Quem circula por Campinas no dia a dia, muitas vezes na correria, pode não perceber a quantidade de imóveis abandonados espalhados pela cidade, principalmente na região central. São desde antigos comércios até casas desocupadas, muitos deles em condições precárias, com sujeira, entulho, mato alto, plásticos e até colchões e mantimentos deixados para trás.
Dados do serviço 156, da Prefeitura, mostram que houve um salto de 135% nas reclamações sobre imóveis abandonados entre 2024 e 2025, passando de 62 para 146 registros. Em 2026, até o momento, já foram contabilizadas 66 queixas, o que mantém o tema em evidência entre as demandas da população.
Os imóveis frequentemente apresentam pichações que chegam ao topo dos prédios, portas e janelas quebradas e acúmulo de sujeira, além de serem utilizados, em muitos casos, como abrigo para pessoas em situação de rua, o que contribui para a sensação de abandono em diferentes bairros.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Moradores relatam abandono e transtornos
No bairro Botafogo, o empresário Claudomiro Costa, morador há quase 50 anos, relata problemas constantes com um imóvel abandonado na Rua Delfino Cintra, que, segundo ele, vem sendo ocupado por moradores em situação de rua.
“Fica atrapalhando a gente que mora aqui perto. Sou morador há quase 50 anos e a gente vê moradores em situação de rua defecando, criando confusões. O poder público tem que tomar conta disso, porque a gente já não aguenta mais. Você pode acionar os donos, pode acionar o 156 que não adianta, ninguém resolve nada. Campinas está tomada por moradores em situação de rua”,
afirma.
Imóveis são criadouros de mosquito da dengue
Outro ponto de alerta envolve os possíveis criadouros do mosquito da dengue em imóveis fechados ou abandonados. Os registros relacionados a esse tipo de situação também cresceram, passando de 128 pedidos em 2024 para 136 em 2025, um aumento de pouco mais de 6%. Em 2026, até agora, já foram 31 solicitações.
No bairro Cambuí, o economista Reginaldo Andrade relata um problema que se arrasta desde 2021, quando duas casas ao lado da residência dele foram demolidas para a construção de um prédio que nunca saiu do papel. O espaço acabou se transformando em um depósito de materiais de obra e sujeira, o que, segundo ele, tem gerado preocupação constante.
“A gente constantemente reclama para o dono da obra para fazer limpeza do terreno e não tem resultado. Reclamamos para a prefeitura também, tem os protocolos, e a Prefeitura falou que está tudo bem, que tomou providências, só que continua”,
diz.
Ele afirma que já contraiu dengue duas vezes, sendo a segunda em estado mais grave.
“A primeira vez foi leve, mas a segunda, há dois anos, foi hemorrágica. Fiquei internado cinco dias. É um risco muito grande para a saúde. Dependendo do horário, não dá para deixar as janelas abertas por causa dos mosquitos. Todo mundo corre risco. Isso é um caso de saúde pública”,
relata.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
O que diz a Prefeitura
Em nota, o Comitê Municipal de Enfrentamento das Arboviroses e Zoonoses informou que o número de reclamações não corresponde necessariamente ao número de ocorrências, já que um mesmo imóvel pode gerar diversos registros. Segundo o órgão, o aumento das queixas também pode refletir maior conscientização da população, estimulada por campanhas públicas.
As denúncias feitas pelo canal 156 passam por triagem e são encaminhadas conforme o tipo de problema. As ocorrências relacionadas ao acúmulo de água seguem para a área da saúde, enquanto situações de mato alto e sujeira são direcionadas aos serviços públicos. Na secretaria de Saúde, os casos são avaliados por equipes de Vigilância Sanitária, que classificam o risco e organizam as vistorias.
Quando necessário, equipes vão até o local e adotam medidas imediatas. Em situações em que não é possível acessar o imóvel, drones são utilizados pelo Grupo de Resposta Unificada. Caso seja identificado risco à saúde e o proprietário seja localizado, ele é intimado a tomar providências em até 15 dias. Se não houver solução, pode ser novamente notificado e, posteriormente, multado.
Nos casos em que o proprietário não é encontrado, são iniciados trâmites judiciais para permitir a entrada no imóvel, com respaldo em decisão judicial. A Prefeitura destaca que essas etapas podem demandar mais tempo, o que explica a recorrência de algumas reclamações. Também afirma que, na maior parte das situações analisadas, não há risco direto à saúde pública, mas sim incômodos aos moradores do entorno.
Ações contra a dengue
Para combater possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura atua de forma integrada por meio do Grupo de Resposta Unificada. Desde março de 2024, foram realizadas 29 operações, com vistoria em 259 imóveis, principalmente em locais onde as tentativas de solução via 156 já haviam sido esgotadas e houve respaldo judicial para acesso.
Mais recentemente, em março deste ano, o comitê também articulou uma ação conjunta com o Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo) para vistoriar imóveis fechados disponíveis para locação.
LEIA TAMBÉM: Esquadrilha da Fumaça fará apresentação em cidade da região; veja local
*Com informações de Jorge Talmon/EPTV Campinas
O post Reclamações de imóveis abandonados têm alta de 135% em Campinas e preocupam moradores apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
