
O principal responsável por contraterrorismo dos Estados Unidos, que recebeu duas vezes o apoio do presidente Donald Trump em candidaturas fracassadas ao Congresso, anunciou que está pedindo demissão em protesto contra a guerra com o Irã, alegando que Israel arrastou os EUA para o conflito.
Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, disse que Trump foi enganado por altas autoridades israelenses e pela mídia americana a acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente.
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“Eu não posso, em sã consciência, apoiar a atual guerra no Irã”, escreveu Kent em uma carta que publicou no X. “O Irã não representava nenhuma ameaça iminente ao nosso país, e está claro que começamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos.”
A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
A saída de Kent expõe profundas divisões entre os apoiadores republicanos de Trump em relação à guerra com o Irã, que já entra na terceira semana. Ex-integrante das Forças Especiais (Green Beret), Kent recebeu o apoio de Trump em suas candidaturas fracassadas ao Congresso em 2022 e 2024, e defendia algumas das teses mais controversas do ex-presidente.
Kent já descreveu os objetivos do presidente russo, Vladimir Putin, na guerra na Ucrânia como “muito razoáveis” e repetiu a falsa alegação de Trump de que a eleição de 2020 foi roubada e de que o FBI teve participação no ataque de 6 de janeiro ao Capitólio.
O argumento de Kent para deixar o cargo — compartilhado por muitos na direita, mas negado por Trump — é o de que Israel empurrou os EUA para a guerra contra o Irã. O secretário de Estado Marco Rubio provocou forte reação entre apoiadores de Trump no início do mês ao sugerir que a decisão de Israel de atacar o Irã havia forçado os Estados Unidos a agir.
Rubio depois recuou, e Trump negou que esse tenha sido o motivo da ação americana.
“Pelo jeito que as negociações estavam caminhando, acho que eles atacariam primeiro”, disse Trump, ao ser questionado se Israel havia forçado sua mão em relação ao Irã. “Eu não queria que isso acontecesse. Então, se alguma coisa, talvez eu tenha forçado a mão de Israel.”
Esse argumento não convenceu Kent, cuja mulher, Shannon, foi morta em um atentado suicida na Síria em 2019. Na carta, ele afirmou que Israel colocou em prática “uma campanha de desinformação que minou completamente sua plataforma ‘America First’ e atiçou sentimentos pró-guerra para incentivar o confronto com o Irã”.
“Rezo para que o senhor reflita sobre o que estamos fazendo no Irã — e para quem estamos fazendo isso”, escreveu Kent.
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