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Marco no combate à ELA: novo tratamento faz parte dos pacientes melhorar

por SampaNews 9 de maio de 2026
9 de maio de 2026
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O tempo estava se esgotando para Amanda Sifford — ela e seus médicos sabiam disso. A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o distúrbio neurológico que causa paralisia, estava roubando sua capacidade de respirar.

Em um teste respiratório, sua função pulmonar estava em apenas 48% da capacidade, uma queda acentuada em relação aos 86% registrados cinco meses antes.

“Eu não conseguia dar dez passos e continuar respirando”, disse ela. “Eu já não conseguia subir em um meio-fio.”

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Sifford, 58 anos, psicóloga escolar em Cape Coral, na Flórida, perdeu 14 familiares — incluindo o pai e o avô — por causa de uma forma genética rara de ELA, também conhecida como esclerose lateral amiotrófica ou doença de Lou Gehrig. Seus sintomas vinham se desenvolvendo de forma gradual, mas sua respiração despencou de repente.

“Foi muito assustador”, disse Nathan Carberry, um de seus neurologistas no sistema de saúde da Universidade de Miami. “Eu temia que estivéssemos falando de apenas alguns meses de vida.”

“Eu estava pensando na morte?”, disse Sifford, fazendo uma pausa para se recompor. “Eu já tinha deixado tudo em ordem.”

Era maio de 2023, e a Food and Drug Administration (FDA) acabara de aprovar a primeira terapia para uma forma genética de ELA, embora os resultados dos estudos clínicos ainda não tivessem comprovado que o medicamento era eficaz.

O remédio, tofersen, fabricado pela Biogen e comercializado como Qalsody, tem como alvo a forma de ELA que Sifford herdou. Por isso, Carberry e Michael Benatar, diretor executivo do Centro de ELA da Universidade de Miami, correram para montar uma clínica que pudesse administrá-lo.

Ela começou a receber o tofersen mensalmente, por meio de infusões no canal espinhal.

Levou algum tempo para notar qualquer benefício e, meses depois do início do tratamento, ela teve inflamação na coluna, um efeito colateral grave que exigiu a interrupção temporária do medicamento. Mas, aos poucos, sua respiração, força muscular e mobilidade deixaram de piorar — e depois começaram a melhorar. Resultados assim são notáveis para uma doença que quase sempre causa deterioração contínua e morte.

Amanda Sifford, que vinha piorando rapidamente por causa da ELA antes de começar a receber infusões da primeira terapia para uma forma genética da doença, há quase três anos, em sua casa em Cape Coral, na Flórida, em 25 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)
Amanda Sifford, no sistema de saúde da Universidade de Miami, passa por uma série de avaliações, incluindo testes para medir sua força muscular, em Miami, em 9 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)
Anne-Laure Grignon, gerente sênior de projetos em pesquisas sobre ELA na Universidade de Miami, testa a força da perna de Amanda Sifford no sistema de saúde da Universidade de Miami, em Miami, em 9 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)

Em janeiro, no centro de Miami, ela marcou 63% no teste de capacidade pulmonar, o maior índice desde que começara a usar tofersen, em julho de 2023. “Você acredita nisso?”, exclamou Anne-Laure Grignon, gerente sênior de projetos, abraçando Sifford às lágrimas.

O tofersen é indicado para apenas cerca de 2% dos pacientes com ELA, aqueles cuja doença é causada por uma mutação no gene SOD1. (Cerca de 90% dos casos de ELA não têm causa genética conhecida; o restante se deve a outras mutações.) O tofersen reduz os níveis de uma forma tóxica da proteína SOD1.

Apesar do número pequeno de pacientes, as evidências de que alguns estão melhorando — e de que outros deixaram de piorar — têm gerado empolgação e otimismo entre pessoas com uma doença que reduz a capacidade de andar, falar e respirar e costuma matar em até cinco anos.

Muitos especialistas esperavam que, se o tofersen funcionasse, seria apenas para desacelerar a piora, não para interrompê-la ou revertê-la.

“Nós, que cuidamos de pessoas com ELA, não vemos melhora”, disse Timothy Miller, investigador principal do estudo com tofersen e neurologista da WashU Medicine, em St. Louis. Pacientes com a forma de ELA causada por SOD1 que progride mais rapidamente — a variante mais comum na América do Norte — costumam morrer em um ano.

Quando o tofersen foi aprovado, os resultados não mostravam que ele funcionava melhor do que um placebo. Mas, como ele reduzia os níveis de uma proteína que indica dano aos neurônios, a FDA concedeu aprovação condicional, exigindo que a Biogen realizasse outro estudo para demonstrar se o remédio poderia desacelerar a ELA.

Agora, algumas evidências chegaram. Um estudo que acompanhou 46 participantes do ensaio por cerca de três anos descobriu que quase 20% melhoraram em respiração, força e funcionalidade.

Embora cerca de 75% não tenham estabilizado nem melhorado, a piora deles ainda foi mais lenta do que o esperado, disse Miller, cujo laboratório desenvolveu o tofersen em parceria com a Biogen e a Ionis Pharmaceuticals. Isso foi especialmente verdadeiro para quem recebeu o medicamento mais cedo na evolução da doença, já no início do estudo, em vez de passar seis meses tomando placebo. Entre pacientes com ELA de progressão rápida, aqueles que receberam tofersen desde o começo viveram cerca de três anos a mais do que os que começaram mais tarde.

“Isso nos mostra que a ELA é tratável”, disse Miller.

Rickey Malloy, 44 anos, de Hillsboro, Illinois, começou a tomar tofersen semanas depois de receber o diagnóstico de ELA, em julho de 2023. Na época, Malloy, encanador há muitos anos, mancava, usava uma órtese por causa de queda do pé e precisava de ajuda para subir escadas e escadas de mão. Hoje, ele diz que a maioria desses problemas estabilizou ou melhorou.

No ano passado, médicos o consideraram saudável o suficiente para passar por uma cirurgia de substituição de joelho por um problema não relacionado e para participar de um estudo clínico de fisioterapia na WashU Medicine.

“Estou progredindo”, disse ele. “Não existe solução da noite para o dia e é tudo bem mais lento do que eu gostaria, mas estamos avançando.”

Rickey Malloy, que recebeu o diagnóstico de ELA em julho de 2023, ao lado da enfermeira Kelly McCoy Gross após receber uma infusão, em St. Louis, em 27 de janeiro de 2026 (Julia Rendleman/The New York Times)
Rickey Malloy, que recebeu o diagnóstico de ELA em julho de 2023, foi considerado saudável o suficiente para passar por uma cirurgia de substituição de joelho no ano passado e participa de um estudo clínico de fisioterapia na WashU Medicine, em St. Louis, em 27 de janeiro de 2026 (Julia Rendleman/The New York Times)
Rickey Malloy com a esposa, Jenny, e a neta Adaline, de quatro meses, em casa, em Hillsboro, Illinois, em 1º de fevereiro de 2026 (Julia Rendleman/The New York Times)

Para Paula Trefiak, de Regina, em Saskatchewan, a ELA era tão comum em sua família que, quando criança, ela aprendeu a andar empurrando cadeiras de rodas de parentes e a ler segurando jornais para uma prima com a doença. Vinte e seis parentes dela morreram de ELA, incluindo o pai, aos 56 anos.

Aos 20 e poucos anos, começou a sentir contrações musculares involuntárias. Bailarina amadora entusiasmada, ela teve que abandonar o balé por causa de problemas de equilíbrio. Mais tarde, precisou deixar o trabalho como socorrista de emergência.

Ela entrou no estudo com tofersen pouco depois de ser diagnosticada, em 2016, mas só passou a receber a dose completa em 2019. Com o tempo, sua respiração e força melhoraram. Hoje, “consigo ficar na ponta dos pés”, como uma bailarina, disse.

Ela tem 44 anos, uma idade que não esperava alcançar, já que a maioria de suas parentes mulheres com ELA morreu mais jovem.

Recentemente, o filho dela, de 18 anos, descobriu que também tem a mutação em SOD1, embora ainda não apresente sintomas.

“Eu tinha aquela ansiedade de pensar: ‘Meu Deus, esse diagnóstico vai ser devastador’”, contou. “Mas ele vive me dizendo: ‘Mãe, esse não é o mesmo diagnóstico que você recebeu. Eu agora tenho uma doença tratável’.”

Apesar da extensa pesquisa, há apenas outros dois tratamentos aprovados especificamente para ELA: o riluzol, que pode estender a sobrevida em alguns meses, e o edaravone, que pode desacelerar a progressão em cerca de 33%.

Outro medicamento, o Relyvrio, foi aprovado em 2022, mas retirado do mercado em 2024 após falhar em um grande estudo.

Benatar está pesquisando se o tofersen pode retardar ou prevenir a ELA em portadores da mutação SOD1 que ainda não apresentam sintomas, mas já têm níveis elevados da proteína associada à doença.

Uma caixa de tofersen, terapia comercializada como Qalsody, que é indicada para uma pequena parcela de pacientes — cerca de 2% — cuja ELA é causada por uma mutação no gene SOD1, em Miami, em 9 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)
O dr. Michael Benatar, ao centro, diretor executivo do Centro de ELA da Universidade de Miami, ao lado do neurologista dr. Nathan Carberry, à direita, durante um exame em Amanda Sifford, em Miami, em 8 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)
Amanda Sifford abraça Anne-Laure Grignon depois que seu teste de respiração registrou o melhor resultado desde que ela começou a usar o medicamento, em Miami, em 8 de janeiro de 2026 (Eva Marie Uzcategui/The New York Times)

Outra grande questão é se o tofersen poderia ajudar outros pacientes com ELA, aqueles sem mutações em SOD1. Miller e a Biogen iniciaram recentemente um pequeno estudo clínico, com base em evidências de que alguns pacientes no conjunto mais amplo de ELA também têm proteínas SOD1 mal dobradas, mesmo sem a mutação, disse Stephanie Fradette, chefe de desenvolvimento neuromuscular da Biogen. Porém, segundo ela, ainda não está claro se essas proteínas mal dobradas têm algum papel em causar ou agravar a doença.

“Está longe de ser um caso ganho”, disse ela. “Mas é uma hipótese importante a ser avaliada.”

O preço de tabela do tofersen é de US$ 15.500 por dose mensal, o que o torna, em grande parte, inacessível sem seguro de saúde. Médicos têm travado batalhas com seguradoras que negam cobertura aos pacientes. A Biogen afirma oferecer assistência para copagamento e um programa de medicamento gratuito para pacientes elegíveis que não podem pagar.

c.2026 The New York Times Company

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