
As pesquisas eleitorais deixaram de ser apenas um retrato do momento político para se tornarem parte ativa da estratégia de campanha. Mais do que medir intenções de voto, os levantamentos hoje influenciam decisões que vão desde a construção de narrativa até a forma como um candidato se apresenta ao eleitor.
“Hoje a pesquisa faz parte total da estratégia, até de como o cara deve se vestir”, afirmou o estrategista do Real Time Big Data, Wilson Pedroso, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (24).
A mudança de papel é recente, mas já consolidada nas principais disputas. Se antes os dados eram usados sobretudo para comunicação externa — como forma de sinalizar competitividade —, agora são tratados como ferramenta interna de tomada de decisão.
“Antigamente a pesquisa era algo mais para mostrar para a sociedade que você estava na frente, hoje ela faz parte real de uma campanha”, disse Pedroso.
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Na prática, isso significa que campanhas passaram a operar com um volume maior de dados e com frequência mais alta de monitoramento. Além das pesquisas registradas e divulgadas ao público, há um conjunto de levantamentos internos que orienta o dia a dia das equipes.
“Tanto é que você pega as grandes campanhas e acabam contratando muitas vezes três institutos”, afirmou o estrategista.
O objetivo é reduzir incertezas e testar diferentes metodologias para capturar variações no comportamento do eleitor. Em paralelo, campanhas também recorrem a tracking diário, que permite acompanhar mudanças quase em tempo real.
“Você faz uma pesquisa um pouco maior semanal para olhar os movimentos”, completou.
Esse acompanhamento contínuo amplia a capacidade de reação das campanhas, que passam a ajustar discurso, agenda e posicionamento conforme a evolução dos dados.
Antes da campanha começar
O peso das pesquisas começa antes mesmo do período eleitoral. Em muitos casos, os levantamentos são determinantes para definir se um político será candidato e a qual cargo.
“Hoje as pesquisas fazem parte da estratégia da decisão, inclusive se vai ser candidato”, disse Pedroso.
Ao medir cenários e probabilidades, os dados ajudam a orientar escolhas que envolvem risco político. Um candidato pode, por exemplo, decidir migrar de uma disputa majoritária para uma proporcional com base no desempenho captado nos levantamentos.
“Ele quer entender qual a probabilidade do candidato a governador de realmente ganhar a eleição para tomar a decisão”, explicou.
Narrativa, comportamento e percepção
Além das decisões estruturais, as pesquisas também influenciam aspectos mais sutis da campanha, como a construção de imagem e a comunicação com o eleitor.
Segundo Pedroso, os dados ajudam a calibrar desde o tom das mensagens até elementos visuais. A percepção do eleitor sobre o candidato passa a ser monitorada e ajustada com base nos resultados.
“Ela faz parte total da estratégia de como as pessoas enxergam o candidato”, afirmou.
Esse uso intensivo reforça o papel das pesquisas como instrumento de leitura de comportamento, não apenas de intenção de voto.
Impacto no mercado
Do lado do mercado, essa transformação amplia a relevância dos levantamentos. Se as pesquisas influenciam diretamente as campanhas, elas também passam a afetar, de forma indireta, os cenários políticos que orientam decisões de investimento.
Para o analista da XP Política, Victor Scalet, os dados são parte central da leitura de probabilidade.
“As pesquisas são parte importante da aferição do mercado para tentar entender probabilidades”, afirmou.
Nesse contexto, o mercado não observa apenas os números, mas também como eles são utilizados pelas campanhas. Mudanças de estratégia, alianças ou posicionamentos podem sinalizar alterações de cenário antes mesmo de se refletirem nos levantamentos seguintes.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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