Se hoje o BYD Dolphin Mini lidera as vendas no varejo, é porque há três anos o Dolphin GS levou as vendas de carros elétricos a patamares nunca antes vistos. Mas a popularidade da versão de 95 cv caiu após o lançamento do Mini e a versão Plus (184 cv) nunca foi popular – os que restam nas lojas foram fabricados em 2024. A BYD garante que eles não saem de linha, mas o lançamento do Dolphin Special Edition por R$ 159.990 acaba com a razão de eles existirem como são hoje.
O “Special Edition” (ou SE) custa R$ 10.000 a mais que o GS (R$ 149.990) e quase R$ 25.000 a menos que o Plus (R$ 184.800), mas tem quase tudo que há de melhor na linha. A distinção no nome pode ser apenas um meio de justificar o design atualizado antes dos demais.
A renovação visual é reconhecida pelos faróis, agora menores e com formato orgânico, pelo para-choque com tomada de ar nas laterais e, na traseira, pelas novas lanternas com base ondulada e pelo para-choque com lentes refletivas na horizontal.
Pode não parecer, mas o Dolphin SE é 15,5 cm mais comprido que o GS, totalizando 4,28 m. É herança da estrutura do Dolphin Plus (que tem 4,29 m), que também empresta a suspensão traseira independente do tipo multilink, substituindo o eixo de torção.
Nem com a frente mais comprida, que favorece a segurança do elétrico e dos pedestres, em caso de acidente, a BYD passou a aproveitar o espaço vazio sob o capô com um compartimento de carga extra. As demais medidas são as mesmas de antes: 1,77 m de largura, 1,57 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos, preservando o bom espaço interno. O porta-malas acomoda 250 litros.

O novo interior coloca as demais versões do BYD Dolphin no passado. Além de o acabamento ser todo preto, deixando para trás as partes em cinza-claro com laranja e bege, está mais funcional. Primeiro, eliminou-se a prateleira no meio do painel. Depois, o seletor de marcha rotativo foi para a coluna de direção, solução bem–vinda. E os botões que ali ficavam desceram para o novo console e têm outra abordagem: os modos de condução foram concentrados em um único seletor e o ajuste do volume do som continua giratório e sem risco de esbarrões. As visualizações de todos eles à noite, porém, continua ruim.
A boa novidade do console é que colocaram uma base de carregamento sem fio (de 50 W), um local para deixar o smartphone em pé sem cair e novos porta-copos, que podem ser usados simultaneamente sem problemas (ao contrário do que acontece nas outras versões).

O volante tem algumas mudanças, como um botão personalizável para cada mão. Pena que a personalização seja limitada entre mudar a fonte do sistema de som, mudar o som e definir a casa do proprietário como destino do navegador.
A central multimídia segue com 12,8 polegadas e perdeu a capacidade de girar – o que não faz a menor diferença no uso –, mas ganhou conexão 5G (a BYD só habilita o 4G, porém), enquanto o quadro de instrumentos digital cresceu de 5 para 8,8 polegadas e tornou-se capaz de mostrar o mapa do Google Maps. Isso porque a multimídia passou a contar com o Sistema Automotivo do Google, permitindo baixar aplicativos. Só não foi possível espelhar mapas do Android Auto, como faz o Atto 8.

Uma diferença também diz respeito ao ar-condicionado, que é automático e tem duas zonas de temperatura no Dolphin SE, enquanto nos demais há uma zona só.
Era tudo mato
Os bancos dianteiros são completamente diferentes. Além de o do motorista ter ajuste elétrico, o encosto de cabeça é separado e a densidade das espumas aumentou, melhorando a sustentação do corpo dos passageiros e, também, o conforto.

Em relação aos equipamentos, o SE traz ADAS de nível 2, com piloto automático adaptativo, alerta de colisão frontal e traseira, alerta de mudança de faixa e de tráfego cruzado, frenagem de emergência, assistência de permanência em faixa, farol alto inteligente e detecção de ponto cego. Ou seja, são os itens de segurança do Dolphin Plus, agora mais acessíveis. O que o Plus tem e o SE não tem é o teto solar panorâmico. O SE, por outro lado, é o primeiro Dolphin com saída de ar-condicionado dedicada para o banco traseiro.
Se tudo era mato quando o BYD Dolphin chegou por aqui, hoje a concorrência se multiplica mês a mês. Além do GWM Ora 03 e do Geely EX2 Max, os GAC Aion UT e MG 4 Urban estão prestes a ser lançados. Os preços podem variar, mas os consumidores são os mesmos.

Com mais tempo de mercado, o que o Dolphin poderia fazer era amadurecer sua oferta e fortalecer seus argumentos. Mais forte, pelo menos, ele ficou: o Dolphin SE usa o mesmo conjunto de motor e bateria do Yuan Pro. Quer dizer que seu motor elétrico tem 177 cv e 29,6 kgfm – um ganho de 82 cv e 11,3 kgfm, praticamente um Dolphin Mini.
A bateria aumenta de 44,5 kWh para 45,1 kWh, mas o grande ganho está na potência de recarga, que aumenta de 65 para 80 kW, para aproveitar melhor os carregadores rápidos. O Dolphin Plus segue com exclusividade sobre a boa bateria de 60,4 kWh.

A autonomia homologada junto ao Inmetro é de 272 km, um alcance 19 km menor que o do Dolphin GS. Considerando o ganho na potência, é quase nada – ainda mais se o Yuan Pro consegue 250 km com o mesmo conjunto. Não se usa toda a potência disponível no dia a dia, mas há uma notável evolução na forma como o Dolphin SE dosa sua força mediante a pressão no acelerador.
A maior precisão evita destracionamentos e não dá a sensação de estar mais fraco. Muito pelo contrário, porque o modo de condução Eco é bem suficiente para ser usado a todo tempo. E o Sport é um exagero. Há o modo Normal como meio-termo e o modo Snow, para pisos escorregadios.

E é mesmo no dia a dia que o Special Edition mostra a maturidade que alcançou. A suspensão molenga, que até pendula na longitudinal, ficou para a versão GS. Este novo acerto garante um rodar sólido, mais firme até que o da versão Plus. Ainda existe o risco de ter batidas secas em lombadas ou em distenções muito rápidas, mas está muito mais agradável. É até curioso, devido ao costume de dirigir o GS do Longa Duração, esperar oscilações e instabilidades que esse carro não tem.
Outra diferença notável ao volante (literalmente) é a resposta mais rápida da direção. É preciso virar menos o volante nas curvas, o que é bom. Ruim é que a sensibilidade está ainda menor do que antes e o peso emulado pelo modo esportivo não é suficiente para mudar isso. Volantes de videogame costumam proporcionar uma sensação melhor.

O desempenho melhorou bastante. Se o Dolphin de 95 cv precisava de 12,3 s para chegar aos 100 km/h, este, com 177 cv de potência, gastou apenas 8,1 s, na mesma prova. É apenas 0,8 s mais lento que o Plus, com 184 cv. Isso não é nada mal, considerando que o consumo urbano caiu de 8,4 km/kWh para 7,5 km/kWh, enquanto o rodoviário se manteve relativamente estável ao passar de 7,5 para 7,2 km/kWh. Há mais força disponível sem que isso diminua tanto a autonomia.
Uma bateria maior, na casa dos 50 kWh, seria bem-vinda para justificar os R$ 159.990 frente aos concorrentes mais baratos. Mesmo assim, o BYD Dolphin SE demonstrou uma evolução enorme. Dá para afirmar que, ao menos pelos preços de tabela, não faz mais sentido comprar os Dolphin GS e Dolphin Plus. O Dolphin SE é o melhor de todos.

Veredicto Quatro Rodas
Seja ele um teste ou uma resposta à concorrência, o Dolphin Special Edition é, certamente, o melhor Dolphin disponível no Brasil. Resta saber o que a BYD vai fazer com as demais versões a partir de agora. ★★★★☆
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
O Dolphin tem um acabamento sólido e bem feito. Há algumas partes em vinil no painel e nas portas, sempre pretos na versão Special Edition. ★★★★☆
TECNOLOGIA
Houve uma boa evolução, ainda que falte à BYD tirar melhor proveito do 5G e da conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay.★★★★
VIDA A BORDO
Espaço interno nunca foi um problema para o Dolphin, mas o porta-malas continua acanhado, por levar um estepe temporário. Agora há saída de ar para o banco traseiro.★★★★☆
RENDIMENTO
O motor mais potente melhorou o desempenho sem prejudicar muito o consumo da bateria. E a maior potência de recarga diminui o tempo de parada.★★★★☆
COMPORTAMENTO DINÂMICO
Perto do que era, o Dolphin SE é candidato a ser o BYD com a suspensão mais adequada ao asfalto brasileiro.
★★★★★
SEGURANÇA
Seis airbags, pacote completo de ADAS e sistema de câmeras 360° garantem um bom pacote. Continua sem sensor de estacionamento dianteiro.
★★★★
SEU BOLSO
Não é que R$ 159.990 seja barato, é que compensa muito inteirar os R$ 10.000 no preço da versão GS. Os concorrentes ainda custam menos. ★★★★☆
Ficha Técnica
Motor: elétrico; diant., 177 cv, 29,6 kgfm
Câmbio: aut., 1 marcha, tração dianteira
Bateria: fosfato de ferro-lítio (LFP), 45,1 kWh; recarga máx., 6,6 kW (AC), 80 kW (DC)
Direção: elétrica, 10,4 m (diâm. de giro)
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: disco vent. (diant.), disco sólido (tras.)
Pneus: 205/50 R17
Dimensões: compr., 428 cm; larg., 177 cm; alt., 157 cm; entre-eixos, 270 cm; porta-malas, 250 l; peso, 1.485 kg; vão livre do solo, 12 cm
Teste Quatro Rodas
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 8,1 s |
| 0 a 1.000 m | 29,85 s / 166,5 km/h |
| Velocidade máxima | 160 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 3,1 s |
| D 60 a 100 km/h | 4,3 s |
| D 80 a 120 km/h | 6,1 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 14,2/25,2/58,9 m |
| Consumo | |
| Urbano | 7,5 km/kWh |
| Rodoviário | 7,2 km/kWh |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | – / – dBA |
| 80/120 km/h | 66,2 / 70,6 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 98 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | – |
| Volante | 2,7 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 159.990 |
| Garantia | 6 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 27 °C; umid. relat., 54%; press., 758 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
Ergonomia

A: 150 cm (diant.) / 144 cm (tras.) B: 97 cm (diant.) /93 cm (tras.) C: 100,6 cm (diant.) / 98 cm (tras.)
Assistência ao motorista

| Farol alto automático | Sensor de estacionamento |
| Piloto automático adaptativo | Prevenção de saída de faixa |
| Frenagem autônoma | Alerta de saída de faixa |
| Alerta de ponto cego | Câmeras de visão 360º |
