
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) virou frente de batalha entre PT e PL após o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no carnaval do Rio. Enquanto a sigla de oposição acionou a Corte Eleitoral para investigar o financiamento à escola de samba, o partido de Lula avalia ingressar com uma representação sob alegação de que há impulsionamentos de postagens com críticas ao governo e ao petista na esteira do desfile.
De acordo com um integrante da executiva nacional do PT, o partido está fazendo um levantamento sobre quais postagens foram impulsionadas para avaliar a necessidade de tomar alguma medida jurídica. Ele diz, sob reserva, que é preciso analisar a fundo quem está por trás dessa operação que, na avaliação dele, busca gerar prejuízos à imagem do governo federal em ano eleitoral.
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Segundo o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, os ataques a Lula partiram de legendas e parlamentares ligados à bancada evangélica, que passaram a explorar nas redes sociais imagens de uma das últimas alas da escola, a “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias dentro de latas. O ministro da Secom entende que, em razão dos impulsionamentos, foi “criado um debate falso” em relação ao tema.
— É uma coisa impulsionada feita intencionalmente. É oportunismo eleitoral — disse Sidônio.
Segundo o ministro, o governo não tomará medidas e a resposta jurídica caberá ao PT:
— Tem que averiguar, tem que ir atrás para identificar os responsáveis por isso. Isso é crime eleitoral.
O impulsionamento de publicações críticas ao governo é um tema que preocupa o Palácio do Planalto. Esse ponto consta em minuta apresentada pelo TSE que está em análise e, na avaliação de governistas, abre margem para gerar um desequilíbrio na disputa.
Sidônio disse ainda que o governo não interferiu nos temas levados pela Acadêmicos de Niterói para a avenida:
— O governo não teve interferência nenhuma na escola de samba. A única coisa que o governo teve interferência foi junto aos ministros para não saírem para evitar problema eleitoral.
Em outubro de 2025, segundo agenda pública da ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, houve duas reuniões da auxiliar de Lula com o presidente da escola, Wallace Palhares, no Palácio do Planalto. Esses encontros ocorreram nos dias 2 e 16.
Uso da máquina federal
Já o PL argumentou no pedido enviado ao tribunal, de acordo com a coluna de Malu Gaspar no site do GLOBO, que a apresentação da Acadêmicos de Niterói foi uma “explícita peça político-eleitoral, em ano eleitoral”, se convertendo em “propaganda governamental e partidária escancarada em cada alegoria, além de ataques nítidos a opositores, em típico comportamento eleitoreiro”.
O PL quer apurar a utilização da máquina federal para captação de financiamento para a escola de samba, além de investigar se houve interferência do Palácio do Planalto no conteúdo do desfile.
Segundo o PL, há indícios de que o Planalto “foi convertido em comitê de organização carnavalesca”, com relatos de que a primeira-dama teria utilizado servidores da Presidência para pedir a empresários doações para a escola de samba.
Antes do desfile, o TSE negou pedidos apresentados pelos partidos Novo e Missão, que queriam barrar a apresentação da escola de samba, que abriu a noite de desfiles no domingo passado. Os ministros alegaram que a adoção de uma medida drástica dessa natureza seria uma censura, mas ressaltaram que havia indícios de riscos de ilícitos eleitorais, abrindo brecha para revisitar o assunto no futuro.
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