Especialistas da Varonis Threat Labs identificaram um novo malware para Windows chamado Dolphin X, capaz de roubar informações e controlar o sistema remotamente. O diferencial é que a ameaça usa um recurso de inteligência artificial para classificar as vítimas conforme o seu potencial financeiro, facilitando a vida dos hackers.
O Dolphin X é comercializado em fóruns clandestinos pelo operador conhecido como “Kontraktnik” e promete atingir mais de 300 aplicativos. Dentre esses softwares estão navegadores, carteiras de criptomoedas, gerenciadores de senhas e ferramentas utilizadas por desenvolvedores e administradores de sistemas.
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Na prática, esse vírus é um infostealer e um RAT, duas nomenclaturas bem comuns no submundo do cibercrime. A primeira classificação é referente aos agentes responsáveis por roubar informações armazenadas no computador, como senhas, cookies, carteiras digitais e documentos sensíveis. A segunda é um Cavalo de Troia de Acesso Remoto, que permite ao invasor controlar a máquina comprometida à distância.
Uma combinação como essa faz do Dolphin X um agente malicioso extremamente perigoso para qualquer vítima. Os pesquisadores indicam que o malware também pode executar comandos arbitrários para instalar novos softwares mal-intencionados no sistema da vítima e ampliar o domínio sobre o computador invadido.
Chamado de AI Profiler, a tecnologia usa inteligência artificial para mapear dados do usuário e consegue catalogar aqueles que possuem o maior valor financeiro. Em outras palavras, é como se o malware criasse um cardápio com as opções mais atraentes para os atacantes, que escolhem as vítimas com o maior potencial de lucro.
Como o Dolphin X funciona?
Segundo a Varonis, os criminosos configuram o Dolphin X por meio de um painel de administração antes de distribuí-lo às vítimas. Nesse ambiente, é possível definir o servidor que receberá os dados roubados, o local de instalação do malware, mecanismos de persistência e recursos para dificultar sua detecção.
O detalhe interessante é que nada disso é compilado na máquina do comprador do software. Em vez disso, um servidor gera automaticamente uma versão personalizada do executável, criada com as preferências previamente solicitadas. Isso significa que cada vírus pode ter características bem distintas.
Para se camuflar, esse vírus usa a técnica de injeção de processo, que permite escondê-lo em processos legítimos do Windows. Dessa forma, o agente malicioso consegue passar despercebido por antivírus tradicionais e sobreviver a reinicializações.
É válido pontuar que os pesquisadores da Varonis não conseguiram executar todas as funcionalidades do Dolphin X em uma máquina. Assim, é muito provável que esse malware esconda ainda mais funcionalidades que não foram descobertas.

Além das senhas, cookies e carteiras, o malware também procura por arquivos “.env”. Esses arquivos são comuns em projetos de desenvolvimento e podem ter credenciais de bancos de dados, chaves de APIs, tokens de autenticação, etc. Com esses dados em mãos, cibercriminosos podem acessar sistemas corporativos e sistemas complexos sem fazer muito esforço.
IA para o mal
O recurso mais inovador do Dolphin X é o já citado AI Profiler. Após coletar informações do computador infectado, o sistema analisa fatores como programas instalados, hábitos de navegação e aplicações utilizadas pelo usuário para estimar o valor daquela vítima.
O procedimento é bem simples. Essa inteligência artificial faz um compilado dos melhores dados possíveis de cada vítima. Em especial, a IA consegue mapear as que gerariam os melhores rendimentos financeiros para os criminosos explorarem. A partir disso, os operadores recebem um relatório detalhado das vítimas e escolhem qual alvo vão priorizar.
Como se proteger?
O Dolphin X é um malware complexo, mas a Varonis não explica como ele é distribuído para as vítimas. Em todo caso, a recomendação é nunca realizar o download de arquivos provenientes de fontes desconhecidas, como softwares a partir de fóruns, anúncios pagos nas buscas da internet ou através de emails que você não conhece.
Caso exista suspeita de infecção, a orientação é desconectar imediatamente o computador da internet, realizar uma varredura completa ou reinstalar o sistema operacional, dependendo da gravidade do comprometimento. Alterar todas as senhas, acessos, credenciais e chaves é de extrema importância.
Por falar em golpes, a Vakinha confirmou um vazamento de dados que afetou milhões de usuários ao expor diversos dados cadastrais. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
