Não é mais nenhum segredo que a Volkswagen Amarok ganhará uma nova geração em 2027, algo anunciado pela própria marca. Porém, a picape estará acompanhada de outro modelo: um SUV que irá concorrer com Toyota SW4. Conhecido internamente como Projeto Atacama, o utilitário será produzido na fábrica de General Pacheco, na Argentina, aproveitando a capacidade ociosa da linha de montagem e o compartilhamento direto de peças com a picape. A informação foi revelada pelo jornalista argentino Horacio Alonso e indica que o desenvolvimento do novo carro já avança nas reuniões de planejamento da fabricante.
O inédito produto surge como um desdobramento do chamado Projeto Patagonia, que consumiu US$ 580 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões, em conversão direta) para atualizar a picape média vendida no mercado brasileiro e sul-americano. Com a nova geração da Amarok prevista para iniciar a produção no final deste ano, a marca alemã concentra esforços em avaliar a viabilidade comercial da variante fechada, adotando a mesma estratégia de redução de custos utilizada pela Toyota com Hilux e SW4, e a Chevrolet com a dupla S10 e Trailblazer.
A decisão de estudar um modelo derivado da picape tem motivações industriais e financeiras. A planta de Pacheco passou por readequações recentes e registrou períodos de suspensão de funcionários, trabalhando em apenas um turno após o fim da produção do Taos no último ano. A adição de mais um veículo que aproveite o chassi de longarinas preencheria essa lacuna e garantiria maior estabilidade produtiva.
A viabilidade do Projeto Atacama se sustenta essencialmente no custo de desenvolvimento menor. Como o novo modelo compartilhará plataforma, suspensão, parte da estamparia, componentes internos e opções de motorização com a Amarok, o investimento necessário para colocá-lo nas ruas é consideravelmente inferior ao projeto de um veículo construído a partir do zero.

O conjunto mecânico deve seguir a oferta da picape, que no mercado brasileiro entrega o motor 3.0 V6 turbodiesel de 258 cv e 59,1 kgfm de torque. Assim, deve contar também com uma versão híbrida, aproveitando a tecnologia da chinesa SAIC, que emprestou a plataforma para a Volkswagen fazer a Amarok – a fabricante alemã já confirmou que a picape terá uma opção eletrificada.
Atuar no segmento de utilitários esportivos baseados em picapes é um movimento estratégico no Brasil. Trata-se de uma categoria de alto valor agregado, que garante boa margem de lucro por unidade vendida. Há poucas opções no mercado, com o Toyota SW4 dominando as vendas, seguido por GWM Haval H9 e Chevrolet Trailblazer (o Mitsubishi Pajero Sport saiu de linha no início do ano).
Apesar de as fontes internas confirmarem a existência do Projeto Atacama, a Volkswagen ainda não iniciou o processo de cotação de componentes junto aos fornecedores regionais. Esse comportamento sugere que a direção da empresa aguarda a resposta comercial do lançamento da Amarok reestilizada para, somente depois, aprovar o projeto.
Caso o SUV receba o sinal verde nos próximos meses, a chegada aos concessionários ocorrerá apenas em uma segunda etapa, o que projeta o lançamento para depois do segundo semestre de 2027. O veículo terá na exportação para o Brasil, justificando o volume de produção necessário para fechar a conta na fábrica de Pacheco.
