o orçamento chegou: R$ 1.323 pela peça e os mesmos R$ 459 de mão de obra. Fomos obrigados a pagar o componente adiantado, antes da concessionária fazer o pedido. Pelo menos não demorou para chegar: dois dias depois, retornamos para a instalação.
O carro foi deixado após o almoço com promessa de entrega para o dia seguinte, mas o que recebemos foi uma ligação do técnico, que dizia ter encontrado o parafuso de fixação espanado, o que impedia a remoção do cinto antigo. A solução exigia serviço de funilaria, estrutura que a GP France não possuía. O consultor apenas nos devolveu o carro e a peça nova na caixa, recomendando que procurássemos outra loja da rede.

Somando os R$ 1.323 da peça comprada na primeira concessionária aos R$ 2.500 do serviço de funilaria cobrados pela segunda, a troca do cinto de segurança nos custou R$ 3.823. É um preço alto por um imprevisto causado por erro de fabricação que nem concessionária pode resolver.
O serviço já foi concluído. O C3 deu entrada na Toriba Lapa aos 101.331 km e saiu com 101.340 km. O carro chegou a circular inexplicáveis 9 km pelos arredores da concessionária após ter dado entrada, mas não teve movimentações nos dias seguintes.
Deixaremos o desfecho do teste de Longa Duração do Citroën C3 para a próxima edição. Isso porque levaremos o carro novamente a uma empresa de inspeção veicular para saber se o reparo de funilaria feito compromete de alguma forma a estrutura do nosso carro e, consequentemente, seu valor na revenda. Será que o C3 será reprovado?
