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Startups: Para o SoftBank, o momento, no Brasil, é de observar, acompanhar e esperar

por SampaNews 26 de março de 2026
26 de março de 2026
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último aporte feito pelo SoftBank em uma startup brasileira foi em outubro de 2024, quando o fundo de Masayoshi Son entrou na megarodada de R$ 820 milhões da fintech catarinense Asaas. Desde então, em meio a um reposicionamento estratégico global para focar em IA, a gestora passou 2025 sem novas rodadas por aqui. Entretanto, segundo Alex Szapiro, head do SoftBank no Brasil, o fundo segue ativo, mas está na espera do momento ideal para fazer novos deals.

“Eu acho que a gente está vivendo um período de ‘entressafra’. A gente conversa com muitas empresas, mas a gente precisa esperar essas empresas atingirem um nível de crescimento e tamanho que justifique o nosso investimento”, explica o investidor, em conversa com o Startups no South Summit.

Quanto às oportunidades, Alex admite que uma nova onda de bons negócios impulsionados por IA deve surgir em breve. “Tem negócios que a gente observa bem de perto. Nosso papel é estar próximo, acompanhar esse desenvolvimento e tentar entender antes dos outros quando a empresa chega nesse ponto, para eventualmente liderar uma rodada”, pontua.

Apesar do fundo não ter entrado em novas rodadas, Alex afirma que a gestora segue ocupada no Brasil, acompanhando um portfólio de mais 70 empresas, grande parte delas já há tempos na “sala de espera” de um IPO, como MadeiraMadeira, Wellhub, Creditas, entre outras. Entretanto, segundo Alex, a pressão pelos grande exits é bem menor do que há sete, oito anos atrás.

“Hoje não dependemos de capital externo”, explica Alex, fazendo menção ao fato que atualmente o SoftBank não opera com fundos dedicados à América Latina, e sim com o dinheiro vindo diretamente da operação global. “Isso dá uma flexibilidade grande para esperar o momento certo e não correr o risco de vender no timing errado”, explica o executivo.

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Para saber mais sobre como o SoftBank tem reescrito a sua tese de investimentos no Brasil e América Latina, confira a conversa do Startups com Alex Szapiro.

Startups — Para começar, como vai ser essa agenda do SoftBank durante o South Summit? O SoftBank está olhando com mais atenção para negócios fora do eixo Rio-São Paulo?

Alex Szapiro — Parte do nosso papel é alocar capital, ou seja, investir e achar pessoas que estão desenvolvendo as empresas do amanhã. Isso passa por talento, por capacidade, por criar algo que seja difícil de copiar. O meu trabalho é basicamente encontrar onde está esse potencial. É aí que lugares como o Instituto Caldeira, são incríveis, porque alinham muito bem isso. A gente está falando de um polo de descoberta de talento. É sempre um prazer estar aqui, conversar com as pessoas, entender os negócios e, eventualmente, isso pode virar alguma oportunidade de investimento no futuro. É muito disso: entender o ecossistema, estar próximo e, ao mesmo tempo, buscar oportunidades.

Mas a gente não acorda e vai dormir pensando onde a empresa está, se é Porto Alegre, Ceará ou Peru. Isso não é o principal critério. Claro que existe uma concentração maior no Brasil e no México, porque são mercados com muito capital humano e oportunidades em escala. Mas dentro do Brasil, a lógica é a mesma: a gente é agnóstico em relação à localização.

Startups — Sobre a tese global do SoftBank, que ultimamente tem se voltado de forma agressiva a investimentos em IA, como esse posicionamento se traduz para o Brasil?

Alex Szapiro — Quando você olha globalmente, a gente tem alguns pilares bem claros: modelos de linguagem, robótica, data centers, chips, como a ARM, e também projetos como o Stargate. São investimentos de bilhões de dólares.

Quando olhamos o que o SoftBank está fazendo globalmente, eu diria que existem quatro ou cinco grandes pilares. A gente está investindo muito em modelos de linguagem (LLM) como o caso da OpenAI, onde o SoftBank colocou US$ 30 bilhões inicialmente e mais US$ 30 bilhões recentemente. Tem também robótica, onde a gente vem investindo bastante. Um exemplo foi a ABB Robotics, com um investimento de US$ 6 bilhões. Depois data centers, com aquisições como a DigitalBridge, além de outros investimentos. Também tem a parte de semicondutores, chips, onde a ARM é um ativo importante. Por fim, tem projetos como o Stargate, que envolvem infraestrutura junto com empresas como Oracle, Microsoft e OpenAI.

São investimentos gigantescos. Quando a gente olha para a América Latina, a pergunta é: o que faz sentido aqui? Investir nessa camada mais profunda de AI é mais difícil, e por isso olhamos principalmente para a camada de aplicação. Por exemplo, nossos últimos investimentos, no Asaas e na Blip, já são em empresas que estão agregando dados e IA para transformar esses dados em algo relevante e difícil de replicar.

O diferencial está justamente na capacidade dos negócios acessarem esses dados e treinar modelos com base neles. Isso cria uma vantagem competitiva muito forte.

Startups — Como você avaliam o grau de maturidade das startups brasileiras neste momento? Estão surgindo negócios com potencial de receber investimentos no estágio em que o SoftBank atua?

A gente é um investidor de growth stage. Isso significa que nossos cheques começam em US$ 30 milhões, US$ 40 milhões. Então é muito raro a gente investir em uma empresa pequena, que está começando agora. Até porque, se a gente fizer isso, a gente acaba tendo controle da empresa ou pagando um valuation que não faz sentido para o estágio dela.

O lado positivo é que o Brasil tem um ecossistema muito bom de venture capital para fases iniciais, com players muito fortes. Agora, sobre o momento atual: eu acho que a gente está vivendo um período de “entressafra”. A gente conversa com muitas empresas, muitas mesmo. Na média, a gente fala com 100 empresas, entre olhar, entender o plano, se aprofundar. Mas a gente precisa esperar essas empresas atingirem um nível de crescimento e tamanho que justifique o nosso investimento.

Nossos últimos investimentos novos foram há cerca de um ano e meio. Então estamos num momento muito mais de observar, acompanhar e esperar esse crescimento acontecer.

Startups — Mas você vê uma nova onda vindo aí, especialmente com AI, que pode gerar futuras investidas?

Alex Szapiro — Eu acho que sim. Quando a gente vê empresas que nos deixam animados, que a gente enxerga muito potencial, a gente começa a acompanhar de perto. A gente cria checkpoints com essas empresas, às vezes trimestrais, às vezes semestrais. Porque algumas delas podem crescer muito rápido. Tem empresa que cresce 100% por trimestre, dependendo de quando encontra o product-market fit.

De repente, a empresa acha o sweet spot, e aí vem uma aceleração muito forte de crescimento, vendas, contratação. Então o nosso papel é estar próximo, acompanhar esse desenvolvimento e tentar entender antes dos outros quando a empresa chega nesse ponto, para eventualmente liderar uma rodada. Hoje, dessas cerca de 100 empresas com quem a gente fala, tem umas 20, 25 que a gente acompanha bem de perto.

Startups — E mesmo sem novos anúncios recentes, como está o fluxo de investimentos no Brasil? Está mais em observação ou existem negociações em andamento?

Alex Szapiro — Mesmo sem anunciar novos investimentos, a gente tem um portfólio de mais de 70 empresas e cerca de 8 bilhões de dólares investidos na América Latina, grande parte no Brasil. Então a gente continua muito ativo. A gente trabalha com essas empresas, faz follow-ons, participa de rodadas internas. Às vezes a empresa quer fazer M&A, então a gente ajuda a estruturar capital para isso.

Muitas empresas do nosso portfólio hoje já são self-fundeded, geram caixa, têm EBITDA positivo, e algumas estão se preparando para IPO. Além disso, tem bastante movimento de mercado secundário. Outros fundos querem entrar nessas empresas, comprar participação. E aí, às vezes, a gente reduz um pouco a posição, de 20% para 18%, por exemplo, traz liquidez, mas continua sendo um investidor relevante. Então a estratégia é múltipla: tem gestão ativa do portfólio e, ao mesmo tempo, olhar para novas oportunidades.

Startups — E olhando para saídas, como IPOs, como vocês enxergam esse momento?

Alex Szapiro — Primeiro, a gente não precisa vender empresa para investir de novo. O capital já existe. Então não tem essa lógica de “preciso sair para reinvestir”. Segundo ponto: o SoftBank é diferente porque não depende de capital externo. O dinheiro vem do próprio SoftBank e do fundador. Isso significa que a gente não tem a mesma pressão de vender rápido ou provar retorno para captar um novo fundo.

Isso dá uma flexibilidade grande para esperar o momento certo e não correr o risco de vender no timing errado. Mas, claro, saída depende de vários fatores: a empresa estar pronta, com boas métricas, crescimento, geração de caixa, e o mercado estar aberto. Quando isso acontece, as saídas vêm, seja por IPO, seja por venda estratégica.

Conteúdo produzido por Startups.

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