
Em um baile beneficente realizado em Palm Beach no mês passado, o investidor bilionário Herbert Wertheim pagou US$ 2 milhões por um dos convites mais exclusivos e controversos dos Estados Unidos: uma visita privada à Casa Branca com o presidente Donald Trump.
O lance vencedor ocorreu durante um evento beneficente na propriedade de Trump em Mar-a-Lago, em apoio a bolsas de estudo educacionais para filhos de policiais e bombeiros de Palm Beach. O evento arrecadou um recorde de US$ 7,5 milhões para bolsas destinadas a profissionais de emergência e serviços públicos locais, segundo os organizadores.
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A compra do almoço por Wertheim veio acompanhada de transporte de ida e volta no jato particular do financista Thomas Peterffy, um benefício doado conjuntamente por Peterffy, Trump e a filantropa Lynne Wheat.
“Certamente é por uma boa causa”, disse Wertheim em entrevista ao Palm Beach Post. “Ficamos muito satisfeitos por poder fazer isso.”
Um porta-voz da Casa Branca disse à Fortune que a recompensa foi aprovada pelo departamento jurídico da Casa Branca e que não foram identificados conflitos legais de interesse.
Presidentes de ambos os partidos há muito tempo oferecem recompensas extravagantes e cargos a grandes doadores, mas grupos de fiscalização têm criticado o governo Trump pelo uso de eventos beneficentes de alto valor para trocar tempo pessoal com o presidente, mesmo quando as doações são destinadas a uma causa filantrópica.
Wertheim, optometrista e filantropo, é fundador da Brain Power, Inc., uma fabricante e fornecedora de equipamentos médicos. O empresário — cujo patrimônio líquido em 2026 gira em torno de US$ 4 bilhões, segundo a Forbes — também é um nome de peso no mercado imobiliário de Palm Beach.
No ano passado, ele comprou uma propriedade à beira-mar por US$ 62 milhões em Manalapan, cidade conhecida pela proximidade com Mar-a-Lago e que recentemente atraiu uma série de compradores bilionários, incluindo o cofundador da Oracle e aliado de Trump, Larry Ellison.
Trump transformou Mar-a-Lago em um ponto de encontro frequente para bilionários e executivos influentes em luxuosos bailes beneficentes, nos quais itens de leilão como almoços privados ou reuniões no Salão Oval costumam alcançar valores de milhões.
O evento mais recente arrecadou US$ 7,5 milhões, e convites para jantares à luz de velas durante o mandato do presidente vieram acompanhados de um preço de US$ 1 milhão por pessoa.
O papel de Mar-a-Lago
Os ultrarricos têm se mostrado dispostos a participar para garantir um lugar mais próximo de um presidente que cultivou ativamente relações pessoais diretas com executivos do mundo dos negócios.
Na preparação para a segunda posse de Trump e ao longo de seu segundo mandato, CEOs e líderes de tecnologia — incluindo Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos — fizeram visitas frequentes a Mar-a-Lago, e alguns eliminaram o tempo de deslocamento comprando terrenos adjacentes à propriedade de Trump.
Bruce Richards, gestor de hedge fund milionário, comprou no ano passado um terreno vazio a uma rua de distância de Mar-a-Lago, um investimento que, segundo relatos, concede aos compradores privilégios de convidados no clube sem pagar a taxa de adesão de US$ 1 milhão.
Defensores da ética há muito criticam as táticas de arrecadação de Trump, classificando-as como “pague para jogar”. No início de seu primeiro mandato, órgãos de fiscalização levantaram preocupações sobre possíveis conflitos de interesse decorrentes de ações como a duplicação das taxas de associação de Mar-a-Lago.
Ao longo de seu primeiro mandato, Trump pode ter acumulado mais de 3.400 conflitos de interesse desse tipo, incluindo visitas de autoridades estrangeiras a propriedades de Trump e gastos de contribuintes direcionados a empresas do presidente, segundo uma análise de 2020 da organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington (CREW).
Nesta semana, o Comitê Nacional Democrata divulgou um comunicado atacando a participação de Trump em um jantar de arrecadação realizado no fim de semana em Washington.
“É uma presidência que parece estar à venda para quem pagar mais. E isso não é bom para os Estados Unidos”, disse Jordan Libowitz, diretor de comunicação da CREW, ao Palm Beach Post, em referência ao leilão mais recente em Mar-a-Lago que teve Wertheim como vencedor.
É verdade que Trump está longe de ser o primeiro comandante em chefe a explorar o acesso pessoal ao presidente em troca de doações de bilionários, um hábito claramente bipartidário.
Entre 1993 e 1996, Bill Clinton permitiu que 938 grandes doadores e apoiadores passassem a noite no Quarto Lincoln, além de outros benefícios, como refeições, partidas de golfe e corridas ao lado do presidente.
Durante os anos Obama, os arrecadadpres de campanhas doaram o valor máximo permitido por lei, trouxeram novos doadores e foram recompensados com prestigiadas nomeações presidenciais.
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