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Saros é frenético, divertido e desafiador, mas não é para todos

por SampaNews 24 de abril de 2026
24 de abril de 2026
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Saros é o novo game da Sony exclusivo para PS5. Dos mesmos criadores de Returnal, ele é um roguelite que se passa em um planeta distante, onde, no controle do executor Arjun Devraj, é preciso explorar a região em busca de respostas para as suas perdas, e ao mesmo tempo descobrir sobre o passado local.

E assim como o seu “jogo irmão”, ele aposta em uma jogabilidade frenética, onde é preciso sobreviver a cenários e inimigos caóticos, que não irão facilitar a sua jornada. Tudo no famoso sistema onde, depois de morrer, é preciso percorrer tudo novamente em busca do êxito. Mas será que o game vale a pena? Confira o nosso review!

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Desbravando Carcosa em busca de respostas

A história de Saros é cheia de ramificações O enredo principal gira em torno de Arjun Devraj, um explorador da facção Soltari, que é uma espécie de equipe planetária focada na exploração de elementos valiosos, como minérios e etc. Ao chegar no planeta Carcosa para um trabalho comum, toda a equipe começa a perceber que essa missão será mais desafiadora do que imaginavam.

A começar pelo próprio Carcosa, que se mostra um planeta repleto de mistérios, desde o passado envolvendo uma antiga civilização humana, até o seu dia a dia. Principalmente por conta de um eclipse rotineiro que distorce toda a realidade do local, deixando tudo ainda mais hostil. Se não bastassem tantos problemas, Arjun ainda precisa conviver com um problema do seu passado, mais precisamente envolvendo uma perda pessoal. 

Assim como jogos do gênero, a trama de Saros é revelada de uma forma lenta e em flashes. Em outras palavras, a parte inicial do jogo é uma chuva de informações, que muitas das vezes podem até mesmo parecer irrelevantes, mas que fecham boa parte das brechas na reta final. Também há espaço para revelações, principalmente sobre o passado de Arjun, que obviamente não entrarei em detalhes para evitar qualquer spoiler.

Mas ainda assim fiquei com a sensação de que mais coisas poderiam ser exploradas, principalmente por muitas pontas soltas, que talvez tenham sido deixadas de propósito. Por isso, não me surpreenderia em receber a notícia de um DLC ou até mesmo uma sequência do game muito em breve, já que o universo criado para Saros é imenso e tem uma base sólida para ser prolongado.

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Um gênero que não é para todos

Antes preciso fazer um pequeno desabafo. Muito se fala o quanto o gênero soulslike é nichado por conta de sua dificuldade e outros elementos desafiadores. Porém, na minha humilde opinião, nada se compara ao roguelite no qual Saros, e seu irmão Returnal, fazem parte.

Poderia citar vários exemplos, mas nada se compara ao fato de ter que repetir as suas incursões até estar poderoso o suficiente para confrontos mais complexos, como as temíveis batalhas contra os chefe de cada região do game. Além de terem toda a dificuldade comum de personagens deste tipo, não faltam elementos para fazerem do combate um verdadeiro pesadelo.

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Por exemplo, o primeiro chefe, o Profeta, é a grande porta de entrada do game. Neste confronto, me arrisco a dizer que é impossível você eliminá-lo nas primeiras cinco tentativas, isso se tratando de jogadores muito habilidosos, já que os casuais chuto mais de quinze. E por mais que Arjun esteja causando muito mais dano, ou com uma barra de energia muito maior, o combate ainda reserva surpresas, como nada menos que três barras de energia para o inimigo, e uma reta final onde é impossível desviar ou não levar dano de seus ataques cada vez mais rápidos e potentes.

Fui inocente ao achar que isso tudo nada mais era que um desafio inicial do game, e que as coisas seriam menos complexas daqui para frente. Porém, logo na primeira incursão da nova região tomei um choque de realidade e vi que agora meu pesadelo não era mais os chefes, mas sim também os inimigos comuns, agora mais numerosos e poderosos.

Diante disso, me arrisco a dizer que Saros é um game com uma linha de corte inicial muito grande. Em outras palavras, são poucos os jogadores, não acostumados com o gênero, que irão se sentir tentados a encarar o mesmo percursos dezenas e dezenas de vezes até finalmente ter algum êxito.

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E para piorar, mesmo que os cenários sejam criados através da geração procedural, que faz com que cada jogada os mapas sejam gerados de forma aleatória, ainda sim há muitas partes iguais. Elas ajudam a sinalizar o quanto você está próximo de um evento, como confronto contra um chefe ou áreas com armas e artefatos, mas ainda sim não ajudam no que diz respeito a inovar para sair da mesmice.

A boa notícias é a possibilidade de desabilitar alguns elementos para facilitar a vida desses jogadores de primeira viagem. É possível, por exemplo, ativar a mira automática, reduzir os danos em quedas, e até mesmo desativar modificadores de proteção ilimitados. Mas ainda sim, isso não é o suficiente para fazer de Saros seja uma referência para quem desejar se iniciar nesse gênero tão único. 

Variedades de armas e mecânicas defensivas que agradam

Dito isso, é hora de falar sobre a jogabilidade de Saros. Desde os primeiros minutos, é possível notar o quanto o game é desafiador e punitivo, desde as ondas de inimigos, até os elementos do cenários que se voltam contra você. E ao mesmo tempo, é possível notar as diferenças entre o game e os outros títulos padrões do gênero.

A começar pela mecânica defensiva. Ela conta com um botão de esquiva, quase obrigatório em títulos nesse formato, onde seu dedo sempre estará posicionado, já que continua sendo a forma mais eficaz de não sofrer danos. Junto a ele há um sistema inovador de escudo. Ele chama atenção pela sua eficiência e tempo em que protege o personagem, sendo uma grande válvula de escape para quando você é cercado ou se encontra em cenários mais limitados.

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Porém, como nem tudo são flores, ele é eficaz apenas para determinados tipos de tiros, que por coincidência são mais frequentes apenas na parte inicial do jogo. Em outras palavras, não é possível depender apenas do escudo, a boa e velha estratégia continua sendo o movimento de esquiva.

Ainda sobre a parte defensiva, vale mencionar também o quanto os cenários de Saros ajudam a criar estratégias para se proteger de seus inimigos. Desde se posicionar atrás de plataformas e rochas, até usar o pulo para alcançar andares mais altos, o jogo dá uma colher de chá para que você não se entregue totalmente às investidas de seus oponentes. 

Já sobre o sistema de armas e habilidades, esse é de longe o ponto alto do jogo. A começar pelo vasto arsenal, que permite criar estratégias para cada parte do game. Por exemplo, no início optei por tiros que vão de forma automática até os alvos, e depois comecei a optar por armas de dano maior, mas que exigem mais precisão, ou até mesmo proximidade para um estrago maior.

Além das armas, há outros elementos que fortalecem o personagem, como os artefatos. Eles aparecem em uma espécie de totem espalhados pelos cenários, e dão vantagens ao protagonista, como aumento de defesa e ataque, até status mais avançados. Esses mesmos totens também dão armas e até mesmo chaves para abrir portas para áreas mais recheadas de itens, mas tudo de uma forma progressiva, assim como todo o game.

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O que quero dizer com isso, ao longo do jogo, esses elementos encontrados pelo caminho terão um efetivo maior. Por exemplo, se um fuzil tem uma média de poder de fogo 5 no começo da incursão, rapidamente ele vem a evoluir no caminho, podendo alcançar 8 a 10 pontos nos que você encontra na reta final. Isso estimula a fator replay que é o coração do gênero. Em outras palavras, quanto mais você insistir em prosseguir, mais fortes serão os itens concedidos.

Morrer, cair, levantar e continuar!

Ainda sobre as incursões, vale ressaltar também alguns elementos que modificam elas, mesmo que ainda andem na sombra da mesmice já citada anteriormente. O principal deles é o famoso eclipse, amplamente divulgado nos materiais de campanha do game.

Ele funciona da seguinte forma: ao chegar na parte final de uma primeira região, você se depara com uma espécie de altar, onde é preciso “ativar o eclipse” para prosseguir. Com isso, todo o cenário é modificado, desde a sua parte visual, com tons mais avermelhados, como os elementos do game.

Os inimigos também ficam mais complexos e causam mais dano, e também punem com status surgem para dificultar sua vida, como reduzir o tamanho da barra de energia. Em contrapartida, os itens também são mais generosos, o que torna quase obrigatório percorrer essa parte antes do confronto contra um chefe. Isso porque, quase sempre, na parte inicial do percurso com o eclipse ativo é possível ir ao encontro dele, sem a necessidade de percorrer todo o caminho.

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E sobre percorrer tudo novamente, não estranhe se no começo você visualizar áreas onde não é possível alcançar com um pulo, ou através de uma porta. Elas são colocadas de forma proposital para instigar o jogador a voltar, mesmo que ele já esteja em uma área avançada no game. Isso porque é preciso conquistar habilidades ou itens para isso, como uma espécie de gancho para áreas mais altas ou conseguir saltar através de plataformas douradas.

Embora não seja obrigatório refazer essa caminhada em regiões anteriores, essas áreas antes inacessíveis são recheadas de itens e armas que poderão ser cruciais para confrontos mais desafiadores.

A ambientação impressiona, mas o visual poderia ser melhor

Saros nunca foi um jogo que se promoveu como super realista ou algo parecido. O que sempre me chamou atenção nos vídeos de revelação foi o ambiente caótico que o game iria oferecer. Mas ainda assim o seu visual mostrava uma ambientação bem única e diferenciada.

A promessa foi cumprida, e os cenários do game são realmente muito fora da caixinha em relação a outros jogos. Logo de cara você é enviado para um mundo que mistura elementos rochosos com restos de uma antiga civilização. Já a região seguinte, um emaranhado de máquinas e tubulações gigantescas, que dão a sensação de estar em uma imensa nave espacial, no melhor estilo Prometheus e obras com a mesma pegada.

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As animações também merecem elogios. Embora elas sejam inseridas em flashes, na maioria das vezes quando você morre ou muda para um outro plano, ainda sim passam uma sensação de realismo, e ao mesmo tempo prendem a sua atenção, já que esses mesmos pedaços não surgem de forma ordenada. Pelo contrário, precisam que você monte o quebra-cabeças para saber o que exatamente aconteceu com Arjun.

Já em relação aos outros elementos gráficos, o game deixa a desejar. Antes é preciso dizer que a versão do game foi analisada em um PS5 normal, talvez por isso o game tenha apresentado pequenos problemas de queda de frames e renderização em alguns momentos.

Porém, o que incomoda mesmo é a falta de capricho em relação aos coadjuvantes do game. Mesmo que as respectivas participações não tenham muita relevância na sua jornada, ainda sim é estranho ver o quanto o protagonista foi muito bem reproduzido, e os outros personagens não. Isso fica claro logo nas primeiras interações do game, mais precisamente nos diálogos, onde Arjun fica frente a frente com outros e a discrepância é nítida.

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Também me incomodou um pouco a falta de variedade nos efeitos de tiros e outros elementos que partem de seus inimigos e causam dano. Entretanto, faz sentido terem a mesma composição e cores, já que cada uma delas diz respeito ao que pode ser feito para evitar este tipo de ataque, como os círculos azuis que podem ser evitados com o movimento de esquiva ou escudo, os vermelhos que não podem ser defendidos, etc.

Vale a pena?

Saros cumpre o que prometeu e chega para ser um título de referência em um dos gêneros que mais cresce no mundo dos games. Ele traz uma jogabilidade com combates frenéticos, e um sistema de incursão que encoraja e empolga o jogador a refazer tudo por dezenas de vezes até finalmente avançar no jogo. Além disso, sua história traz um universo que agrada, e tem uma base que pode ser facilmente explorada em outros títulos e até mesmo continuações.

Entretanto, ele “sofre” do mesmo problema de outros jogos do gênero: a sua complexidade para quem não está acostumado com roguelikes e roguelites. Mesmo com opções para facilitar um pouco as jornadas, ainda sim há muitos elementos repetitivos, em uma jogabilidade que exige muita habilidade para se manter vivo e, principalmente, paciência para fazer tudo de novo.

NOTA FINAL: 85

Prós: 

  • Frenético do início ao fim
  • Ambientação diferenciada
  • Variedade de armas e habilidades ampliam as estratégias de combate
  • Opções para facilitar os novatos no gênero

Contras: 

  • Repetitivo e complexo para os não acostumados com o gênero
  • Gráficos no PS5 comum não são tão impressionantes
  • Enredo poderia ter uma construção melhor

E você, o que espera de Saros? Conte para a gente aqui nos comentários!

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