
O longevo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, enfrentou uma infinidade de momentos críticos à frente da República Islâmica. Após passar pelo conflito aberto com Israel, se vê diante de mais uma ameaça: os novos ataques coordenados pelos Estados Unidos, anunciados por Donald Trump neste sábado (28).
Khamenei sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini em 1989 e, desde então, enfrentou sanções, tensões internacionais e protestos reprimidos com sangue, os últimos ocorridos em 2022-2023, contra a política de obrigar mulheres a usarem véu. Dada sua avançada idade, 86 anos, a questão da sucessão já está presente há algum tempo na cena política iraniana.
“Khamenei está no ocaso de seu reinado, com 86 anos, e boa parte do comando diário do regime já não está em suas mãos, mas sim nas de uma série de facções à espera do que acontecerá no futuro”, explica Arash Azizi, da Universidade de Boston. “Esse processo já estava em curso, e a atual guerra não faz nada além de acelerá-lo.”
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Segundo um funcionário americano, o presidente Donald Trump vetou no ano passado um plano israelense para assassinar Khamenei. Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nunca descartou a opção. Certa vez, disse que a morte de Khamenei levaria “ao fim do conflito”.
“Ele é como um Hitler moderno. Ele não vai parar, mas vamos garantir que ele não tenha meios para executar suas ameaças”, disse o premier israelense à ABC News. “Guerra eterna” é o que o Irã quer, e eles estão nos levando à beira de uma guerra nuclear.
Khamenei, um veterano da guerra contra o Iraque (1980-1988), não viaja ao exterior desde que assumiu o cargo há 36 anos e, em 1981, sobreviveu a uma tentativa de assassinato que deixou seu braço direito paralisado. Qualquer um de seus movimentos está envolto em sigilo e um importante dispositivo de segurança.
Karim Sadjadpour, associado do Fundo Carnegie para a Paz Internacional comenta que Khamenei parece ter se autoinfligido um dilema difícil. E acredita que ele carece da “acuidade física e cognitiva necessária para conduzir o Irã em uma guerra com alto componente tecnológico”.
“Uma resposta fraca a Israel diminuiria ainda mais sua autoridade. E uma resposta forte poderia colocar em risco sua sobrevivência e a de seu regime”, acrescenta, em referência ao último conflito aberto entre as duas nações.
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Mudança de roteiro
Durante décadas, Khamenei conseguiu manter o país a salvo de conflitos diretos, enquanto seu regime patrocinou os inimigos de Israel— o Hamas palestino, o Hezbollah libanês, os houthis do Iêmen — e o regime sírio da família Assad, derrubado em dezembro passado por uma coalizão de grupos islamistas. Mas com os parceiros do Irã enfraquecidos por Israel desde que começou a guerra em Gaza em outubro de 2023 e os atuais ataques israelenses, essa situação mudou completamente.
“Desde que assumiu a liderança suprema em 1989, orgulha-se de ter afastado os conflitos das fronteiras do Irã”, comenta Jason Brodsky, da organização United Against Nuclear Iran (“Unidos Contra um Irã Nuclear”, UANI), com sede nos Estados Unidos. “Desta forma, Khamenei cometeu um grande erro de cálculo.”
O que está acontecendo neste momento “está ocorrendo em uma velocidade que ameaça superar a capacidade de Teerã”, enfatiza.
Israel, que tem armas nucleares, mas jamais confirmou ou negou sua existência, lançou em 13 de junho uma campanha militar sem precedentes contra o Irã, matando o líder da Guarda Revolucionária, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e vários cientistas nucleares, além de atingir instalações de seu programa atômico e locais militares. Tudo isso com o objetivo de impedir que o Irã obtenha a bomba atômica, uma meta que a República Islâmica nega estar perseguindo.
A ofensiva surpreendeu a liderança do país após anos de dificuldades econômicas devido às sanções internacionais impostas em decorrência do programa nuclear.
“Muitos iranianos querem que a República Islâmica termine. Mas a maioria não quer que isso seja alcançado às custas de sangue e guerra”, explica Holly Dagres, associada sênior do centro de estudos Washington Institute.
A oposição iraniana está muito dividida, dentro e fora do país. Reza Pahlavi, filho do último xá, deposto pela Revolução Islâmica em 1979, e uma destacada figura opositora no exílio, encorajou os iranianos: “mantenham-se fortes e venceremos”. A situação se agravou após a recente onda de protestos contra o governo.
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