Tem sido um desafio manter-se atualizado diante de tantos lançamentos, que você acompanha nas plataformas de QUATRO RODAS. São vários novos modelos por mês (ou, às vezes, por semana), de diferentes segmentos, propostas, tamanhos e, sobretudo, custos, palavra-chave para os dias atuais. Por isso, mais do que nos propormos a manter os leitores atualizados sobre as novidades, também garantimos um raio X do mercado todos os anos, para informar quais os carros mais baratos de se manter no Brasil. Para isso existe o prêmio Menor Custo de Uso.
Calculamos todos os principais gastos previstos com um veículo novo pelo período de um ano, além do preço de compra. Incluímos seguro, a primeira revisão (para até 12 meses), IPVA e o gasto anual com gasolina. No caso dos elétricos, foi utilizado uma média empírica para recargas rápidas (DC). Para os híbridos, são considerados apenas gastos com gasolina, já que há uma mistura de híbridos plenos (HEV) e plug-in (PHEV) na categoria.
Com todos os gastos reunidos, há uma divisão por 12, chegando ao custo mensal de cada um dos modelos. Destacamos os dez mais vendidos de cada categoria. Para os dez, é considerada a versão mais vendida de cada um, para abranger o maior público possível. Neste ano, a desvalorização deixou de ser levada em conta por uma falta de precisão, já que diversos modelos são recém-chegados ao mercado – especialmente entre os híbridos e elétricos. Um reflexo do bom e aquecido momento do mercado brasileiro.
Como é feito o cálculo
Combustível
Média ponderada (70% urbano, 30% rodoviário), a partir de números do Inmetro. Preços (R$ 6,67/l gasolina e R$ 7,28/l diesel) são valores médios da Petrobras, entre 26/4 a 2/5. A eletricidade (R$ 2,40/kWh-DC) segue média de apuração empírica. Para carros híbridos, consideramos apenas os custos da gasolina, já que há modelos HEV (híbridos plenos) e PHEV (plug-in). Calculamos o custo de rodar 15.000km, referência de distância média percorrida em um ano.
Manutenção
Despesas com as revisões previstas pelas fábricas para o primeiro ano ou 15.000 km.
Seguro
O valor publicado refere-se à menor cotação dentre todas as obtidas pela TEx, da Serasa Experian, software de gestão e multicálculo para corretoras. Perfil QUATRO RODAS: homem, casado, 35 anos, sem filhos.
Custo mensal
Obtido pela soma das despesas durante um ano dividido por 12 meses.
Preço de tabela
Os valores são os sugeridos pelas fábricas, coletados no final de abril.
IPVA
Calculado a partir do valor cobrado no estado de São Paulo, segue a alíquota de 4% do valor de tabela do veículo.
Hatches – 1º Chevrolet Onix 1.0 MT

O Chevrolet Onix escalou três posições em relação à pesquisa de 2025 e retomou a liderança que já havia conquistado em 2022 e 2024. Em sua versão de entrada, com motor 1.0 aspirado e câmbio manual, o hatch surpreendeu com os menores custos de revisão e seguro da categoria, além de um dos menores gastos anuais com combustível – só fica atrás, ironicamente, do Renault Kwid, o segundo colocado. Seu valor de compra, no entanto, é o maior entre os cinco primeiros colocados do Menor Custo de Uso de 2026.
Os segundo e terceiro lugares ficaram para os subcompactos Kwid e Mobi, respectivamente. Os rivais diretos têm custos bastante parecidos em todos os quesitos, com vantagem para o Kwid em valor de compra, seguro e revisão, mas desvantagem no gasto anual com combustível. A diferença de apenas R$ 39 entre eles leva à consideração de outros fatores que não o custo. O Polo Track, carro mais vendido do Brasil em 2025, paga um seguro significativamente menor em relação a Kwid e Mobi, além de um custo de revisão semelhante. Porém, o Volks tem preço de compra maior (consequentemente, também o IPVA) e um gasto de combustível mais elevado, fator importante para um segmento de entrada.
O Hyundai HB20 surpreende ao ter o menor valor de revisão da categoria, de apenas R$ 357 no primeiro ano, e seu seguro é mais barato do que de um Fiat Mobi. Porém, seu dono gasta mais na hora da compra e de abastecer, com um dos maiores gastos anuais com combustível. Mesmo assim, o degrau para o Onix no custo mensal não é tão grande.

Sedãs – 1º Hyundai HB20S Limited MT

Se entre os hatches o Hyundai HB20 não conquistou uma boa colocação (apesar do bom custo mensal), entre os sedãs ele pode comemorar a vitória. Ele teve destaque por ser o sedã mais barato elegível, além de ter a primeira revisão com um custo surpreendentemente baixo. Mais do que isso, o HB20S é dono do menor gasto com consumo de combustível da categoria, com uma diferença de R$ 232 anuais em relação ao segundo colocado, o City. O seguro do modelo está entre os mais caros dos cinco primeiros colocados, atrás apenas do prêmio anual cobrado para o Fiat Cronos.
Vencedor em 2025, o Honda City torna-se vice neste ano com a versão de entrada LX, mas sem grandes culpados por isso. Ele tem o seguro mais barato que o do HB20S e um custo com combustível semelhante. A revisão de R$ 426 é apenas R$ 69 mais cara que a do rival. Assim, pesam mesmo o valor de compra e, consequentemente, o IPVA maior. O terceiro lugar fica com o Onix Plus, que não apareceu entre os cinco melhores de 2025. Por aqui, ele aparece com a versão topo de linha, Premier, com o maior custo de compra (e IPVA) da categoria. A revisão é a segunda mais barata.
Colado no Onix Plus está o Virtus, tão caro quanto o GM, mas com melhores custos de seguro e gasolina. Seu escorregão fica para a revisão, que custa mais do que o dobro do concorrente. Por fim, o Cronos não é o mais caro, não tem a revisão mais “pesada” e nem o pior consumo. O que causa sua quinta colocação é o valor alto do seguro, o mais caro dos sedãs compactos do prêmio.

SUVs Compactos – 1º Fiat Pulse Drive AT

De 2025 para cá, o Fiat Pulse ganhou a companhia de seu maior rival até agora, o VW Tera. Isso pode ter atrapalhado nas vendas do Fiat, mas não alterou sua posição de SUV compacto mais barato de se manter no país. Ele conquista seu bicampeonato, enquanto o concorrente é o sétimo na categoria (a considerar que o Tera elegível foi o topo, High, turbo e automático).
Na versão Drive AT, a mais vendida do modelo e equipada com motor 1.3 de 107 cv, e câmbio automático do tipo CVT, o Pulse é o mais barato do segmento nesta pesquisa, partindo dos R$ 115.990. Também é dele o menor prêmio anual de seguro e o menor gasto com combustível. Sua primeira revisão está, também, entre as mais baratas da tabela.
O segundo lugar é do Chevrolet Tracker em sua versão Turbo AT, focada no público PcD – assim como as versões dos demais modelos do top 5 que aqui aparecem. O SUV da GM tem o menor custo de revisão, mas o gasto com combustível só não é pior que o do Jeep Renegade. O T-Cross Sense vem em seguida, com motor 1.0 turbo de 128 cv e câmbio automático, e um bom pacote de equipamentos de série. Vai bem em gastos com gasolina e seu seguro está próximo ao do Pulse, mas a revisão é uma das mais caras da categoria.
Depois do Fastback, o Basalt fica com o quinto lugar, uma surpresa negativa, já que o SUV cupê é feito com a proposta de ser um modelo de baixo custo – mesmo que ele apareça em sua versão topo de linha, com motor 1.0 turbo. Seus vilões foram o prêmio do seguro e o custo da primeira revisão.

SUVs Médios – 1º Caoa Chery Tiggo 7 Sport

O Tiggo 7 Sport ganhou boa fama por ser um SUV médio bem equipado e espaçoso, mas a preço de SUV compacto topo de linha. Isso já dá vantagens ao modelo frente aos concorrentes, com consequência ainda no IPVA mais barato da categoria. Porém, a diferença do custo mensal para o segundo lugar, o Corolla Cross, é pequena, de apenas R$ 70. Isso porque o Toyota tem valores mais atraentes em outros quesitos, como seguro, revisão e gastos com combustível. Todos eles, no entanto, são próximos entre os dois.
Uma surpresa neste ano foi o ainda novato Renault Boreal, lançado no final de 2025 e que já aparece em terceiro lugar. Apesar do seguro e da primeira revisão, além dos valores de compra e IPVA maiores entre os três, o modelo tem o menor gasto com combustível da categoria. O Boreal também é o maior dos três, com bom espaço interno e porta-malas de 522 litros. A versão mais vendida, e que participa do Menor Custo de Uso, é a Iconic, a mais cara, enquanto Tiggo 7 e Corolla Cross são representados por suas versões de entrada.
A quarta colocação fica para o VW Taos, recentemente renovado, e com custo mensal quase empatado com o do Boreal. Ele tem seguro e revisão ligeiramente mais baratos, mas o gasto de combustível maior pesa a balança do Taos. Por fim, o líder de vendas Jeep Compass fica em quinto lugar. Esse modelo é o dono do maior gasto com combustível entre os cinco, além da revisão e do seguro mais caros – embora sejam diferenças pequenas. Ele ganhará, em breve, um sistema híbrido leve de 48 V para apoiar o motor 1.3 turbo flex.

Picapes Flex – 1º Fiat Strada Endurance

A Fiat Strada Endurance, versão de entrada da picape mais vendida do país, toma a liderança do Menor Custo de Uso após dois anos como vice – embora sem tanta folga no custo mensal (apenas R$ 110 de diferença) para a VW Saveiro Robust, antiga líder e também a versão mais barata da linha.
Rivais históricas, as picapes pequenas têm custos de propriedade semelhantes, inclusive para compra. O que as distancia, e definiu suas colocações por aqui, são o valor da primeira revisão (mais alto na Saveiro) e o gasto de combustível anual (menor na Strada, que é também o melhor da categoria). A Strada Endurance, com cabine simples, tem motor 1.3 flex de 107 cv e câmbio manual de cinco marchas, e a Saveiro Robust mantém o antigo 1.6 flex de 116 cv com câmbio manual de cinco marchas. Ambas as picapinhas têm substitutas a caminho: a Fiat terá uma nova geração até 2030; a Volks será substituída pela Tukan.
Sem outros modelos do porte de Strada e Saveiro, o que ficará cada vez mais raro, já que a Tukan (substituta da Saveiro) será uma picape maior, o restante da categoria é composto pelas intermediárias. A começar pela Renault Oroch, terceira colocada, que se aproxima da Saveiro em custos, mas com um porte maior. O mesmo vale para a Chevrolet Montana, que aparece em sua versão topo de linha, Premier. Por fim, a quinta colocação da Toro é facilmente justificada: além de mais cara, ela tem custo de revisão mais alto e um maior consumo de combustível frente às rivais, mas o seguro surpreende positivamente.

Picapes Diesel – 1º Fiat Toro Ranch

Mais uma vez campeã, a Fiat Toro se valeu do fato de ser a menor da categoria nos anos anteriores. Porém, desta vez, a picape teve seu reinado ameaçado por modelos maiores, as “irmãs” Fiat Titano e Ram Rampage, de custos mensais bastante próximos. Não é de se estranhar, já que as três picapes são como “irmãs” na Stellantis e têm o mesmo conjunto mecânico.
O trio é equipado com o motor 2.2 turbo diesel de 200 cv e 45,9 kgfm, e tração 4×4, que promete ser mais eficiente, com mais desempenho e melhor consumo de combustível em relação à concorrência e ao antigo 2.0 de 170 cv. De fato, elas apresentaram os menores custos com combustível. Entre as revisões, os valores cobrados não são os menores, mas também mostram similaridade. Titano e Rampage se afastam da Toro pelos preços de tabela e, consequentemente, pelo IPVA, e pelos maiores custos de seguro – o da Toro é o menor da categoria.
A Nissan Frontier, cuja produção acaba de ser transferida da Argentina para o México, vem logo atrás, com custo mensal semelhante, mas um gasto de combustível mais alto que a coloca em quarto lugar. Em breve, ela deve ganhar a companhia da nova Frontier Pro, híbrida. Por fim, a Chevrolet S10 LTZ aparece em quinto lugar puxada, principalmente, pelo baixo custo da primeira revisão, com valor semelhante ao de picapes flex. Por outro lado, ela tem os piores valores de compra, IPVA e combustível entre o top 5.

Elétricos – 1º BYD Dolphin Mini GS

O Dolphin Mini tem o que comemorar: além de ser o mais barato de se manter em sua categoria, também foi apontado por este guia como o carro com o menor custo mensal entre todos pesquisados. Ou seja: terminou como dono do Menor Custo de Uso de 2026, com um valor mensal de apenas R$ 868. Seu maior argumento é o preço de compra, mais baixo entre os modelos elegíveis na categoria, assim como o prêmio do seguro. Sua revisão é a terceira mais barata e, seu consumo de energia, é o segundo.
Logo depois, com a pequena diferença de R$ 91, vem seu maior rival até agora no mercado brasileiro: o Geely EX2, este com menor consumo de energia da categoria e o segundo mais barato para se comprar, mas um seguro mais salgado. Atestando o posicionamento do EX2 entre Dolphin Mini e Dolphin GS, no Brasil, o terceiro colocado é justamente o Dolphin GS. Este tem custos semelhantes de revisão, mas se afasta no preço de compra (e IPVA) e no gasto com recargas. O seguro, de R$ 4.811, fica entre Dolphin Mini e EX2.
Um estreante no mercado e no Menor Custo de Uso é o Chevrolet Spark EUV. Elétrico mais barato da marca no Brasil e derivado de um chinês, o Baojun Yep Plus, ele fica em quarto lugar por ter bons índices de consumo de energia e revisão, além de um valor de seguro menor do que o do Geely. No entanto, seu preço de compra é o mais alto do grid. Por fim, a BYD aparece mais uma vez com o Yuan Pro, vencedor da categoria em 2025. Seu valor de compra (e IPVA) foi o vilão, mas a chinesa ainda tem a comemorar.

Híbridos – 1º BYD King GS

A categoria dos híbridos foi novamente dominada por BYD e Toyota, mas a GWM, que venceu em 2025, saiu do top 5. O espaço foi “cedido” à GAC, embora sem tanto glamour na estreia.
A vitória ficou para o BYD King, o sedã híbrido plug-in montado no Brasil. Na pesquisa, ele se beneficiou de ter o menor custo de compra, além do seguro anual mais barato – muito próximo ao do Corolla Cross e bem mais em conta do que o do Corolla sedã. Sua revisão não está entre as mais baratas, assim como os gastos com combustíveis. As despesas com energia elétrica para recarga de sistemas plug-in não são consideradas nesta categoria.
O Corolla Cross (híbrido pleno ou HEV, sem recargas externas) vem em seguida, com o menor custo de revisão (ao lado do Corolla Altis) e bons índices de seguro e gasto com combustível. Sua dupla, o Corolla sedã, é penalizado não apenas pelo desembolso na compra como pelo valor de seguro, em uma curiosa diferença para o SUV. O gasto com gasolina, porém, é o menor da categoria.
A BYD reaparece com o Song Pro, também um plug-in, que escorrega no consumo de combustível. Sua revisão também é a mais dispendiosa entre os cinco mais bem colocados do prêmio. Por fim, a GAC aparece pela primeira vez no Menor Custo de Uso, com o GS4, SUV médio que é o único híbrido da marca até então no Brasil. O modelo tem a ajuda de um bom custo de compra e revisão média, mas o gasto com combustível é alto e seu seguro é o mais caro entre os cinco aqui apresentados. Ainda assim, o custo mensal não assusta.

