Há exatamente 30 anos, em 23 de junho de 1996, a Nintendo lançava no Japão um dos consoles mais importantes da história dos videogames. O Nintendo 64, conhecido durante boa parte de seu desenvolvimento pelo codinome Ultra 64, marcou a entrada definitiva da empresa na era dos gráficos tridimensionais e ajudou a redefinir a forma como jogos eram criados, controlados e experimentados.
Mais do que apenas um novo hardware, o Nintendo 64 representou uma mudança de paradigma para a indústria. Em uma época em que os jogadores estavam acostumados a aventuras em duas dimensões, o console apresentou mundos abertos, movimentação livre em 3D e experiências multiplayer locais que se tornariam referência para gerações futuras.
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Mesmo tendo enfrentado concorrência pesada do PlayStation, da Sony, e do Sega Saturn, o aparelho construiu um legado duradouro. Três décadas depois de sua estreia, o Nintendo 64 continua sendo lembrado por uma biblioteca recheada de clássicos e por tecnologias que ajudaram a moldar os videogames modernos.
Como nasceu o Nintendo 64
O desenvolvimento do console começou em 1993, quando a Nintendo firmou uma parceria com a Silicon Graphics (SGI), empresa conhecida por seu trabalho em computação gráfica avançada. O projeto foi inicialmente apresentado ao público como Project Reality e prometia levar aos lares uma experiência visual inédita para a época.
Em 1994, o aparelho recebeu oficialmente o nome Ultra 64 e passou a ser promovido como o primeiro console doméstico verdadeiramente preparado para a nova geração de gráficos tridimensionais. A expectativa era enorme, mas atrasos sucessivos fizeram com que o lançamento fosse adiado diversas vezes, permitindo que PlayStation e Saturn chegassem primeiro ao mercado.
Quando finalmente estreou no Japão em junho de 1996, o console trouxe consigo uma missão ambiciosa: provar que a Nintendo ainda poderia liderar a indústria em inovação tecnológica.
Super Mario 64 mudou os jogos para sempre
Se existe um título que simboliza o impacto do Nintendo 64, esse jogo é Super Mario 64. Lançado junto do console, o game apresentou uma abordagem revolucionária para plataformas em 3D, oferecendo liberdade de movimentação, controle preciso e câmeras dinâmicas em um período em que praticamente não existiam padrões estabelecidos para esse tipo de experiência.

Até hoje, muitos dos conceitos introduzidos pelo jogo servem como base para títulos tridimensionais modernos. O castelo da Princesa Peach, os mundos expansivos e a liberdade para explorar cenários em diferentes direções ajudaram a definir como os jogos em 3D seriam produzidos dali em diante.
Não por acaso, Super Mario 64 é frequentemente citado entre os games mais influentes de todos os tempos e continua sendo uma das principais referências da indústria quando o assunto é design de jogos.
O controle analógico que virou padrão
Outro dos grandes legados do Nintendo 64 está em seu controle. Apesar do formato incomum com três empunhaduras, o acessório trouxe uma inovação que se tornaria padrão na indústria: o analógico integrado ao controle principal.
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Embora tecnologias semelhantes já existissem em outros dispositivos, o Nintendo 64 foi o primeiro console de grande alcance a incluir um controle analógico como parte central da experiência. Isso permitiu movimentos muito mais precisos em ambientes tridimensionais, algo fundamental para jogos como Super Mario 64 e The Legend of Zelda: Ocarina of Time.
O impacto foi tão grande que Sony, Sega, Microsoft e praticamente toda a indústria adotaram conceitos semelhantes nos anos seguintes.
A era dourada do multiplayer local
O Nintendo 64 também foi muito importante para disseminar o multiplayer local com suas quatro entradas para controles. Antes do domínio dos jogos online, o console transformou salas, quartos e repúblicas estudantis em verdadeiras arenas de competição nos games.
Essa decisão ajudou a popularizar partidas locais em tela dividida e impulsionou sucessos como GoldenEye 007, Mario Kart 64, Mario Party, Diddy Kong Racing, Mario Tennis e Super Smash Bros. Para muitos jogadores, o Nintendo 64 continua sendo o símbolo máximo da diversão compartilhada no sofá.
GoldenEye 007, em especial, se tornou uma referência para jogos de tiro em primeira pessoa nos consoles, enquanto Super Smash Bros. deu origem a uma das franquias competitivas mais populares da Nintendo.
Zelda, Rare e uma biblioteca inesquecível
Embora a biblioteca do Nintendo 64 tenha sido relativamente pequena quando comparada à dos concorrentes, ela compensou a diferença com uma impressionante concentração de clássicos. Ao todo, o console recebeu 388 jogos oficialmente lançados.
Entre os destaques estão The Legend of Zelda: Ocarina of Time, considerado por muitos um dos melhores jogos da história, e sua sequência direta, Majora’s Mask. A Nintendo também lançou títulos marcantes como Paper Mario, F-Zero X, Animal Crossing, Mario Party e Star Fox 64 no console de 1996.
Prova do sucesso dessa biblioteca está no sucesso das franquias até hoje. Nesta semana, a Nintendo lança um novo jogo da franquia Star Fox, enquanto um remake que trará Ocarina of Time de volta, agora com visuais renovados, também está a caminho do Switch 2.
Outro fator decisivo para o sucesso do console foi a parceria com a Rare, que hoje faz parte da Microsoft. O estúdio britânico viveu sua fase mais criativa durante a geração do Nintendo 64, produzindo sucessos como Banjo-Kazooie, Banjo-Tooie, Perfect Dark, Donkey Kong 64, Jet Force Gemini, Blast Corps e Conker’s Bad Fur Day.
O problema dos cartuchos e a ascensão do PlayStation
Apesar de suas inovações, o Nintendo 64 também ficou marcado por uma decisão controversa. Enquanto Sony e Sega adotaram CDs como mídia principal, a Nintendo optou por manter os cartuchos.
A escolha oferecia vantagens importantes, como carregamentos praticamente instantâneos, maior durabilidade e mais proteção contra pirataria. Em contrapartida, os cartuchos eram significativamente mais caros de fabricar e possuíam capacidade de armazenamento muito menor.
Isso afastou diversas desenvolvedoras terceirizadas. Empresas como Square migraram projetos para o PlayStation, incluindo Final Fantasy VII, enquanto outras passaram a priorizar lançamentos na plataforma da Sony.
Como resultado, o Nintendo 64 perdeu espaço no mercado global e viu o PlayStation assumir a liderança da geração. Ainda assim, a companhia seguiu com uma legião de fãs apaixonados – e também não abandonou os cartuchos.
Curiosamente, a empresa ainda usa, até hoje, uma tecnologia similar aos cartuchos no Switch 1 e 2. Enquanto rivais ainda apostam em discos para mídia física, a Nintendo usa cartões de memória, que são conhecidos por ter um gosto amargo para evitar mordidas de crianças.
Quanto o Nintendo 64 vendeu?
Mesmo enfrentando forte concorrência, o Nintendo 64 teve desempenho comercial relevante. Segundo dados da própria Nintendo, o console vendeu aproximadamente 32,9 milhões de unidades ao longo de sua vida útil.
O número ficou muito abaixo dos mais de 100 milhões de unidades comercializadas pelo PlayStation, mas ainda foi suficiente para superar o Sega Saturn e consolidar o aparelho como um dos consoles mais bem-sucedidos da década de 1990.
A plataforma permaneceu no mercado até o início dos anos 2000 e foi oficialmente substituída pelo GameCube.
Você ainda pode jogar Nintendo 64 hoje
Nem sempre o console mais vendido é o mais influente. Três décadas após seu lançamento, o Nintendo 64 continua sendo lembrado como uma máquina que ajudou a definir os videogames modernos.
Dos controles analógicos ao multiplayer para quatro jogadores, passando pelos avanços em design tridimensional e por clássicos como Super Mario 64, Ocarina of Time e GoldenEye 007, o impacto do aparelho ainda pode ser percebido em inúmeros jogos atuais.
Hoje, muitos desses títulos seguem disponíveis por meio do serviço Nintendo Switch Online + Pacote Adicional no Switch 2, incluindo clássicos como Ocarina of Time. Assim, a Big N permite que novas gerações descubram por que o Nintendo 64 permanece entre os consoles mais icônicos de todos os tempos.
E aí, qual seu jogo favorito do Nintendo 64? Comente nas redes sociais do Voxel!
