
A pacata rotina militar na ilha Diego Garcia, operada em conjunto pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, foi abalada quando o regime iraniano tentou atacar a instalação. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Teerã lançou dois mísseis balísticos de alcance intermédio em direção à base na noite desta sexta-feira (20).
No entanto, o ataque, falhou. Um dos mísseis falhou em voo, enquanto um navio de guerra americano disparou um interceptor SM-3 contra o outro, embora não tenha sido possível determinar se a interceptação foi bem-sucedida, segundo o The Wall Street Journal.
Apesar de o ataque não ter causado danos, o incidente fez soar os alarmes no Ocidente. Diego Garcia encontra-se a cerca de 3.780 quilômetros de distância do território iraniano. Até então, as estimativas ocidentais apontavam que o arsenal de mísseis balísticos do Irã estava limitado a um alcance máximo de 2.000 quilómetros. A tentativa de alvejar a ilha evidencia uma preocupante ampliação da capacidade militar de Teerã e reforça a tensão diplomática entre o Irã, EUA e o Reino Unido.
Fortaleza no Índico
Diego Garcia é importante para o Pentágono. A ilha é uma plataforma crucial para projetar o poderio norte-americano no Oriente Médio e na Ásia. Sua infraestrutura impressiona pela dimensão: a base possui uma pista de pouso de 3,6 quilómetros de comprimento, capaz de receber os bombardeiros estratégicos B-52.
A ilha tem cerca de 20 navios ancorados de forma permanente. As embarcações funcionam como armazéns flutuantes, com tanques de guerra, veículos blindados, munições e até hospitais de campanha móveis.
A instalação abriga um reservatório de combustível com capacidade para 213 mil metros cúbicos e dezenas de poços de água doce.
A ilha não é apenas um ponto de apoio bélico, ela hospeda uma das quatro estações terrestres essenciais a nível mundial para o funcionamento do Sistema de Posicionamento Global (GPS).
Foi a partir desta base que os militares norte-americanos lançaram operações decisivas para o Afeganistão e para o Iraque.
Até a década de 1960, Diego Garcia era habitada pelo povo chagossiano. Entre 1967 e 1973, o governo britânico expulsou toda a população nativa. Os habitantes foram forçados a embarcar em navios de carga e levados a outros territórios, como Ilhas Maurício e Seychelles, onde muitos acabaram a viver em condições de pobreza extrema.
Relatos históricos dão conta de que até os animais de estimação da ilha foram exterminados para evitar que as pessoas tivessem motivos para regressar. Os chagossianos continuam uma longa batalha nos tribunais internacionais, lutando pelo direito de regressar ao território que lhes foi tomado.
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