Pelo menos 235 pessoas morreram nos dois terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). Dois brasileiros estão entre as vítimas, segundo o governo federal. Na região de Campinas, venezuelanos vivem momentos de apreensão enquanto tentam conseguir notícias de parentes que permanecem nas áreas mais afetadas – veja mais abaixo.
Os dois tremores aconteceram com menos de um minuto de intervalo. O primeiro teve magnitude 7,2 e o segundo 7,5. O epicentro foi registrado a cerca de 168 quilômetros de Caracas, capital venezuelana. A pouca profundidade dos abalos contribuiu para aumentar a destruição.
A região mais atingida é La Guaira, no litoral norte da Venezuela, localizada a aproximadamente 30 quilômetros de Caracas.
Segundo o Ministério da Saúde da Venezuela, ao menos 235 pessoas morreram. Além disso, mais de 1.500 ficaram feridas e cerca de 200 pessoas ainda podem estar sob os escombros, de acordo com o governo venezuelano.
Há ainda localidades que permanecem sem comunicação e que não foram alcançadas pelas equipes de resgate, o que pode dificultar a atualização do número de vítimas.
O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros nos desabamentos. Muitas famílias passaram a noite nas ruas após perderem tudo o que tinham.
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Moradores da região tentam contato com familiares
Venezuelanos que vivem na região de Campinas relatam dificuldades para falar com parentes por causa da falta de energia e dos problemas nos serviços de telefonia e internet.
Morador de Vinhedo, o empresário Jesus Eduardo Perez, que nasceu na Venezuela e vive no Brasil há 30 anos, contou que estava assistindo ao jogo entre Brasil e Escócia quando começou a receber centenas de mensagens de familiares e amigos que ainda vivem no país.
“Foi horrível. Caiu paredes, caiu portões. O que eles conseguiram fazer foi sair correndo para a rua para não ficar dentro da casa. Foi um susto. Minha sobrinha e meu irmão falaram que foi a primeira vez que eles viram algo tão catastrófico.”
A gerente de RH Morela Del Valle Alfonzo Arrivillaga também deixou a Venezuela para viver no Brasil, mas mantém familiares no país. Assim que soube dos terremotos, tentou contato com três tios e quatro primas que vivem na região atingida.
“Depois eles responderam que estavam todos bem e que uma das nossas primas tinha perdido a casa, porque o prédio onde ela morava tinha caído. Graças a Deus eles estavam fora.”
Agora, a preocupação vai além dos danos provocados pelos tremores. Com a falta de energia em diversas regiões, Morela teme perder o contato com os parentes e se preocupa com as consequências da tragédia.
“É uma preocupação grande de ver como eles vão ficar a partir de agora. Eu tenho uma tia idosa que morava em uma casa de repouso. Ela está bem, mas vai começar a faltar comida, serviços, remédios. É uma preocupação grande com o futuro.”
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Especialista explica o que causou os tremores
O terremoto foi registrado por sismógrafos instalados no Brasil. O professor Vinícius Meira, do Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), especialista em placas tectônicas, explica que a região onde ocorreu o terremoto está situada no limite entre duas placas tectônicas.
“Ali é uma dinâmica de movimentos laterais entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana. É uma zona de limite dessas placas, onde existem várias falhas geológicas que se movimentam com frequência alta e é onde vemos esses sismos. Esse tremor foi sentido em Manaus e em regiões próximas. O epicentro foi em uma região montanhosa, a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas.”
Segundo o pesquisador, é praticamente impossível prever um terremoto.
“É um processo que acontece no interior da Terra e ocorre em escalas difíceis de prever, assim como uma erupção vulcânica. A gente sabe que pode acontecer e que deve acontecer, mas não consegue precisar quando isso vai ocorrer para evitar desastres naturais.”
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Brasil envia equipe de resgate
O governo brasileiro informou que a FAB (Força Aérea Brasileira) enviará um avião cargueiro à Venezuela com bombeiros e técnicos da Defesa Civil dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná para auxiliar nas operações de resgate.
Além da equipe brasileira, uma força-tarefa internacional também atua nos trabalhos de busca e salvamento.
Os abalos desta quarta-feira já são considerados entre os mais fortes terremotos já registrados na Venezuela, tanto pela magnitude quanto pelos impactos provocados nas áreas atingidas.
*Com informações de André Luís Rosa/EPTV Campinas
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