A Obsidian é uma das primeiras produtoras que vem à cabeça quando pensamos em RPGs ocidentais, uma empresa cujo histórico a coloca no panteão do gênero, ao lado de Bethesda e Larian. Fallout: New Vegas, por exemplo, uma de suas principais produções, ainda é o jogo da franquia a ser superado.
Recentemente, no entanto, a Obsidian navegou por mares desconhecidos com Grounded e sua sequência, games focados em sobrevivência e na jogatina cooperativa. O estúdio repetiu o movimento com Avowed, que é um RPG de ação “light”, acessível e centrado no combate, diferente do estilo ao qual estava acostumado.
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Um ano após seu lançamento no Xbox e PC, Avowed chega ao PlayStation 5 já otimizado para o modelo Pro e acompanhado de uma atualização comemorativa de aniversário, uma forma de agradecer à comunidade com novos conteúdos e melhorias substanciais de qualidade de vida. E não só isso: um ano foi tempo mais que suficiente para que a Obsidian polisse todas as arestas de performance. Sim, 365 dias fizeram de Avowed um jogo “pronto”.
Um RPG mais “light” e acessível
Se você não pôde jogar Avowed há um ano, saiba que não há momento melhor para conhecê-lo. Você, a essa altura do campeonato, já deve saber que o título não é um marco para a indústria de videogames, tampouco entra para o portfólio de melhores trabalhos da Obsidian, incluindo Fallout: New Vegas e os dois Pillars of Eternity.
Mesmo assim, existe um vínculo passional nítido entre os desenvolvedores e o projeto, um carinho que se revela por meio dos inúmeros fragmentos de história espalhados pelos vastos ambientes. A Obsidian estava inspirada e empenhada em criar a mitologia da região de Eora, e fica evidente o esforço de tentar conceber um game com um mundo mais “artesanal”.
Situada no mesmo universo de Pillars of Eternity, a jornada gira em torno da Praga dos Sonhos, uma misteriosa contaminação fúngica que assolou as Terras Férteis e vem corrompendo reinos, além da fauna e da flora. Como porta-voz do imperador Aedyr, você, com um personagem criado do zero, foi incumbido de investigar a causa da epidemia de fungos e, quem sabe, pôr fim à corrupção.
Embora traga uma premissa digna de RPGs de prestígio, a trama tem problemas de ritmo e recorre a clichês que já deveriam ter sido extintos de jogos do tipo. Para um game que se propõe e oferecer tantas opções nos diálogos, as consequências são ínfimas e parecem existir somente para render lore, sem criar vínculos significativos com os personagens. Ainda assim, há interações bem envolventes de acompanhar.
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Mesmo não tendo um mundo aberto propriamente dito, os mapas têm boa escala territorial e são sempre divertidos de explorar, seja pelas recompensas, seja pelo estímulo visual. As Terras Férteis, contudo, não foram contaminadas apenas pela Praga, mas também pelo velho mal de muitos MMOs: missões secundárias que se resumem a levar e trazer itens, sem despertar interesse, servindo só como pretexto para passear e apreciar a belíssima direção de arte.
Combate surpreendentemente polido para um RPG ocidental
É no combate que Avowed consegue sustentar sua jornada de mais de 40 horas por pântanos, florestas, costas litorâneas e ruínas. Curiosamente, essa área nunca foi a especialidade da Obsidian, mas o estúdio soube evoluir e aprimorar a fórmula em primeira pessoa à la The Elder Scrolls V: Skyrim. No início, pode até parecer que as mecânicas são rasas, mas logo mostram a que veio à medida que você encontra novos equipamentos.
Mesclar o uso de feitiços elementais, lançados por varinhas e tomos mágicos, com golpes corpo a corpo de armas pesadas, dos machados às espadas, é uma delícia. Há uma complexidade (e um grau de polimento atípico, bem acima da média, vale destacar) que não se vê todos os dias nos RPGs ocidentais.
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O dano elemental, inclusive, é essencial à exploração, visto que permite manipular o ambiente para alcançar áreas até então inacessíveis. Magias de fogo, por exemplo, são capazes de derreter raízes de árvores, enquanto os poderes de gelo solidificam lagos e rios para que o personagem alcance estruturas verticais e baús escondidos.
Se não fosse pela repetição excessiva de inimigos com padrões de ataque semelhantes entre si, o combate de Avowed poderia facilmente entrar para a lista dos mais engajantes entre os RPGs ao estilo Bethesda. Apesar dos pequenos deslizes, o senso de aventura épica fala mais alto quando o combate entra em cena, respaldado por um sistema simplificado, porém competente de progressão.
Soprem as velas
Para quem já jogou, há argumentos de sobra para revisitar a ilha de Eora. As adições do New Game +, do Modo Foto e de novas classes, como Anões, Aumauas e Orlans, são estímulos para quem quer ter um gostinho de coisa nova. O Espelho Mágico, por sua vez, possibilita mudar a aparência do personagem a partir do acampamento, um recurso útil para quem curte apreciar o look do boneco na visão em terceira pessoa.
Outro atrativo é que agora podemos calibrar a intensidade do desafio em elementos específicos, como combate, exploração e quebra-cabeças, tornando o seletor de dificuldade menos relevante. Essa flexibilidade injeta um novo nível de acessibilidade e permite que o jogador molde sua jogatina à vontade, seja para dificultá-la ou suavizá-la, sem que soe tão artificial.
Quanto ao desempenho, a versão de PlayStation 5 é praticamente idêntica à experiência do Xbox Series X. Os três modos originais foram preservados e portados ao console da Sony: Qualidade, com foco na resolução; Balanceado, um ponto de equilíbrio entre taxa de quadros e fidelidade visual; e, por fim, Desempenho, cuja descrição é autoexplicativa.
Ainda que o título esteja bem otimizado, admito que fiquei decepcionado com os ajustes ao PS5 Pro. Minhas expectativas estavam altas após a Microsoft oficializar melhorias ao Pro, mas, na prática, não é bem assim que a banda toca. Sem suporte ao PSSR, a tecnologia de upscaling da Sony, e sem usufruir do ray tracing, o que sobrou ao console mais parrudo foi só uma estabilidade irrisória de quadros por segundo.
Vale a pena?
Fica fácil de recomendar Avowed pelo que ele se tornou em exatos 365 dias: um RPG de ação polido como poucos, dedicado sobretudo ao combate e à exploração e com uma premissa que fisga, embora algumas de suas ideias mais ambiciosas não funcionem. Existem problemas? Vários. Mas ninguém disse que um jogo precisa ser perfeito para prender o jogador como Avowed consegue.
Nota: 80
Pontos positivos (Prós):
- Combate engajante, que incentiva experimentação;
- Senso de aventura durante a exploração;
- Rico em lore, com um mundo mais “artesanal”;
- Premissa intrigante, apesar dos clichês;
- Bem otimizado nos consoles e com textos em português.
Pontos negativos (Contras):
- As escolhas nos diálogos não têm consequências realmente impactantes;
- História com problemas de ritmo e conversas prolixas;
- Missões secundárias desinteressantes.
Uma cópia de Avowed foi gentilmente cedida pela Microsoft para o propósito de análise no PS5 Pro. O jogo também está disponível para Xbox Series S|X e PC.

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