
Envolvidas em um dos mais importantes negócios de mídia do século, WarnerBros e Netflix (NFLX34) estão, como poderia se esperar, entre as protagonistas nas indicações do Oscar. Produções com participação das duas casas são 4 entre as 10 na categoria de “Melhor Filme” no principal prêmio da indústria e podem servir para explicar o que está por trás da aquisição.
Com “Pecadores”, a WarnerBros bateu o recorde de indicações para um filme na história da premiação ao disputar 16 categorias e foi a sétima maior bilheteria dos cinemas americanos em 2025. “Uma Batalha Após a Outra” e “F1”, distribuídos pelo estúdio, estiveram entre os 30 filmes mais assistidos do ano no país.
A mistura entre sucessos de bilheteria e premiação dá uma ideia dos motivos pelos quais a Netflix propôs comprar a Warner por US$ 82,7 bilhões. Dados do Relatório de Engajamento do segundo semestre de 2025 mostraram que assinantes da Netflix assistiram a 96 bilhões de horas de conteúdo, aumento de 2% na comparação anual e 1% contra o primeiro semestre.
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No mercado, alguns investidores acreditam que um dos motivos por trás da chegada da Warner ao portfólio da Netflix é agregar propriedades intelectuais mais capazes de mudar os indicadores. A empresa, no entanto tem defendido que o total de horas assistidas não é uma métrica adequada para medir o engajamento de usuários na plataforma.
“Temos a variedade de planos, o tempo de assinatura, a geografia, as diferenças culturais são um fator importante”, disse o co-CEO da Netflix, Greg Peters, em uma videochamada com investidores na última terça-feira (20). Ele cita o exemplo do Japão, um mercado com maior potencial de crescimento para a empresa onde, porém, a quantidade de horas de televisão assistida é menor em comparação aos Estados Unidos. “Isso distorce as horas de visualização por membro.”
A plataforma de streaming não esconde que a aquisição das propriedades intelectuais da Warner possa acelerar sua estratégia de “mais e melhores” produções, mas diz acreditar no crescimento orgânico, sem a contribuição de fusões e aquisições.
Recentemente, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, parece ter colocado uma pá de cal sobre o principal receio da cadeia exibidora contra a aquisição da Warner pela Netflix ao afirmar que não pretende reduzir o tempo de janela exibidora dos lançamentos do estúdio nos cinemas.
Antigo crítico ao modelo tradicional de exibição, Sarandos cedeu em sua posição diversas vezes desde o anúncio de aquisição da Warner ao ponto de, em uma entrevista ao New York Times na última semana ter confirmado que manteria a janela de 45 dias de cinema hoje mantida pelo estúdio.
A estratégia é diametralmente oposta a dos lançamentos da empresa de tecnologia — inclusive os mais celebrados em premiações como o próprio Oscar. “Frankenstein”, o único concorrente da Netflix ao prêmio de “Melhor Filme”, passou por um lançamento limitado de três semanas nos cinemas, uma janela até generosa considerando estratégias das empresa para seus lançamentos mais cinematográficos.
Mas o resultado, ao menos nos cinemas, é sensível: Enquanto “Pecadores”, “F1” e “Uma Batalha Após a Outra” somaram quase US$ 541 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, “Frankenstein” nem chega a aparecer na lista de maiores bilheterias de 2025 pelo Box Office Mojo.
Para a Netflix, o que realmente importa são as assinaturas em sua plataforma, e não as bilheterias, é claro. O aumento de clientes em 2025 foi de 8% e a empresa projeta altos investimentos em novos projetos para este ano após gastar cerca de US$ 18 bilhões em programação no último ano.
Os resultados apresentados pela companhia sobre 2025, no entanto, não animaram o mercado. Desde a terça-feira, as ações desvalorizaram 7% diante de uma leitura de que as projeções para 2026 não são animadoras.
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