
A demanda por capacidade de computação para IA está crescendo mais rápido do que a Terra consegue sustentar. Mas uma startup fundada em Los Angeles quer resolver esse problema enviando os data centers para o espaço. A ideia recebeu o apoio da gestora de venture capital Andreessen Horowitz (a16z), que anunciou nesta terça-feira (14) um investimento – de valor não divulgado – na Orbital-1, a primeira missão de teste da Orbital.
A empresa quer construir e operar data centers em órbita terrestre baixa. Cada satélite abrigará um cluster de servidores com GPUs da Nvidia, alimentado por painéis solares e resfriado de forma passiva – simplesmente irradiando calor para o vácuo. Em órbita heliossincrona, o sol nunca se põe, não há dependência de rede elétrica, e o resfriamento – um dos maiores custos de qualquer data center terrestre – acontece de graça.
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“O progresso da IA está sendo limitado pela rede elétrica”, diz Euwyn Poon, CEO e fundador da Orbital. “A economia dos data centers é dominada por eletricidade e refrigeração, e ambas estão ficando mais difíceis. Em órbita, a energia solar é contínua e o resfriamento é fundamentalmente diferente. A Orbital está construindo uma infraestrutura de computação que remove o teto de energia e escala com o potencial da IA.”
Essa não é a primeira empreitada de Euwyn Poon, que fundou anteriormente a Spin, startup de patinetes elétricos adquirida pela Ford em 2018 por US$ 100 milhões.
A primeira missão da Orbital está programada para abril de 2027, a bordo de um Falcon 9 da SpaceX. O objetivo é validar a operação contínua de GPUs em órbita, testar o endurecimento dos componentes contra radiação espacial e, após a validação, rodar cargas reais de inferência de IA no espaço. A empresa também está em processo de registro junto à Federal Communications Commission (FCC) para obter licença de operar uma constelação de satélites.
Além do satélite, a Orbital está abrindo a Factory-1, sua primeira instalação de P&D em Los Angeles, onde os satélites serão projetados e fabricados nos Estados Unidos.
O investimento da a16z na Orbital foi feito por meio do Speedrun, um programa intensivo de 12 semanas que guia fundadores por cada etapa crítica do seu crescimento. “O Speedrun apoia fundadores para explorar ideias ambiciosas – quanto mais difícil o problema, melhor”, disse Andrew Chen, sócio geral da a16z Speedrun, por meio de nota. “A Orbital está enfrentando a maior restrição da IA com uma ideia ousada e radical.”
A ideia de lançar data centers no espaço não é exatamente nova, e já existem algumas iniciativas neste sentido sendo desenvolvidas. Google, SpaceX, Amazon e Nvidia já sinalizaram publicamente interesse no tema. A startup Starcloud lançou, em 2025, o Starcloud-1, equipado com uma GPU Nvidia H100, e informou ter treinado um modelo de linguagem no espaço. A Lonestar anunciou no ano passado planos de instalar um data center na superfície lunar.
A infraestrutura computacional da Orbital foi projetada com base em uma compreensão técnica específica. O treinamento de grandes modelos de IA exige milhares de GPUs fortemente interligadas, comunicando-se com latência próxima de zero. Essa arquitetura não se aplica a satélites. A inferência é diferente. Cada solicitação é tratada de forma independente e a capacidade pode ser distribuída entre vários nós. A Orbital concentra-se na inferência, onde a computação orbital pode ser escalada como uma constelação e atender cargas de trabalho em paralelo.
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