A Polícia Federal apontou indícios de ligação entre empresários investigados por fraudes bancárias milionárias e uma rede criminosa ligada ao Comando Vermelho. A informação faz parte das investigações da Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25) na região de Campinas e em cidades dos estados do Rio de Janeiro e Bahia – entenda mais sobre a operação abaixo.
A operação conta com o apoio da PM (Polícia Militar) do Estado de São Paulo.
O principal alvo do esquema é Thiago Branco de Azevedo, de Americana, que ainda está foragido. De acordo com a Polícia Federal, ele mantinha uma vida de luxo com o dinheiro obtido nas fraudes.
Segundo a Polícia Federal, parte dos valores movimentados no esquema de fraudes e lavagem de dinheiro pode ter origem em células criminosas vinculadas à facção. As fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões.
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Prisões e mandados
A operação cumpre 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Até o momento, 14 pessoas foram presas e sete são consideradas foragidas. Três dos presos foram levados para a delegacia da Polícia Federal em Piracicaba.
Na região, houve mandados em Americana, Limeira, Rio Claro, Santa Bárbara d’Oeste, Itapira e Campinas.
Entre os presos estão gerentes de bancos, contadores e “laranjas”, pessoas que emprestavam o nome para a criação de empresas de fachada utilizadas no esquema de fraude bancária.
Como funcionava o esquema?
A investigação começou em 2024, quando a Polícia Federal identificou indícios de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro.

A organização criminosa atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da criação de empresas de fachada para obtenção fraudulenta de crédito bancário.
O esquema funcionava com:
- cooptação de pessoas para ceder dados pessoais;
- criação de empresas fictícias com aparência de regularidade;
- elaboração de documentação contábil fraudulenta;
- simulação de faturamento para demonstrar capacidade financeira;
- uso de certificados digitais para movimentações bancárias;
- participação de gerentes bancários que forneciam informações privilegiadas e inseriam dados falsos nos sistemas.
O modelo operacional previa o uso das empresas por cerca de um ano a um ano e meio. No início, as empresas pagavam as obrigações normalmente para criar histórico bancário e depois deixavam de pagar os empréstimos, causando prejuízo às instituições financeiras.
Há indícios de prejuízos milionários a bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Brasil e Banco Safra.
Papel do grupo Fictor
As investigações apontam que o grupo Fictor teve papel importante na estrutura financeira do esquema. Entre os alvos de busca e apreensão estão diretores e funcionários ligados ao banco Fictor.
Dos 43 mandados de busca e apreensão que foram cumpridos na manhã de hoje, quatro envolvem diretores e funcionários do Banco Fictor – o grupo Fictor iria comprar o banco Master de Vorcaro em novembro de 2025. Entre eles estão Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do grupo, e o ex-sócio, Luiz Rubini.
O grupo teria atuado na sustentação financeira e operacional do esquema, realizando pagamentos cruzados entre empresas para simular movimentação financeira e gerar artificialmente faturamento e histórico bancário.
Essa movimentação criava uma aparência de empresas saudáveis financeiramente, o que facilitava a obtenção de crédito bancário.
Lavagem de dinheiro
Depois de obter os valores por meio das fraudes bancárias, o dinheiro era movimentado entre empresas do grupo, utilizado na compra de bens de luxo e convertido em criptoativos para dificultar o rastreamento.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
Também foi autorizada a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 empresas investigadas.
Durante a operação, diversos celulares, computadores, pen drives, documentos e máquinas de cartão foram apreendidos. Todo o material passará por análise para identificar outros envolvidos e detalhar o papel de cada integrante no esquema criminoso.


Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
*Com informações da EPTV Campinas
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