Aos poucos, o mercado automotivo observa a volta de uma demanda por outros tipos de carroceria além dos SUVs, principalmente por hatchbacks e sedãs. A Volvo percebeu essa procura no Brasil e, depois de quatro anos desde o fim das vendas do S90, volta a oferecer um três-volumes no país na forma do elétrico ES90.
Ainda sem preço revelado – será divulgado nos próximos dias, durante o Festival Interlagos – o Volvo ES90 ocupará uma faixa de preço abaixo do EX90 – que parte de R$ 849.950. É um indicativo de que o sedã deverá custar algo em torno de R$ 800.000, para que tenha um preço atraente o suficiente para convencer o cliente a optar por um sedã em vez de um SUV.
Segundo a Volvo, alguns clientes pediram pelo lançamento do ES90 por fazerem questão de um sedã. Esta demanda, diz a marca, existe tanto por pessoas físicas quanto por empresas, que estariam interessadas em usar o carro no transporte executivo.
E essa é exatamente a vocação do Volvo. Seu design é bem discreto e, ainda assim, atraente, com a mesma linguagem visual usada nos últimos lançamentos da marca, como EX60 e EX90. Sem uma grade frontal (ou mesmo uma imitação de grade), o visual é formado praticamente pelos faróis, destacados pela iluminação em led em forma de “T” deitado, que a Volvo chama de “martelo de Thor”. Essa luz é complementada por uma faixa em led vertical no para-choque.

Do lado oposto, o ponto mais chamativo do ES90 é a adoção de um teto no estilo fastback. É quase como um cupê, mas termina um pouco antes de chegar de fato à extremidade, fazendo com que tenha um volume extra, como se espera de um sedã.
A discrição continua no interior. A Volvo segue com a ideia de um minimalismo extremo na cabine, concentrando o máximo de controles possíveis na central multimídia. Isso deixou os designers focarem em outras coisas como no desenho e nos materiais.
Há uma combinação de Nordico (material da Volvo que combina plástico de garrafas PET recicladas e resina de pinho), madeira e magnésio ocupando boa parte do acabamento. Ainda é possível achar alguns plásticos duros, disfarçados tanto pela pintura quanto por estarem rodeados pelos outros materiais.

Quem for dirigir vai se divertir com os 680 cv e 88,7 kgfm de torque. São dois motores, um de 299 cv para as rodas dianteiras e outro de 381 cv acionando as rodas traseiras. Na pista de testes, a combinação faz com que o ES90 acelere de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos. As retomadas também são boas, sempre abaixo de 2 segundos. Precisa de 1,5 s para ir de 40 a 80 km/h e 1,6 s para acelerar de 60 a 100 km/h.
Na versão Ultra Twin Motor Performance oferecida no Brasil, o sedã vem com suspensão pneumática de duas câmaras, o que ajuda em diversos pontos ao absorver melhor as imperfeições das ruas brasileiras e a evitar raspar a parte inferior em valetas e lombadas mais problemáticas:o sistema tem uma opção off-road que eleva o veículo, aumentando o vão livre de 178 mm para 203 mm.
Os números de desempenho podem impressionar, mas a proposta do Volvo ES90 é ser confortável. O volante, apesar da boa resposta, é um pouco vago. A carroceria se comporta bem, sem muita inclinação lateral, mas também não transmite emoção em velocidades mais altas.

A bateria tem capacidade de 106 kWh, entregando energia o suficiente para uma autonomia de 524 km, segundo o Inmetro, a segunda maior do país – perde somente para o recém-lançado BMW iX3 e seus 570 km de alcance.
Montado com uma arquitetura elétrica de 800 volts, o ES90 pode utilizar carregadores de até 350 kW de potência, o que permite que recupere 300 km de autonomia em apenas 10 minutos.
O motorista é quem vai encontrar os grandes defeitos do carro. A insistência da Volvo em concentrar tudo na tela central é bem frustrante, ainda mais pelo exagero. O porta-luvas não tem maçaneta e só pode ser aberto por um comando na central multimídia. A porta do motorista só tem botões para controlar as janelas dianteiras e o condutor só vai conseguir fechar as janelas traseiras usando outra função na multimídia ou por comando de voz.
Outro problema está na visibilidade traseira. Embora o vidro seja grande, a área visível é bem pequena, afetada pela inclinação e também pelos enormes encostos de cabeça, que ocupam a maior parte do espaço. Uma solução é rebater o encosto central, criando um pequeno buraco que ajuda a mitigar esse problema. Adicionar um retrovisor interno digital por câmera ajudaria muito.

Quem for viajar somente nos bancos traseiros vai encontrar um espaço enorme. Tem 105 cm de área para pernas, um valor bem generoso e que se repete nos assentos dianteiros. O assoalho é reto como todo elétrico, porém um tanto alto, fazendo com que os ocupantes fiquem com os joelhos um pouco elevados.
Apesar do espaço para os passageiros ser grande, o mesmo não pode ser dito do porta-malas. O formato do teto e a adição de um estepe de tamanho integral fez com que a capacidade fosse reduzida para meros 424 litros, um valor semelhante ao de alguns SUVs compactos e que não se espera de um sedã com 5 metros de comprimento e 3,10 m de entre-eixos.

Por vir na versão Ultra, chega bem equipado. A central multimídia, que controla quase tudo no carro, utiliza uma tela vertical de 14,5”, de bom funcionamento e que utiliza o sistema Google Automotive – o que significa que, em breve, o assistente por voz passará a utilizar a inteligência artificial Gemini. O outro display no carro é o quadro de instrumentos, que mede 9”.
O Volvo ES90 em tudo o que importa para deixar os ocupantes bem confortáveis. O ar-condicionado tem quatro zonas com purificador de ar, prometendo filtrar 95% das partículas finas e 99,9% dos alérgenos. O teto panorâmico utiliza um sistema de polarização ao invés de uma persiana, filtrando até 99,9% dos raios ultravioletas.
O sistema de som Bowers & Wilkins merece um destaque. Com 25 alto-falantes, posicionados até mesmo nos encostos de cabeça, é controlado por um aplicativo especial, que permite simular a acústica do Abbey Road, estúdio londrino famoso por ter sido utilizado frequentemente pela banda The Beatles.
O sedã elétrico ainda tem um pacote ADAS completo, com controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, leitor de placas de trânsito, frenagem autônoma de emergência e alerta de desembarque, que avisa para não abrir a porta caso um veículo ou ciclista esteja próximo. Uma das tecnologias novas vindas dos outros Volvo é o sensor de respiração, que nota a presença de bebês no interior e emite um alerta para evitar esquecer a criança.

Veredicto
Pelo conjunto da obra, o Volvo ES90 conseguirá agradar ao público-alvo que a fabricante sueca está procurando. A própria empresa sabe que não será um carro de volume, com a expectativa de vender 100 unidades até o fim do ano – algumas delas já negociadas – e com os próximos veículos chegando em lotes pequenos.
Em meio a poucas opções do tipo no país, o Volvo ES90 cumpre bem o papel de ser um sedã executivo elétrico. Pode incomodar um pouco quem for dirigir, por conta do minimalismo excessivo e da baixa visibilidade traseira. Mesmo com esses defeitos, é fácil amar um sedã da marca sueca.
Teste de Desempenho – Volvo ES90 Ultra Twin Motor Peformance
Aceleração
- 0 a 100 km/h: 3,9 s
- 0 a 1.000 m: 24,4 s / 184 km/h
- Velocidade máxima: 180 km/h
Retomadas
- 40 a 80 km/h: 1,5 s
- 60 a 100 km/h: 1,6 s
- 80 a 120 km/h: 1,9 s
Frenagens
- 60 km/h a 0: 13,4 m
- 80 km/h a 0: 24 m
- 100 km/h a 0: 37,3 m
Consumo
- Urbano: 5,4 km/kWh
- Rodoviário: 5,0 km/kWh
Ruído interno
- Neutro / RPM máx.: Não aplicável
- 80 km/h: 58,8 dBA
- 120 km/h: 67,9 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 100 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: não aplicável
Volante: 2,7 voltas
Ficha técnica – Volvo ES90 Ultra Twin Motor Peformance
Motor: elétrico, dianteiro assíncrono, 299 cv; traseiro síncrono, ímãs permanentes, 381 cv; 680 cv e 88,7 kgfm
Bateria: NMC, 106 kWh, 524 km no ciclo Inmetro
Recarga: 11 kW (AC), potência de recarga máxima 350 kW (DC)
Câmbio: automático, 1 marcha, tração integral
Suspensão: braços sobrepostos (dianteiro), multilink, molas pneumáticas (traseiro)
Freios: discos ventilados (dianteiro), discos ventilados (traseiro)
Direção: elétrica, 12 m de diâmetro de giro
Rodas e pneus: liga leve, 215/60 R18 (dianteiro) e 235/55 R18 (traseiro)
Dimensões: comprimento 5,00 m, largura 1,94 m, altura 1,55 m, entre-eixos 3,10 m, peso 2.610 kg, vão livre 178 mm, porta-malas, 446 litros (traseiro) e 27 litros (frontal);
