A norte-americana Susan Young Browne, de 108 anos, acaba de assegurar seu direito de continuar ao volante até 2033, após o estado de Delaware, nos Estados Unidos, aprovar a renovação de sua carteira de habilitação. Nascida em 1918, a ex-professora chama a atenção pela longevidade e, principalmente, pela manutenção da aptidão física e cognitiva necessária para operar um veículo em vias públicas com segurança.
O avanço da idade costuma afastar gradualmente os condutores das ruas, seja por limitações visuais, motoras ou perda de reflexos, mas a norte-americana inverte essa lógica. O documento recém-emitido pelo departamento de trânsito local permite que ela dirija legalmente até os 115 anos. Esse prazo longo contrasta com as severas restrições e renovações curtas frequentemente impostas a motoristas idosos em diversas legislações pelo mundo.
Para sustentar a capacidade de guiar, ela adota um regime rigoroso de condicionamento. Há duas décadas, cumpre uma série de exercícios matinais diários, além de frequentar sessões de ginástica em grupo três vezes por semana no Modern Maturity Center, na cidade de Dover. O esforço físico constante reflete no vigor exigido pelas demandas diárias do trânsito urbano.
Histórico de adaptação ao longo de um século
A trajetória da condutora atravessa transformações estruturais da sociedade e da própria infraestrutura viária americana. Criada em uma fazenda sem acesso a água encanada ou eletricidade durante a época de segregação racial, ela se adaptou às mudanças de um país em desenvolvimento. Essa flexibilidade é a mesma que permite a ela lidar hoje com um tráfego muito mais denso, rápido e complexo do que o das décadas passadas.
Formada em 1945 e reconhecida como a ex-aluna mais velha ainda viva da Delaware State University, Browne dedicou três décadas ao ensino infantil. A transição para a aposentadoria não significou inércia. Relatos da ex-professora à imprensa local indicam que a recusa em adotar o sedentarismo após anos caminhando pelas salas de aula tornou-se o pilar de sua autonomia funcional e mental, mantendo uma lucidez afiada até para dispensar novos relacionamentos de forma pragmática e bem-humorada.
A manutenção da licença de condução vai além do valor simbólico, consistindo em uma ferramenta prática para a rotina que ela faz questão de gerenciar sozinha. A independência ao volante permite que a idosa frequente compromissos sociais e familiares sem depender de terceiros ou de transporte público.
O feito rendeu homenagens de autoridades estaduais durante seu aniversário recente. Como incentivo prático, a administração do centro de convivência que ela frequenta destinou uma vaga de estacionamento exclusiva na entrada principal, restrita a condutores com mais de 100 anos. O espaço reservado garante conforto no acesso e celebra a escolha de não entregar as chaves do próprio carro.
O comportamento de Browne prova que a extensão da vida útil ao volante depende do preparo físico contínuo. Enquanto o mercado investe em tecnologia para compensar falhas de atenção humana, a motorista secular demonstra que o exercício regular ainda é a manutenção preventiva mais eficiente para quem planeja continuar no banco do motorista.
