
O Magalu (MGLU3) está acelerando a entrada de grandes marcas em seu marketplace: Tramontina, Westwing e Lacoste são alguns exemplos recentes a chegarem na plataforma de vendas. A estratégia é expandir a oferta em categorias complementares àquelas mais procuradas na plataforma digital da varejista.
Essa nova abordagem rendeu uma mudança na forma como o Magalu trata seu marketplace, chamado internamente de “brandplace”. Por trás da decisão está a percepção de que a varejista já é tratada por consumidores e fornecedores como um lugar de vendas com alto grau de confiança.
“O cliente, quando vai trocar uma geladeira, comprar um iPhone novo ou mobiliar sua casa, historicamente confia no Magazine Luiza. Isso nos fez desenvolver um ótimo relacionamento com as marcas”, diz o diretor do marketplace da empresa, Ricardo Garrido.
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Telefonia celular, eletrodomésticos, móveis e eletrônicos em geral são alguns dos grupos de produtos mais buscados no site do Magalu. A ideia é expandir o número de marcas tradicionais em categorias correlacionadas a produtos para casa, como utilidades domésticas, supermercado, beleza e suplementos.
“De um modo geral, vimos uma aceleração de concorrência grande nos tickets mais baixos nos últimos 12 meses, especialmente com muito frete grátis. Não queremos entrar nessa briga”, conta Garrido. “Não queremos entrar na estratégia de crescer em
volume a qualquer preço. Estamos mais focados em crescer em qualidade.”
No quarto trimestre de 2025, o Magalu registrou uma queda de 11,7% nas vendas via marketplace, resultado atribuído justamente à concorrência forte em produtos de custo mais baixo. “Nas categorias maiores e nas grandes marcas, mantivemos nossa posição competitiva”, aponta Garrido.
Marketplaces na disputa por parceiros
Para atrair os parceiros mais parrudos, o Magalu passou uma parte do último ano dedicado à melhoria da experiência de uso do seu site, bem como facilitar a integração de sistemas dos vendedores ao seu marketplace. “Uma das principais expectativas do vendedor é ter pouco trabalho operacional ao entrar em um novo marketplace”, aponta Garrido.
Outra das expectativas de novos vendedores ao entrar na plataforma é a oferta de incentivos de venda, como datas promocionais. O Magalu reduziu, por exemplo, a comissão para parceiros de 18% para 9,9%, além de dar cupons para as primeiras vendas de parceiros novatos em seu marketplace.
“Se o parceiro não estiver bem atendido, com comissão, logística, operação, ele fica com uma lacuna de mix”, afirma o professor da ESPM, Alexandre Marquesi. O mix maior de produtos, ou seja, a variedade do catálogo, é o que influencia ganhos de margem para o varejo.
É por esse motivo que a atração de um número cada vez maior de vendedores terceiros para os marketplaces se tornou estratégico para quem vende no varejo online: um número maior de produtos aumenta o tráfego de compradores para os sites.
O cenário é ainda mais relevante conforme cresce a relevância do e-commerce para varejistas em geral. Uma pesquisa da Nielsen mostra que, em 2024, esse foi o canal com maior crescimento no varejo brasileiro, com um aumento de 19,1% no faturamento, para R$ 371,4 bilhões.
No Magalu, o e-commerce já representa 69% do faturamento de R$ 65 bilhões anotado pela companhia em 2025. O valor inclui vendas diretas e via marketplace, que hoje corresponde a 39% das vendas online.
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