O ano de 2026 tem sido marcado por debates sobre a existência de vida alienígena desde que o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu declarações polêmicas a respeito do tema. Além disso, o governo americano passou a divulgar arquivos secretos de investigações envolvendo Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) guardados há décadas.
Ao mesmo tempo, um famoso pesquisador, que colaborou com a CIA e outras agências governamentais, revelou que os EUA conhecem pelo menos quatro espécies de seres extraterrestres. Tivemos, ainda, vários relatos de OVNIs, um deles com grande repercussão no Brasil.
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Com o tema em alta, reforçado pela estreia do filme Dia D, uma curiosidade voltou a ganhar força: como as autoridades agiriam se a existência de vida fora da Terra fosse confirmada?
Diante do impacto que tal anúncio causaria, a Academia Internacional de Astronáutica (IAA) possui um conjunto de regras e procedimentos para auxiliar na revelação e na tomada de decisões. Essas normas existem desde a década de 1980 e passaram por uma atualização recente.
Protocolo sobre vida alienígena
O protocolo da IAA não representa uma lei ou regras obrigatórias. Trata-se de orientações baseadas na ciência para pesquisadores e instituições que atuam nas buscas por vida alienígena.
A “Declaração de Princípios Relativos à Condução da Busca por Inteligência Extraterrestre” é adotada por membros do projeto Busca Científica por Inteligência Extraterrestre (SETI). Ela tem como pontos centrais:
- Verificação rigorosa de provas: se uma tecnoassinatura (veja abaixo) for detectada, não deve ser considerada imediatamente como prova de vida extraterrestre. É preciso realizar análises e investigações minuciosas;
- Compartilhar informações: a pesquisa deve ser compartilhada com a comunidade científica para análises adicionais e validações independentes;
- Comunicar a descoberta: caso os envolvidos entrem em consenso, os responsáveis pela descoberta revelam a conclusão às instituições científicas, Organização das Nações Unidas (ONU) e outras entidades relevantes, primeiro. Em seguida, há o anúncio ao público;
- Política de não resposta imediata: o protocolo da IAA para a descoberta de vida alienígena recomenda, ainda, que nenhuma resposta seja enviada de imediato.
O protocolo pós-detecção sugere uma ampla consulta internacional antes de responder ao sinal. O texto afirma tratar-se de uma decisão que “pertence a toda a humanidade”.
O SETI também prevê uma comissão com especialistas de Ciência, Ética, Direito, Ciências Sociais e Comunicação. Esse grupo auxiliará os demais nos passos seguintes para lidar com o contato alienígena.
Atualização das recomendações
Como a versão anterior do protocolo era de 2010, a IAA lançou um novo texto alinhando os princípios à era das redes sociais e da inteligência artificial. Por isso, a revisão objetiva combater desinformação e deepfakes.
No texto atualizado, recomenda-se reforçar as verificações e análises complementares do sinal detectado. Isso evita rumores que podem resultar em pânico generalizado.
O novo protocolo pós-detecção indica checagens extras, autenticadas por organizações independentes e com instrumentação diferente. O anúncio deve ser feito após a conclusão, detalhando se o sinal é confiável.
Além disso, o documento menciona a necessidade de esclarecer e diferenciar dados verídicos de boatos ou interferências terrestres. Em outro trecho, há destaque para a importância de proteger os cientistas de assédio e escrutínio da mídia.
O monitoramento, arquivamento com segurança e acessibilidade dos dados também foi incluído, assim como a proteção da frequência do sinal candidato.
Como os cientistas verificam possíveis sinais extraterrestres?
O método clássico de procurar e confirmar a existência de ETs, mas não o único, é o rastreamento de tecnoassinaturas. A abordagem busca evidências de sinais que só poderiam ser emitidos por civilizações inteligentes.
Diferente das bioassinaturas, a técnica procura por tecnologias como sinais de rádio originados de fontes extraterrestres. Ao identificar uma radiofrequência suspeita, inicia-se uma rigorosa investigação para eliminar falsos positivos.
Após o descarte de ruídos emitidos por satélites e equipamentos terrestres, os dados são compartilhados para a revisão por pares, seguindo o protocolo da IAA.
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O papel dos radiotelescópios e do SETI
No rastreamento das tecnoassinaturas, são utilizados radiotelescópios para captar ondas de rádio provenientes de objetos celestes. Eles focam em evidências como frequências muito estreitas ou picos supostamente gerados por fontes não humanas.
Especula-se que os sinais sejam criados em megaestruturas tecnológicas de civilizações distantes, atravessando distâncias interestelares e superando vários obstáculos.
Os equipamentos do projeto SETI não estão à procura de naves extraterrestres ou algo do tipo. Eles focam em possíveis tentativas de comunicação via rádio, e foi assim que a iniciativa detectou o “sinal Wow!” em 1977, nomeado assim em referência à expressão do astrônomo Jerry Ehman ao ouvi-lo.
Vindo da constelação de Sagitário, durou 72 segundos, era 30 vezes mais forte que os ruídos naturais do espaço e operava na frequência natural de emissão do hidrogênio atômico. Durante décadas, a detecção animou os astrônomos e alimentou inúmeras teorias.
Classificado como um dos maiores mistérios da astronomia, o sinal Wow! nunca mais foi registrado e não se sabe a sua origem. Estudos modernos sugerem que o pulso tenha sido gerado por um evento natural raro como a explosão de uma estrela de nêutrons (magnetar).
O que a NASA diz sobre o tema?
As pesquisas sobre vida fora da Terra também estão entre os projetos da agência espacial americana. O chefe do órgão, Jared Isaacman, classificou a chance de descoberta como “bem alta”.
Ela segue basicamente o mesmo protocolo da IAA, tratando sinais candidatos como hipótese inicial, seguida de verificação independente e transparente e os demais passos.
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Projetos voltados para a busca por vida alienígena
Na tentativa de descobrir se estamos sozinhos no universo, a NASA aposta em uma estratégia mais ampla. Os projetos da organização envolvem, ainda, a astrobiologia, que procura por moléculas orgânicas, ambientes habitáveis e bioassinaturas (detecção de gases atmosféricos, alterações químicas etc).
As iniciativas também incluem investigações sobre indícios de vida microbiana ou tecnológicos por meio de missões espaciais como a Marte 2020. Ela levou o rover Perseverance ao Planeta Vermelho, onde o robô explora a cratera Jezero coletando amostras e enviando dados para a Terra.
Outros planetas foram alvo de missões da NASA, embora parte restringiu-se às atmosferas. Já em relação às próximas, vale destacar a Europa Clipper, que está a caminho da lua Europa de Júpiter, e a Dragonfly, com lançamento previsto para 2028 rumo à lua Titã de Saturno, ambas investigando a habitabilidade desses satélites.
Como funciona a pesquisa moderna
Conduzidos pela astrobiologia, os projetos mais recentes de busca por civilizações extraterrestres focam em evidências indiretas. Para tanto, são utilizados telescópios poderosos, supercomputadores e ferramentas de IA que auxiliam na procura por bioassinaturas, estruturas oceânicas e tecnomarcadores.
Programas como o Breakthrough Listen monitoram o espaço em busca de sinais de rádio com padrões diferentes, esferas de Dyson e mais anomalias. Equipamentos como o Telescópio Espacial James Webb também são essenciais para as investigações em exoplanetas.
Esses projetos são realizados simultaneamente às missões espaciais que priorizam a pesquisa in loco, com o envio de naves, robôs e outros dispositivos. Em alguns casos, as iniciativas até se complementam.
O que as religiões pensam sobre o tema?
Uma eventual descoberta extraterrestre também pode ter implicações religiosas, culturais e filosóficas, além de científicas e políticas. Especificamente no campo religioso não há consenso a respeito do tema, tratado de diferentes maneiras.
Repercussões culturais e religiosas
O que acontece se a vida alienígena for descoberta? De modo geral, as opiniões das religiões vão da aceitação da possibilidade de vida fora da Terra e valorização das pesquisas científicas à negação justificada por meio da interpretação de textos sagrados.
Especialistas em religião entrevistados pelo site Gizmodo apontaram o budismo como a religião mais aberta à ideia de vida extraterrestre. O hinduísmo e o islamismo também não teriam dificuldade em lidar com seres de outros planetas, da mesma forma que o judaísmo e a doutrina espírita.
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No cristianismo, a abordagem varia conforme a vertente, com o catolicismo não rejeitando a hipótese e os Adventistas do Sétimo Dia defendendo a ideia de mundos habitados, enquanto as Testemunhas de Jeová têm uma visão oposta. Há, ainda, os cristãos fundamentalistas que negam a ideia.
Os amplos debates sobre civilizações extraterrestres também levaram ao surgimento das “religiões ufológicas”, que já nasceram integrando os alienígenas à sua estrutura de fé.
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