
A Rússia realizou seu desfile do Dia da Vitória mais discreto em anos neste sábado, devido à ameaça de ataque da Ucrânia, onde a vitória das forças de Moscou tem se mostrado difícil mais de quatro anos depois do início do conflito europeu mais mortal desde a Segunda Guerra Mundial.
O desfile de 9 de maio na Praça Vermelha marca o feriado nacional mais reverenciado da Rússia — um momento para celebrar a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista e homenagear os 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que morreram.
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Antes usado para exibir o vasto poder militar da Rússia, incluindo seus mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear, o desfile deste ano não teve tanques ou outros equipamentos militares rolando sobre os paralelepípedos da Praça Vermelha.
Em vez disso, armas como o míssil balístico intercontinental Yars, o novo submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57, o sistema de mísseis terra-ar S-500 e uma série de drones e artilharia foram exibidos em telas gigantes na Praça Vermelha e na televisão estatal.
Soldados e marinheiros, alguns dos quais serviram na Ucrânia, marcharam e ovacionaram o presidente Vladimir Putin, que assistia sentado ao lado de veteranos russos à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin. Tropas norte-coreanas, que lutaram contra os ucranianos na região russa de Kursk, também marcharam.
Aviões de combate sobrevoaram as torres do Kremlin e Putin fez um discurso de oito minutos, prometendo vitória na guerra na Ucrânia, que o Kremlin chama de “operação militar especial”.
“A grande façanha da geração vitoriosa inspira os soldados que estão realizando as tarefas da operação militar especial hoje”, disse Putin. “Eles estão enfrentando uma força agressiva armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis seguem em frente.”
A segurança foi rígida em Moscou. Imagens da Reuters mostraram soldados armados em cima de caminhonetes e estradas bloqueadas no centro da capital, que, juntamente com a região circundante, tem uma população de 22 milhões de habitantes.
GUERRA NA UCRÂNIA ASSOMBRA DESFILE DA RÚSSIA
Depois que a Alemanha nazista invadiu a União Soviética em 1941, o Exército Vermelho acabou empurrando as forças nazistas de volta a Berlim, onde Adolf Hitler se matou e a bandeira vermelha da vitória soviética foi erguida sobre o Reichstag em maio de 1945.
A rendição incondicional da Alemanha nazista entrou em vigor às 23h01 do dia 8 de maio de 1945, marcado como o “Dia da Vitória na Europa” pelo Reino Unido, Estados Unidos e França. Em Moscou, já era 9 de maio, que se tornou o “Dia da Vitória” da União Soviética no que os russos chamam de Grande Guerra Patriótica de 1941-45.
Mas o desfile deste ano ocorre em meio a uma onda de ansiedade em Moscou sobre o resultado final do conflito na Ucrânia.
A guerra já matou centenas de milhares de pessoas, deixou partes da Ucrânia em ruínas e drenou a economia russa de US$3 trilhões, enquanto as relações da Rússia com a Europa estão piores do que em qualquer outro momento desde o auge da Guerra Fria.
“A crise ainda está se aprofundando gradualmente, mas qualquer movimento brusco pode fazer com que a economia (e não apenas a economia) entre em parafuso”, disse o nacionalista russo pró-guerra Igor Girkin, que criticou o Kremlin por sua condução da guerra, em uma postagem no Telegram.
Girkin, um ex-oficial do Serviço Federal de Segurança, usou uma analogia naval para dizer que os líderes russos estavam mais preocupados em serem expulsos de suas cabines do que com um naufrágio.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou esta semana as informações da CNN e de outros veículos de mídia ocidentais de que a proteção de Putin havia sido intensificada devido ao temor de um golpe ou assassinato. As autoridades russas rejeitaram os relatos de um plano de golpe de Estado como absurdos.
A CNN citou uma agência de inteligência europeia não identificada dizendo que o ex-ministro da Defesa de Putin, Sergei Shoigu, era visto como um possível líder do golpe.
Secretário do Conselho de Segurança, Shoigu, que participou de uma reunião online do Conselho de Segurança presidida por Putin na sexta-feira, estava no desfile de sábado, sentado ao lado de algumas das autoridades mais poderosas de Putin.
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