
O capital de risco brasileiro se habituou a seguir o mesmo modelo do venture capital norte-americano que todos já sabem de cor: empresas de base tecnológica, com receita recorrente, escaláveis. E, mais recentemente, AI-based, AI-native, AI-enabled. Essa escolha tende a privilegiar empresas de software, de preferência B2B, e acaba deixando de lado diversas outras inovações, especialmente em hardware e setores como a indústria.
Em período de desinvestimentos, a KPTL mostra com a sua saída mais recente, porém, que também existe retorno financeiro além do SaaS. A gestora acaba de anunciar a venda da sua participação na Lamiecco, uma desenvolvedora e fabricante de revestimentos laminados, feitos a partir de PET reciclado, para as indústrias automotiva, moveleira e de construção civil.
A operação, no valor de R$ 42 milhões, gerou um retorno de 4,6 vezes o valor investido inicialmente, que foi de R$ 9 milhões.
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A empresa era investida do FIMA, fundo destinado à inovação tecnológica aplicada ao meio ambiente e idealizado pelo BNDES no início da década passada. De um total de 11 empresas, o fundo já saiu de sete – e a venda da participação na Lamiecco foi a de maior valor até agora.
“No venture capital brasileiro tem muita coisa envelopada da Califórnia, mas a beleza está muito mais em você garantir a qualidade da inovação, com um bom preço de entrada, para você ter uma boa oportunidade de preço de saída, do que só viver essa coisa da digitalização, de curvas de crescimento, do unicórnio. A vida real é muito mais bonita do que essas caixinhas”, diz Renato Ramalho, CEO da KPTL, em entrevista ao Startups.
A Lamiecco foi fundada em 2007 em Montauri, no interior do Rio Grande do Sul, e é hoje a maior empresa de economia circular em seu segmento na América Latina, exportando cerca de 10% da produção para doze mercados. No ano passado, faturou R$ 100 milhões. Para 2026, a projeção é de R$ 150 milhões, e de R$ 220 milhões para 2027.
A KPTL entrou no negócio em janeiro de 2014, quando a empresa já tinha sete anos, conhecimento técnico, mas dificuldades de caixa e gestão. Com o investimento, vieram também as ferramentas de governança: conselho de administração, balanço auditado, gestão financeira mais robusta. A empresa parou de queimar caixa, investiu em P&D e montou o que hoje descreve como o maior centro tecnológico do seu setor. O mercado industrial, que respondia por 5% do faturamento na época, representa hoje 90%.
A saída não seguiu o roteiro mais comum. Havia um grupo de investidores interessado na participação, mas os próprios fundadores, Alexandre Figueiró e Cladir Roso, exerceram o direito de preferência e ficaram com 100% do negócio. Para Renato, isso diz muito sobre a saúde da empresa. “Eles poderiam ter ido para casa com o dinheiro no bolso, mas preferiram ficar no negócio”, elogia.
Para o CEO da KPTL, o caso da Lamiecco reforça um argumento que ele defende há tempos: a agenda climática precisa virar negócio. “Se não virar negócio, a gente não vai conseguir cuidar do plástico, da indústria têxtil. A Lamiecco é um bom exemplo de que dá para fazer negócios rentáveis, grandes, com boas transações a partir da agenda climática.”
Além de ter sido a maior saída do FIMA, o deal da Lamiecco foi um dos maiores realizados pela KPTL nos últimos cinco anos. Entre os cheques mais robustos recebidos pela gestora no período estão os da venda da Nanovetores, especializada em nanotecnologia para a produção de cosméticos e fármacos, em 2022, para a multinacional suíça Givaudan, com retorno de 14 vezes, e a Imeve, de aditivos probióticos para nutrição animal, com retorno de 6,5 vezes, em 2021.
A gestora conta atualmente com dez fundos sob gestão, com 70 empresas investidas, muitas delas maduras, em fase de desinvestimento.
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