O WhatsApp para desktop consome boa parte da memória RAM do computador, mas sem fazer nada com isso, apurou o site Windows Latest. Uma investigação do veículo constatou que o programa pode tomar até 400 MB antes mesmo de estar logado em uma conta.
A experiência do WhatsApp para desktop nunca foi das melhores. Antes de migrar sua arquitetura para o WebView 2 em julho de 2025, o aplicativo geralmente ficava para trás em termos de usabilidade e recursos do mensageiro. A transformação em web app alimentava a esperança de que, pelo menos, o cliente teria as mesmas funções que a versão web acessível pelo navegador.
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Contudo, o novo aplicativo também não garante uma experiência tão agradável. Durante o uso cotidiano, é comum se deparar com travamentos e lentidão durante a navegação em conversas, bem como longos tempos de carregamento caso o programa esteja fechado por muito tempo.
O Windows Latest então percebeu que o aplicativo também drena muitos recursos do computador. Antes de fazer login, o software consumia 400 MB, mas a quantidade subiu rapidamente para 1,2 GB depois de abrir o app e navegar entre conversas, logo voltando para 600 MB quando ficou ocioso novamente.
A publicação ressalta que o desempenho do aplicativo também deixa a desejar. “O app é pesado e lento ao mesmo tempo. O envio de mensagens apresenta um atraso angustiante antes do único tique aparecer, o que significa que a mensagem ainda nem saiu do seu dispositivo. As pessoas do outro lado têm a sensação de que você está alternando entre online e offline, porque as mensagens aparecem em rajadas, e não em tempo real”, relatou.
Esse tipo de funcionamento também acontece com o autor desta reportagem. Travamentos no aplicativo são recorrentes, principalmente ao alternar entre conversas muito grandes ou grupos movimentados. Além disso, a ferramenta de pesquisa também é absurdamente lenta e interfere na usabilidade de todo o programa – e isso em um computador com hardware robusto: um Ryzen 5 3600, RTX 2060 Super e 16 GB de RAM.
Em comparação, o veículo menciona que a antiga versão do WhatsApp para desktop baseada no UWP (Plataforma Universal do Windows) ocupava menos de 100 MB quando o app estava ocioso.
Infelizmente, fechar o aplicativo pelo botão “X” da janela não encerra o programa totalmente. Ele continua em segundo plano, drenando recursos do sistema para se manter ativo. Reiniciar o software também não é uma experiência agradável, já que ele leva um bom tempo para ser inicializado.
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O site constatou que o uso do WhatsApp para desktop é ainda pior em PCs com hardware mais fraco. O outro dispositivo usado nos testes executava bem uma série de programas voltados para desenvolvimento de software, mas o WhatsApp era o único que não funcionava adequadamente.
O WhatsApp para desktop é um web app
Na atual arquitetura, o WhatsApp para desktop não é um aplicativo nativo, mas é como se fosse uma página de navegador. O WebView2, nova base técnica do aplicativo, é uma ferramenta que permite incorporar conteúdo da web diretamente em programas – então, é como se ele abrisse o WhatsApp Web dentro do seu próprio container.
Dentro dessa estrutura, o WebView abre diferentes processos para rodar o web app, como processos para renderização de GPU, rede, áudio e armazenamento. Cada um deles roda de forma independente para o WhatsApp, como uma instância exclusiva do Chromium.
Um web app baseado em WebView2 não é necessariamente ruim, mas pode não ser a melhor opção para um mensageiro como o WhatsApp. Para garantir a sincronização constante de mensagens e as notificações ativas, o aplicativo precisa manter várias tarefas em execução o tempo inteiro.
Outro software conhecido pelo desempenho ruim e que também é baseado no WebView2 é o Microsoft Teams. Curiosamente, ele também sofre com problemas parecidos, como o alto consumo de RAM e lentidão na navegação entre conversas.
O problema seria da Microsoft
Segundo o Windows Latest, a popularização exagerada do WebView2 é consequência da falta de comprometimento da Microsoft com frameworks próprios do Windows 11, como o UWP. O site acredita que a Meta desistiu de manter um app próprio ao perceber que a Microsoft abandonou o UWP pelo WinUI. O custo de manutenção do WhatsApp para desktop como app independente, então, seria alto demais para se justificar.
Sendo assim, a empresa substituiu a base técnica pelo WebView2 – o que praticamente torna o WhatsApp para desktop fundamentalmente idêntico ao WhatsApp Web.
O veículo também lembra que os frameworks da Microsoft nunca foram muito consistentes ou de alta qualidade. O WinUI, por exemplo, não tem suporte pleno para redimensionamento de janelas.
Porém, vale mencionar que a Meta também nunca se estabeleceu com uma única versão do WhatsApp para desktop. O aplicativo já teve uma versão construída sobre o framework Electron, posteriormente substituída pela versão em UWP.
A cada versão mantida do WhatsApp, a Meta aumenta os custos de manutenção. A adoção do WebView2 simplifica o fluxo para a empresa, mas se mostra como uma péssima solução para os usuários finais.
De toda forma, o WhatsApp Web (acessível pelo navegador) tende a ser uma opção mais confiável e menos custosa em poder computacional, apesar de ocupar uma aba extra do navegador. Felizmente, há até browsers que oferecem integrações nativas com o WhatsApp Web, como os apps da Opera.
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