O lançamento do Jeep Avenger no Brasil está cada vez mais próximo. A fábrica da Stellantis instalada em Porto Real (RJ) iniciou a montagem das primeiras unidades de teste do SUV compacto, etapa técnica fundamental para os ajustes finais de maquinário. O processo, que envolve a programação de mais de 300 robôs e a calibragem do tempo de passagem na linha de montagem, antecede o início da produção em série e o lançamento oficial do veículo, confirmado para ocorrer ainda neste ano.
A introdução do Avenger representa um movimento estratégico para a Jeep, ao colocar um novo SUV compacto em uma faixa de preços mais baixa, enquanto o Renegade brigará em um degrau acima. Para ser competitivo em preço e manutenção, o modelo abandonará as motorizações utilizadas no continente europeu em favor de uma solução desenvolvida localmente. No caso do Brasil, espera-se que o utilitário seja equipado com o conhecido motor 1.0 turbo flex (T200) de origem Fiat, capaz de entregar até 130 cv de potência e 21,4 kgfm de torque máximo.
Assim como o restante da linha da Jeep, o Avenger chegará às lojas eletrificado. O SUV estreará no país dotado de um sistema híbrido leve (MHEV) de 12V. Esse arranjo técnico substitui o alternador e o motor de arranque tradicionais por um pequeno gerador elétrico que, embora não seja capaz de tracionar as rodas de forma totalmente independente, auxilia o motor a combustão nas fases de maior esforço, como saídas e retomadas. Aliada ao câmbio automático do tipo CVT, com simulação de sete marchas, a tecnologia reduz o consumo de combustível e garante vantagens na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O Avenger ainda será o primeiro carro da Jeep produzido no Brasil que não sairá da linha de montagem em Goiana (PE). A escolha de Porto Real, unidade que está completando 25 anos de operação, foi ditada por questões de engenharia e racionalização de custos. O modelo utiliza a plataforma modular Smart Car (derivada da arquitetura CMP), a mesma empregada na atual família de compactos da Citroën, composta por C3, Aircross e Basalt.

Essa sinergia produtiva permite o amplo compartilhamento de componentes. Com a transferência da produção do modelo de entrada para o Rio de Janeiro, a fábrica pernambucana ficará livre para concentrar esforços na próxima geração do Compass e abrirá espaço para a nacionalização dos modelos elétricos e híbridos da marca chinesa Leapmotor.
O posicionamento de mercado do Avenger o colocará como o novo degrau de acesso à marca no Brasil, sem, no entanto, tirar de linha o Renegade. A expectativa é que o novo SUV atue em uma faixa de preço estimada entre R$ 120.000 e R$ 150.000, mirando as versões topo de linha do Fiat Pulse, Honda WR-V, Renault Kardian, Toyota Yaris Cross e Volkswagen Tera.

Com 4,08 metros de comprimento, 1,78 m de largura e 1,53 m de altura, o modelo aposta no aproveitamento inteligente de espaço. O entre-eixos de 2,56 metros promete uma área de cabine superior à de alguns concorrentes diretos, somando-se a um porta-malas com capacidade para 380 litros — volume superior aos 320 litros do irmão Renegade.
A Jeep promete que terá um pacote tecnológico será sofisticado. O Avenger será o primeiro veículo da marca no Brasil a integrar nativamente inteligência artificial por meio do ChatGPT. Além da central multimídia flutuante (que pode variar entre 8,4” e 10,1”) e do ar-condicionado digital, as configurações mais caras oferecerão um pacote avançado de assistência à condução (ADAS), com itens como controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa.
