
A direção nacional do PT ameaça intervir no diretório do Rio Grande do Sul para garantir aliança com Juliana Brizola, pré-candidata do PDT ao governo do estado. O núcleo local do partido insiste em um voo próprio com Edegar Pretto. Ampliando o racha da esquerda, o PSOL, que apoia o petista, ameaça lançar um nome para o Palácio Piratini caso o PDT vença a queda de braço e desmanche o acordo já formalizado no estado.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou como “etnocentrismo político inaceitável” a manutenção de dois palanques em detrimento da unificação pretendida. De acordo com ele, a “história irá cobrar” um preço que pode ser “politicamente caríssimo” se não houver um acordo.
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— Temos que derrotar o fascismo materializado no projeto da família Bolsonaro, não há nada mais importante que isso. Sem o PDT não há como falar de unidade do campo democrático no Brasil. Não consigo entender onde está a dificuldade de compreender politicamente o que está em jogo — ressaltou Edinho, em entrevista ao Correio do Povo. — As escolhas do PT do Rio Grande do Sul não podem ser maiores que os desafios que a história nos impõe.
PL na liderança
No Rio Grande do Sul, a esquerda enfrenta Zucco (PL), que lidera as pesquisas, seguido por Juliana Brizola, Pretto, e Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador e escolhido como sucessor de Eduardo Leite (PSD).
Os petistas gaúchos defendem Pretto como “a melhor opção para a construção da vitória” nas eleições. Eles argumentam que a decisão foi tomada de maneira ampla e democrática, em convenção realizada ainda em novembro do ano passado, com o endosso dos partidos aliados PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB.
Na semana passada, o diretório do PT em Porto Alegre divulgou uma resolução em que destacou que o nome de Pretto ao governo foi aprovado por unanimidade. A composição foi lançada junto às pré-candidaturas do deputado federal Paulo Pimenta (PT) e da ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL) ao Senado. Segundo Pretto, que se encontrou com Edinho em Brasília na terça-feira, os diálogos estão acontecendo “respeitosamente”.
— Nossa pré-candidatura está super consolidada. Obviamente, temos a noção que o PT nacional tem outras questões na mesa de negociação, mas nossa tática é a mais favorável para o presidente Lula. Não sou candidato de mim mesmo, sou cumpridor de tarefas coletivas — afirma Pretto, que é presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Com melhor performance nas pesquisas, Juliana foi ao Planalto encontrar Lula, em fevereiro, na companhia do presidente do PDT, Carlos Lupi. Conforme mostrou o colunista Bernardo Mello Franco, do GLOBO, a neta do ex-governador Leonel Brizola ofereceu as três vagas de sua chapa ao PT em troca de receber o apoio do presidente para se lançar governadora, mantendo os nomes já definidos pelos petistas ao Senado.
Defensor de Pretto, o ex-governador petista Olívio Dutra criticou, nas redes, as siglas que estão “com problemas” por estarem “participando do atual governo privativista e neoliberal”, em alusão à nomeação do deputado estadual Eduardo Loureiro (PDT) como secretário de Cultura do estado.
Já o PSOL avalia que ter Juliana como cabeça de chapa é uma conta “de soma zero”, conforme nota assinada por lideranças do partido.
— Nós não temos um grau de debate programático com a candidatura do PDT. Seria uma crise muito grande para a esquerda e para o palanque do Lula. Existe, sim, a possibilidade de lançar uma candidatura, pois o PSOL tem bons quadros que poderiam cumprir esse papel em um cenário gravíssimo de intervenção, mas nós não queremos que isso ocorra — frisa a deputada federal Fernanda Melchionna.
Vereador de Porto Alegre, Roberto Robaina (PSOL) lembra, assim como Melchiona, que a aliança formada com Pretto ocorre desde a eleição passada. Em 2022, ele marcou 26,7% dos votos para o governo contra 26,8% de Leite, que avançou para disputar o segundo turno.
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