
Ao pressionar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para disputar uma cadeira ao Senado em São Paulo, o presidente Lula se mostrou otimista em conseguir emplacar duas vagas na Casa.
O histórico, porém, mostra que o PT só elegeu dois senadores aliados no estado em eleições alternadas, nunca de uma única vez, mesmo quando Lula registrava níveis elevados de popularidade nas pesquisas em seus dois primeiros mandatos, diferentemente de agora.
A aposta para tentar eleger a chapa completa passa por uma composição mais centrista, na qual a ministra do Planejamento, Simone Tebet, é o primeiro nome confirmado. Ela votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e concorreu contra o petista na eleição passada, mas o apoiou no segundo turno.
A ex-senadora de Mato Grosso do Sul migrou do MDB, sigla aliada do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, para o PSB, na sexta-feira.
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— Eles não têm senador para disputar conosco, eles vão inventar nomes. E nós já tivemos dois senadores em São Paulo, podemos voltar a ter. Não sei se Geraldo (Alckmin) vai ser candidato em São Paulo, a vaga de vice está aberta para ele. Sei que a Simone Tebet vai ser uma das candidatas. Nós temos que construir agora o time para ganhar o jogo, não será uma disputa fácil — disse Lula no evento de anúncio da pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado.
Os eleitores depositam dois votos para senador este ano nas urnas, situação que ocorre a cada oito anos — ou seja, a cada duas eleições. Mesmo com o dobro de cadeiras em jogo e apesar de contar com a máquina federal, os governistas não terão tarefa fácil para confirmar em outubro o otimismo de Lula em São Paulo.
Intenção de voto
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no início do mês, 64% dos paulistanos aprovam a administração Tarcísio. Na mesma pesquisa, o governador tem 44% das intenções de voto, contra 31% de Haddad para seguir no Palácio dos Bandeirantes, e iguala a soma dos demais pré-candidatos.
Tarcísio costurou aliança ampla por sua reeleição. O deputado federal bolsonarista Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública, deve concorrer ao Senado. A segunda vaga segue indefinida, mas tende a ficar com o PL, sob influência do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (RJ) e de seu irmão, o ex-deputado Eduardo.
No lulismo, também não há consenso sobre a segunda vaga, muito menos se ela ficará com o PT. Alckmin, que segundo aliados quer permanecer na vice, e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, outro cotado após ser preterido na disputa ao governo do estado, compõem com Lula pelo PSB.
A alternativa mais viável hoje para representar o partido seria a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que perdeu o controle político da Rede e ainda avalia uma troca de legenda. Líderes petistas, contudo, dizem que o movimento esfriou e que há chance maior de ela continuar onde está.
Marina tem histórico político à esquerda, passou mais de 20 anos no PT, mas disputou a eleição presidencial de 2014 contra Dilma Rousseff, momento em que foi fustigada pelos adversários governistas que a acusaram de defender posições liberais na economia.
Integrantes do governo Lula tratam publicamente do viés de centro da chapa em São Paulo. Em entrevista na semana passada ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), responsável pela interlocução com os movimentos sociais, disse que considera a composição com Tebet um gesto nesse sentido. Ele comentava sobre a possibilidade de Haddad ter um candidato a vice oriundo do agronegócio.
— Acho que já tem na chapa do Haddad um gesto ao centro. A Simone Tebet é de esquerda? Não, ela é uma figura de centro, estava no MDB até agora. Acredito que exista essa preocupação. Haddad deve estar pensando ali, milimetricamente, o que é melhor para a campanha, porque nós sabemos que o interior de São Paulo tem um forte conservadorismo — disse.
Histórico
O PT paulista já abriu mão de apresentar um candidato da sigla ao Senado na eleição passada, quando decidiu apoiar Márcio França, ex-governador. França liderou as pesquisas durante praticamente toda a corrida eleitoral, mas perdeu nas para o astronauta Marcos Pontes (PL), ex-ministro da Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro. Em 2018, desgastados pela Operação Lava-Jato, os petistas investiram em uma dupla puro-sangue, Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto, que receberam juntos pouco mais de 15% dos votos. Foram eleitos o bolsonarista Major Olímpio e Mara Gabrilli, então no PSDB.
— Acredito que esta gerência para o centro é consequência da própria política que elegeu o presidente Lula em 2022, representada pelo Alckmin — avaliou o ex-ministro petista José Dirceu.
Hoje deputado estadual, Suplicy foi quem colheu os melhores resultados da história do PT no estado para o Senado. Foi eleito três vezes entre 1990 e 2006, e sempre quando apenas uma cadeira estava em disputa. Em 2002, ganhou a companhia do petista Aloizio Mercadante, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy ocupou o espaço de Mercadante, em 2010.
Lula está, portanto, correto ao dizer que o seu grupo político já teve representação dupla no Senado. O partido teve maioria na bancada paulista por 12 anos, o que coincide com os primeiros mandatos do atual presidente e de Dilma. A partir de 2014, porém, sofreu três derrotas locais consecutivas, primeiro com seus próprios filiados e depois quando compôs com o centro.
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