
O recuo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas mais recentes não passou despercebido no Planalto. O levantamento da AtlasIntel mostrou encurtamento relevante na diferença para o senador Flávio Bolsonaro (PL), com empate numérico no segundo turno.
Nessa sexta-feira (27), o Instituto Paraná Pesquisas trouxe uma inversão no cenário de um eventual segundo turno. Flávio Bolsonaro surge numericamente à frente de Lula pela primeira vez: 44,4% contra 43,8%. A diferença está dentro da margem de erro, mas indica mudança no padrão observado em levantamentos anteriores.
No programa Mapa de Risco desta sexta, o cientista político Cristiano Noronha avaliou que o momento exige reação rápida. “O governo tem que entender o porquê que ele está perdendo isso. E precisa tentar reverter”, afirmou.
Para ele, o desgaste não decorre de um único fator, mas de uma combinação de eventos recentes.
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Banco Master e ruído com evangélicos
Noronha citou como possível vetor de desgaste o caso envolvendo o Banco Master. “Essa perda, ela foi causada pelo problema simultâneo, talvez, pelo problema do Banco Master, então o governo tem que buscar as explicações e tentar, de alguma forma, rebater isso”, disse.
Outro ponto mencionado foi o impacto político do desfile de escola de samba que gerou reação negativa em segmentos evangélicos. “Tem o impacto do desfile já da escola de samba com os evangélicos, então o governo tem que ter uma agenda com os evangélicos, porque se o governo não faz isso desde já, ele pode perder mais. Pode continuar perdendo”, afirmou.
Segundo ele, a resposta precisa ser tanto explicativa quanto propositiva. “Ele tem que fazer esse movimento, procurar entender o porquê que ele está perdendo, mas também o governo tem que buscar algumas ações que ele possa fazer para ganhar, recuperar”, disse.
Segurança como tentativa de narrativa
Dentro dessa estratégia, Noronha vê a agenda de segurança pública como tentativa de reação. “Eu entendo que o governo está tentando fazer isso, por isso que o governo está, por exemplo, insistindo na questão da PEC do PL Antifacção, agora tem um cronograma para a PEC da Segurança Pública”, afirmou.
Ele lembrou que a própria Atlas apontou criminalidade, corrupção e o caso Banco Master entre os principais problemas citados pelos eleitores. “Então o PL Antifacção está aí para o governo tentar, pelo menos, criar uma narrativa”, disse.
Não é só Lula: é também Flávio
Noronha ponderou que o movimento nas pesquisas não decorre apenas de desgaste do governo. “O momento ruim que o governo está passando, ele coincide com a escolha que o Flávio (…) ele se expôs mais, as pessoas estão tomando conhecimento disso e ele está crescendo”, afirmou. 
Na avaliação dele, o senador passou a ser percebido como o herdeiro natural do bolsonarismo. “O Flávio também está sendo percebido como a real opção para substituir o Jair Bolsonaro na disputa e, naturalmente, ele cresce”, disse. 
O resultado é o fechamento das curvas nas pesquisas. “E aí você tem essas curvas se aproximando e fechando para o lado favorável do Flávio”, resumiu. 
Com mais de um ano até a eleição, o cenário ainda é fluido. Mas o diagnóstico apresentado no programa indica que o recuo de Lula exige ajuste estratégico imediato, sob risco de consolidar uma tendência desfavorável ao projeto de reeleição.
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