
Israel bombardeou mais alvos no Líbano nesta quinta-feira (9), colocando em risco o cessar-fogo no Oriente Médio depois que seus maiores ataques da guerra contra seu vizinho mataram mais de 250 pessoas e ameaçaram acabar com a trégua de Donald Trump.
Negociadores iranianos devem partir ainda na quinta-feira rumo ao Paquistão para as primeiras negociações de paz da guerra, para se encontrarem com uma delegação dos EUA no sábado.
Petróleo volta a subir forte com frágil cessar-fogo e restrições em Ormuz
Ambos os valores de referência caíram abaixo de US$100 por barril no pregão anterior, com o WTI registrando sua maior queda desde abril de 2020
“Indiscriminado”, “intolerável”, “brutal”: mundo condena ataques de Israel no Líbano
Dia mais mortal da guerra registrou 254 mortos e mais de 1.100 feridos, mesmo após Hezbollah interromper ataques com cessar-fogo; Netanyahu disse que operações continuarão “onde for necessário”
Mas não havia sinal de que o Irã suspendeu o bloqueio do Estreito de Ormuz, que causou a pior interrupção no fornecimento de energia global da história. Teerã disse que não haveria acordo enquanto Israel estivesse atacando o Líbano.
A escassez fez com que o preço que as refinarias europeias e asiáticas pagam pelo petróleo atingisse níveis recordes próximos a US$ 150 por barril, com preços ainda mais altos para alguns produtos, como o combustível de aviação.
Israel, que invadiu o Líbano no mês passado paralelamente à guerra contra o Irã para erradicar o grupo armado Hezbollah, aliado de Teerã, diz que suas ações no país não estão cobertas pelo cessar-fogo anunciado na terça-feira por Trump.
Washington também afirmou que a trégua não abrange o Líbano, mas Irã e Paquistão, que atuou como mediador, dizem que isso era explicitamente parte do acordo. Vários países, incluindo Reino Unido e França, disseram que a trégua deveria se estender ao Líbano.
Uma fonte paquistanesa com conhecimento das discussões disse que o Paquistão estava trabalhando em cessar-fogos para o Líbano e o Iêmen: ‘Isso será discutido durante as (próximas) negociações e nós resolveremos o problema.’
Israel diz ter matado sobrinho do chefe do Hezbollah
As Forças Armadas israelenses disseram na quinta-feira que mataram o sobrinho do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, que atuava como seu secretário pessoal, e que atacaram passagens de rios no Líbano durante a noite.
Israel atacou os subúrbios ao sul de Beirute pouco antes da meia-noite e ao amanhecer, e atingiu cidades em todo o sul na manhã de quinta-feira, informou a mídia estatal libanesa.
Por sua vez, o Hezbollah, que inicialmente havia dito que interromperia os ataques a Israel sob o cessar-fogo, disse que os retomaria na manhã de quinta-feira e que havia disparado uma vez através da fronteira e duas vezes contra as forças israelenses no sul do Líbano.
As famílias se reuniram na quinta-feira nos hospitais de Beirute para identificar os entes queridos mortos, e os socorristas trabalharam durante a noite para tentar salvar as pessoas presas sob os escombros dos ataques que atingiram áreas povoadas sem os avisos habituais aos civis.
‘Este é o meu lugar, esta é a minha casa, estou morando aqui há mais de 51 anos. Então, tudo foi destruído. Está vendo?’, disse Naim Chebbo, varrendo vidros quebrados e destroços de sua casa em Beirute, depois que os ataques destruíram o prédio ao lado.
O Líbano declarou um dia de luto nacional e fechou as repartições públicas. Em um funeral no centro de Beirute, as pessoas se reuniram em silêncio para enterrar um homem que foi morto. Sua esposa sobreviveu ao bombardeio, que destruiu metade do prédio e deixou os sobreviventes presos nos andares superiores por horas.
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