O mercado de navegadores hoje é bem estabelecido, com concorrentes sólidos, tradicionais e pouca mudança nas posições — Chrome, Edge, Firefox, Safari e afins. Porém, no início da história da internet comercial, um nome foi o pioneiro desse mercado: o Netscape Navigator.
Fruto de uma empresa chamada Netscape, esse era o primeiro browser realmente intuitivo de usar e comercialmente difundido, com recursos para uma navegação dinâmica e ferramentas que foram inspiração para toda a indústria.
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A situação é diferente hoje em dia: o programa e a desenvolvedora só são conhecidos por quem viveu ou gosta do tema, mesmo sendo tão importantes para ela. A seguir, saiba mais sobre essa companhia que mudou a internet e acabou virando vítima do próprio mercado que ajudou a criar.
O início da Netscape
A trajetória da empresa Netscape começa com três pessoas: os programadores Marc Andreessen e Jon Mittelhauser, ainda recém saídos da universidade, e Jim Clark, que trabalhava na empresa de computadores Silicon Graphics.
Em abril de 1994, o trio abriu uma empresa chamada Mosaic Communications Corporation, batizada em relação a um programa lendário: o Mosaic, primeiro navegador do mundo com interface gráfica.
Ao trabalharem no Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação (NCSA) dos Estados Unidos, Marc e Jon são creditados como alguns dos criadores do Mosaic, mas tiveram que alterar o nome da companhia por riscos de processo depois de lançar a versão 0.9 do seu navegador, que começa chamado de Mosaic Netscape.
Já sob novo nome, em dezembro de 1994 nasce a empresa Netscape Communications e o programa Netscape Navigator 1.0. Era um período em que navegar pela internet era uma tarefa ainda cara pelas conexões discadas e de alta barreira técnica, com poucos programas realmente intuitivos.
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O Netscape Navigator foi um produto que ajudou a superar esses obstáculos. O visual mais fluído e as funcionalidades até então inéditas tornaram ele a melhor forma possível de ficar online na segunda metade da década de 1990.
Por que o Netscape é tão importante?
Durante dois anos, o Netscape reinou de forma absoluta no mercado de navegadores e era a referência quase única do setor, mesmo sendo um software pago. Ele tinha um licenciamento especial para uso educacional, além de vir incluso em pacotes dependendo de onde você comprava o seu PC.
O browser foi o responsável por, ao longo de suas primeiras versões, ser pioneiro em recursos que viraram base da nossa navegação diária até os dias de hoje.
Foi dentro do Netscape Navigator que surgiram funcionalidades como:
- a linguagem de programação JavaScript;
- o protocolo de criptografia Secure Sockets Layer (SSL), que virou a base de praticamente qualquer mecanismo de segurança digital e transações em páginas online;
- a implementação de cookies, pequenos pacotes de dados que permitem rastreamento e personalização de informações ao usuário;
- o suporte a GIFs animados em páginas da web;
- recursos como o botão “Voltar”, para retornar à página que era visualizada antes de um clique;
A oferta pública de ações da companhia aconteceu já em 1995 e foi simbólica: ela provou para uma Bolsa de Valores então conservadora que empresas nascidas no meio digital e com produtos para a internet poderiam ser bem sucedidas no mundo dos negócios.
O próprio Andreessen virou executivo e investidor, sendo um dos responsáveis pela criação da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.
Nasce também a concorrência
Só que o barulho provocado pelo navegador começou a incomodar as gigantes. Uma das empresas que decidiu agir o quanto antes foi a Microsoft, dona do Windows e até então sem um navegador próprio.
Uma equipe deslocada rapidamente para o projeto foi responsável por desenvolver o Internet Explorer 1.0 — que estreia dentro de um pacote de expansão opcional do Windows 95, o Plus! Pack, e mais tarde seria pré-instalado nas versões seguintes do sistema.
Essa rivalidade foi a primeira guerra dos navegadores, que envolveu uma disputa acirrada por público. A Microsoft foi a vitoriosa, em especial por já trazer um navegador que rodava de forma nativa no sistema, e aos poucos tirou o público fiel do Netscape.
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Já em 1996, com o Internet Explorer 3.0 no mercado, a disputa ficou acirrada também em questão de recursos.
A tentativa de resposta da concorrente foi lançar o Netscape Communicator 4.0, uma suite de recursos dentro do navegador: ele tinha email, lista de contatos e várias outras ferramentas dentro do programa. A aposta arriscada teria uma recepção mista, já que uma das consequências disso foi deixar o programa pesado e complexo.
O que aconteceu com a Netscape?
Em janeiro de 1998, já com a derrota consolidada, a Netscape toma uma medida que hoje é comum no mercado de softwares, mas extremamente raro na época. Ela anuncia a disponibilização do código-fonte do navegador, com as futuras versões sendo desenvolvidas por um grupo diferente.
O lado positivo desse movimento foi a criação da Mozilla, uma organização que passou a cuidar do código aberto do Netscape e gerou um dos navegadores mais importantes dessa nova geração de softwares, o Firefox.
Por outro lado, a Netscape como empresa tinha cada vez menos importância na indústria. Ela é comprada pela então gigante da internet AOL em novembro de 1998 por US$ 4,2 bilhões, mas a partir desse momento passa a ser cada vez menos relevante
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Nos anos seguintes, as versões do navegador continuam saindo, como a Netscape 6 (abril de 2000) e a Netscape 7 (2002). Só que a liberação do código e o próprio tratamento dentro da AOL, que também foi dona de serviços como ICQ e Winamp, aproximavam a empresa do fim.
A divisão passou por demissões em 2003 e uma equipe da própria AOL passou a cuidar do navegador, usando o Firefox como base do código. O programa até foi rebatizado de novo, agora como Netscape Browser, e por um tempo terceirizou algumas versões para uma desenvolvedora canadense chamada Mercurial Communications
A última versão do navegador foi a 9, já quase sem público. Todo o suporte para o navegador se encerrou depois de fevereiro de 2008, quando a companhia fechou as portas em definitivo. O nome Netscape chegou a ser usado pela AOL até 2025 em um pacote de operadora de internet barata com um navegador próprio, mas totalmente de nicho.
Curiosamente, em 1998, a Microsoft precisou depor em uma comissão antitruste nos EUA, pelas acusações de monopólio em sistema operacional e browser, justamente as acusações que a Netscape fez quando perdeu o mercado.
A empresa foi condenada por monopólio e enfraquecer as concorrentes usando práticas irregulares de mercado, mas recorreu da decisão. O processo se arrastou até 2002 época em que a Netscape já estava longe do auge, e foi encerrado com um acordo. Ele previa apenas que a Microsoft compartilhasse a sua API com rivais e passasse por um monitoramento especial.
Que fim levou o Cadê, o ‘Google brasileiro’ dos anos 2000? Descubra neste artigo!
