O primeiro semestre de 2025 foi excelente para a Nvidia, afinal de contas, a gigante lançou suas placas gráficas mais poderosas e até mesmo as mais baratas. No meio do caminho ficou a GeForce RTX 5070. Essa é a GPU que até agora eu não tinha testado e resolvi colocá-la à prova contra sua antecessora. GeForce RTX 5070 vs GeForce RTX 4070 SUPER. Qual se sai melhor?
Antes de começar essa comparação, eu confesso que estava muito empolgado. O modelo de testes utilizado foi a RTX 5070 AORUS MASTER, uma das versões mais parrudas dessa GPU. Infelizmente, o chip da RTX 5070 não é forte o bastante para fornecer um salto de performance em relação à 4070 SUPER.
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Evolução de arquitetura modesta
Eu geralmente começo meus textos de placas de vídeo com as descrições físicas a respeito dos aparelhos, mas dessa vez não há muita margem para isso. A AORUS RTX 5070 MASTER é um modelo turbinado e gigantesco, enquanto a RTX 4070 SUPER utilizada é o modelo Founders Edition de referência da própria Nvidia. As imagens contam a história.
Em vez disso, eu quero falar sobre a parte mais legal: as especificações. A GeForce RTX 5070 traz a microarquitetura Blackwell mais recente, assim como os demais modelos da fabricante verde. O produto é encabeçado pelo chip GB205 com seus mais de 31 milhões de transistores espalhados por uma área de 263 mm².
Um detalhe interessante é que esse GB205 é desenvolvido pela TSMC em um processo de fabricação de 5 nanômetros. Coincidentemente, o chip AD104 da RTX 4070 SUPER segue esse exato mesmo padrão, mas obedecendo à arquitetura Ada Lovelace. Essa semelhança percorre toda a geração Blackwell recente.
Quando o assunto são os núcleos CUDA, a unidade primordial das GeForce, os ganhos não são tão expressivos assim. A AORUS RTX 5070 MASTER tem 6.144 núcleos, enquanto a RTX 4070 SUPER tem 7.168 núcleos. Isso significa que o modelo mais novo da série 70 da Nvidia tem 14% menos estruturas.
E sim, eu entendo que o melhor comparativo seria com a GeForce RTX 4070 normal e não a versão SUPER. Contudo, o Voxel não recebeu essa GPU para testes e ela já foi descontinuada pela Nvidia. Como a RTX 4070 SUPER era encontrada no mercado até alguns meses atrás, ela parecia melhor para essas comparações.
Para além dos núcleos CUDA, os TMUs, Tensor Cores e núcleos de Ray Tracing também foram reduzidos. As frequências felizmente ficaram mais altas, seja em base ou boost.
Para quem desejava ver melhorias nas memórias, a AORUS RTX 5070 MASTER mantém os mesmos 12 GB da sua antecessora. A diferença está na tecnologia empregada nessas memórias, que saem do protocolo GDDR6X para o GDDR7. Isso gerou um aumento na largura de banda do modelo, que foi para 672 GB/s, mas continua com o barramento de 192-bit.
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O consumo energético da RTX 5070 aumentou pouco e foi para 250W, ou seja, somente 30W a mais que o da RTX 4070 SUPER. Se antes a Nvidia recomendava ligar essa placa de vídeo em fontes de 550W, agora o requisito aumentou para 600W – que não é nada de outro mundo.
O foco está no software?
Seria muita ingenuidade minha não saber dos fatos acima, já que é um padrão que a Nvidia repetiu com todas as RTX 50, exceto e poderosa GeForce RTX 5090. Com a RTX 5070, isso não seria diferente. Apesar disso, a equipe liderada por Jensen Huang dobrou a aposta no software.
As GeForce RTX 40 introduziram o conceito do Frame Gen, o famoso Gerador de Quadros da Nvidia. Essa proposta, já muito difundida, usa inteligência artificial para criar um novo quadro no pipeline de renderização dos quadros. Com as RTX 50, a Nvidia anunciou o Multi Frame Generation (MFG), que cria até 5 quadros artificiais.
O grande trunfo da Nvidia a partir de 2025 foi essa tecnologia, que somada ao DLSS, resultava em taxas de quadros estratosféricas nos benchmarks. Por mais que eu prefira os quadros tradicionais e sempre gostei de mudanças ao nível de hardware, o MFG faz um trabalho excelente, de fato.
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A AORUS RTX 5070 MASTER segue isso ao pé da letra e eu nem preciso dizer que a GIGABYTE não tem culpa nenhuma disso. Eu me refiro especificamente ao chip produzido pela Nvidia. Tanto a RTX 5070 quanto a RTX 4070 SUPER se sustentam muito com esse uso de IA, e isso me incomoda.
Para não dar spoilers, boa parte da geração RTX 50 só faz algum sentido por conta do Multi Frame Generation. Eu até passo um pano para as RTX 40, pois elas ainda tiveram alguma evolução em hardware, por mais que tenha sido bem mediana. Eu explico isso na prática nos parágrafos abaixo.
Setup de testes
Antes de entrar nos benchmarks, é preciso comentar sobre o nosso setup de testes. A AORUS RTX 5070 MASTER foi testada com os seguintes componentes:
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Além disso, todos os games foram testados em qualidade máxima para entender até onde essa GPU pode levar o jogador. Inclusive, os benchmarks em jogos foram realizados na resolução Quad HD.
Benchmarks sintéticos
Sem mais papo-furado, é hora de colocar a AORUS RTX 5070 MASTER para suar, e nada melhor do que começar com a nossa tradicional leva de benchmarks sintéticos. Aqui, a ideia é entender até onde o chip dessa placa de vídeo pode ir em aplicações complexas que demandam muito de qualquer computador.
Direto ao ponto, a RTX 5070 consegue se sair bem em comparação à RTX 4070 SUPER no Steel Nomad, focado em testes em 4K baseados em games, alavancando quase 20% de diferença. Ao passar para o Port Royal, especializado em Ray Tracing, a diferença entre ambas é de 15%.
O interessante é que tanto no Time Spy quanto no Time Spy Extreme as placas ficam em um grande empate técnico. Diferente dos outros testes sintéticos, o Time Spy simula um pouco mais as condições típicas de gameplay e dá um gostinho de como os benchmarks serão daqui para frente.
Aplicações profissionais
Por mais que o intuito do Voxel esteja nos games, muita gente usa as placas de vídeos para trabalhar. Assim, eu incluí alguns testes gráficos presentes no SPECWorkstation e no Blender. Para a surpresa de muitos, os resultados são relativamente mistos para o lado da RTX 5070.
No Blender Monster, há uma diferença de 7% entre as GPUs, com vantagem para a 4070 SUPER, mas o restante dos testes mostra empates técnicos. Já nos testes Solidworks, 3dsmax e Creo, do SPECWorkstation, a RTX 5070 leva vantagem de até 17% nesse tipo de aplicação, como modelagem 3D.
Testes com games em Quad HD
Finalmente, é hora de falar dos joguinhos. Para esses testes, coloquei diversos games recentes em qualidade máxima na resolução Quad HD, a mais indicada pela Nvidia para os modelos da série de placas de vídeo com o final 70. Os resultados me surpreenderam negativamente.
Partindo do cenário é que há mais movimentação, a AORUS RTX 5070 MASTER bateu a RTX 4070 SUPER em Cyberpunk 2077 com uma diferença de 18%. São apenas 14 FPS separando os dois modelos, mas é uma diferença já notável nos gráficos e está perto dos 20% que esperamos a cada nova geração.
O problema é que as melhorias param por aqui, literalmente. Alan Wake 2, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced, Forza Horizon 6, 007 First Light… eu tentei todos. Nesses vários testes, tanto a AORUS RTX 5070 MASTER quanto a RTX 4070 SUPER desempenharam basicamente a mesma coisa.
Eu precisei refazer os testes algumas vezes para ver se não era um erro da minha metodologia, mas não. Ao olhar a análise do TechPowerUp, a base de dados do site confirma que essas duas placas de vídeo têm a mesma performance em Quad HD e outras resoluções. Parece um CTRL V + CTRL C.
O Multi Frame salvador
Como eu já disse, as GeForce RTX 50 mais recentes recorrem fortemente ao Multi Frame Generation e é isso que traz algum chamariz para essa placa de vídeo. Em modo normal, apenas com o DLSS, as duas GPUs mantêm esse empate técnico, mas isso muda quando os modos 3x ou 4x do MFG entram em ação.
Em Cyberpunk 2077 é muito notável como essa diferença acontece, já que a RTX 4070 SUPER tem apenas o gerador de quadros tradicional 2x. Com Alan Wake 2 esse mesmo cenário se repete de forma bem apresentada, ou seja, com diferenças apenas ao ativar o Frame Gen em modos 3x e 4x.
Por fim, eu decidi testar o belo e pesado Resident Evil Requiem com seus maléficos Traçados de Raios. Com DLSS o embate fica na mesma, mas é só ativar a geração de quadros que tudo muda. Mesmo com o pesado Path Tracing, a RTX 5070 MASTER da AORUS entrega mais de 200 FPS sem problemas.
Consumo e temperatura
Assim como expliquei no início deste texto, comparar a AORUS RTX 5070 MASTER com a RTX 4070 SUPER Founders Edition chega a ser desigual. Por mais que o modelo FE de referência da Nvidia tenha um projeto bem bacana, ele não chega perto das versões customizadas feitas pelas companhias parceiras.
O modelo AORUS possui um sistema de resfriamento bem competente e essa é uma GPU grande. Quando eu digo grande, significa que ela é bem comprida e pesada. O motivo por trás dessa robustez está na tecnologia de arrefecimento WINDFORCE, que já se tornou uma marca da GIGABYTE.
Na parte de dentro, a companhia inseriu uma câmara de vapor maior feita de cobre e muitas aletas para ajudar a dissipar o calor. Na frente ficam três ventoinhas Hawk Fan com rotação alternada e rolamentos duplos. Já na traseira há um belo backplate metálico.
O resultado de tudo isso é um verdadeiro amasso. Eu coloquei ambas as GPUs para rodarem em loop no teste de estresse do Time Spy Extreme. Enquanto a RTX 4070 SUPER bateu no teto de 80 ºC, a AORUS RTX 5070 MASTER ficou bem geladinha com máxima de 66 ºC e pouquíssimo ruído.
RTX 5070 vs RTX 4070 SUPER: qual comprar?
Pode parecer óbvio dizer que a RTX 5070 é uma GPU melhor, mas isso seria um erro crasso. Tanto a RTX 5070 quanto a RTX 4070 SUPER são placas de vídeo extremamente parecidas em performance na resolução Quad HD. A diferença é o Multi Frame Generation a favor da 5070.
A RTX 5070 fica na faixa dos R$ 4.500 ou até menos em algumas promoções. Já a excelente AORUS RTX 5070 MASTER utilizada é um pouco mais cara, geralmente encontrada por R$ 5.500. O modelo da GIGABYTE se destaca pela ótima construção e o sistema potente de resfriamento com acústica refinada para quem não gosta de ruídos no PC.
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Como a RTX 4070 SUPER já não é mais vendida no varejo tradicional, fica um pouco difícil não indicar a RTX 5070 como opção oficial. Mas caso você tenha uma RTX 4070 SUPER ou encontre uma usada para comprar perto dos R$ 3 mil ou um pouco mais, ela pode ser uma opção válida.
A RTX 5070 não vale a pena se você já tem alguma RTX 40, seja a 4070 ou a 4070 SUPER. Essa GPU só faria algum sentido se a sua GPU ficar ruim, se você tem um modelo de alguma geração anterior, ou se está montando um novo PC. Fora isso, ambas as placas de vídeo são absurdamente similares.
Especificações técnicas
AORUS RTX 5070 MASTER
- Clock: 2515 MHz;
- Boost: 2715 MHz;
- CUDA Cores: 6.144 unidades;
- TMUs: 192;
- ROPs: 80;
- SM Count: 48;
- Tensor Cores: 192;
- RT Cores: 48;
- Memória: 12 GB GDDR7;
- Largura de banda: 672.0 GB/s;
- Velocidade da memória: 28 Gbps;
- Barramento de memória: 192 bit;
- Consumo: 250W
- Conector de energia: 16 Pin*
- Fonte recomendada: 750 W
- Dimensões: 317 x 136 x 64 mm
GeForce RTX 4070 SUPER
- Clock: 1980 MHz;
- Boost: 2475 MHz;CUDA Cores: 7.168 unidades;
- TMUs: 224;
- ROPs: 80;
- SM Count: 48;
- Tensor Cores: 224;
- RT Cores: 56
- Memória: 12 GB GDDR6X;
- Largura de banda: 504.2 GB/s;
- Velocidade da memória: 21 Gbps;
- Barramento de memória: 192 bit;
- Consumo: 220W
- Conector de energia: 16 Pin*1
- Fonte recomendada: 550 W
- Dimensões: 267 x 112 x 42 mm
Por falar em placas de vídeo da Nvidia, nós já testamos a RTX 5060 de entrada, que oferece uma boa relação de custo e benefício para quem pensa em jogar na resolução Full HD. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
