
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, no domingo (22), que enviou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informações sobre Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, quem classificou como “o maior devedor do país”. Atualmente, o empresário mora em Miami, na Flórida.
Lula também destacou que no encontro com Trump, que está previsto para acontecer agora em março, insistirá em uma cooperação entre ambos os países contra o crime organizado “para colocar magnatas da corrupção na cadeia”.
Segundo ele, essa é uma de suas prioridades na política externa, tanto que tem levado em todas as suas viagens internacionais o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
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A declaração de Lula foi feita na entrevista coletiva que encerrou sua visita de quatro dias à Índia, que contou com a presença de Rodrigues como parte da comitiva oficial. Em dezembro, o presidente já havia mencionado em telefonema a Trump que as autoridades americanas mandem ao Brasil “chefes do crime” que estão refugiados nos EUA.
Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, nós estaremos dispostos, na linha de frente, a acabar de uma vez por todas. Inclusive, reivindicamos a eles que mandem para nós os bandidos que estão lá. Brasileiros que cometem crimes, gente que contrabandeava a gasolina. Mandem para a gente poder mostrar que quer combater o crime organizado, com muita seriedade”. disse Lula. “Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar.”
Quem é Ricardo Magro
Ricardo Magro, 51 anos, é advogado e o empresário a frente do Grupo Refit. Ele é um dos alvos centrais na megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) que investiga fraudes no setor de combustíveis.
Magro é oficialmente dono da Refit, empresa responsável pela antiga refinaria de manguinhos desde 2008. A empresa, atualmente em recuperação judicial, acumula dívidas bilionárias em vários estados e levou o empresário a diversas investigações.
Segundo a Receita Federal, a refinaria não recolhe tributos há anos, além de ter declarado falsamente importações de combustíveis e utilizar sua recuperação judicial para encobrir financiadores e manter atividades deficitárias.
Em agosto, Magro foi citado na Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no segmento de combustíveis e no mercado financeiro por meio de fintechs. À época, a companhia não chegou a ser alvo de busca e apreensão.
Em dezembro do ano passado, o empresário foi um dos envolvidos em outra investigação da Polícia Civil de São Paulo. A suspeita é de que ele teria utilizado 188 empresas distintas para cometer crimes fiscais e lavar dinheiro.
A extensa lista de investimentos de Ricardo Magro não se limita ao setor de combustíveis. Em 2016 ele foi preso por fraude em investimentos dos fundos de pensão. Neste caso, os desvios chegaram a somar R$ 90 milhões dos fundos Petros e Postalis. Ele também foi citado na lista de brasileiros com offshores em paraísos fiscais no caso Panama Papers.
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