
O senador Flávio Bolsonaro ampliou o leque de opções para a vaga de vice em sua pré-campanha presidencial e passou a testar, nos bastidores, uma série de nomes do PP. O movimento é interpretado por aliados como uma forma de pressionar a senadora Tereza Cristina a avançar nas negociações e aceitar compor a chapa.
Principal aposta da campanha, Tereza deve se encontrar com Flávio na quinta-feira, em Campo Grande, durante a Expo Grande, feira que reúne lideranças do agronegócio e da política. O encontro ainda não está fechado na agenda, mas é tratado como prioridade por interlocutores do senador, que veem na viagem uma tentativa direta de destravar a conversa.
Galípolo pede “socorro” ao Senado e diz que falta de pessoal trava fiscalização
Presidente do BC diz que autarquia enfrenta problemas de pessoal
A definição do vice está inserida em uma negociação mais ampla. Flávio tenta consolidar o apoio da federação entre União Brasil e PP, considerada estratégica para ampliar tempo de televisão, estrutura eleitoral e capilaridade regional. As duas legendas, no entanto, têm adotado cautela: adiam uma decisão e mantêm canais abertos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Internamente, alas governistas pressionam para evitar um alinhamento a Flávio e defendem a liberação dos diretórios para negociações regionais.
Nesse cenário, a vaga de vice se tornou peça central de barganha. O PP é visto como o caminho mais avançado, com o presidente da sigla, Ciro Nogueira, inclinado a avançar. O desenho, porém, esbarra na resistência do União Brasil. Dirigentes da legenda comandada por Antonio Rueda demonstram irritação com o avanço do PL sobre seus quadros durante a janela partidária, o que travou as conversas e aumentou a pressão interna para que o partido não feche apoio neste momento. No total, o PL filiou oito deputados da legenda.
Para que Tereza avance como vice, interlocutores afirmam que será necessário não apenas um acerto pessoal com Flávio, mas uma definição partidária mais ampla, com o apoio conjunto de PP e União Brasil à candidatura.
Além das negociações com o PP e o União Brasil, aliados de Flávio admitem que a campanha mantém um plano alternativo caso a federação não avance. Nesse cenário, o nome do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, aparece como opção para vice, especialmente entre a ala mais ideológica do bolsonarismo. Interlocutores desse grupo avaliam que Zema garantiria alinhamento programático mais claro à direita, ainda que sua entrada não agregue o mesmo potencial de tempo de televisão e articulação partidária que uma composição com o PP.
Vice mulher
Enquanto tenta viabilizar a ex-ministra, Flávio passou a estimular alternativas dentro do próprio PP, especialmente mulheres, perfil que ele próprio passou a defender publicamente como ideal para a vaga.
Nesta terça-feira, o senador se reuniu em São Paulo com a deputada Simone Marquetto e, segundo aliados, saiu “animadíssimo” da conversa. O encontro colocou o nome da parlamentar no radar da campanha, mas com ressalvas. Marquetto não atende a critérios considerados prioritários, como ter ligação com o eleitorado evangélico, com o agronegócio ou com o Nordeste.
— Eu conheci a Simone há poucos dias, gostei bastante, é um ótimo quadro, mas vice é mais para frente — disse Flávio.
Outros nomes passaram a circular com mais força. Entre eles, a deputada Clarissa Tércio, de Pernambuco, que reúne atributos valorizados pela campanha. Mulher, evangélica e nordestina, ela é próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ligada à mesma igreja da ex-ministra Damares Alves. O perfil tem forte aderência à base bolsonarista, mas, na avaliação de aliados, pode ter alcance limitado para além desse núcleo.
Segundo interlocutores, Clarissa já foi sondada por integrantes da campanha e deve ter uma conversa com Flávio nos próximos quinze dias.
Outro nome citado é o da vereadora de João Pessoa, Eliza Virgínia. Evangélica e com atuação destacada em pautas conservadoras, ela tem base no Nordeste e forte presença em redes e no meio religioso. Aliados avaliam, no entanto, que sua eventual escolha tenderia mais a reforçar a base já existente do que a ampliar o alcance eleitoral da chapa, além de ter menor projeção nacional.
Entre aliados, a avaliação é que essas alternativas funcionam, neste momento, como opções ainda incertas. Embora defendidas por diferentes grupos, todas carregam algum tipo de limitação, seja por perfil, alcance eleitoral ou capacidade de agregar fora da base.
A prioridade, porém, segue sendo Tereza Cristina, que reúne atributos considerados ideais, como ligação com o agronegócio, projeção nacional e capacidade de articulação.
Ao ampliar o leque e dar visibilidade a novos nomes, a estratégia de Flávio é manter a negociação em movimento e aumentar a pressão para que Tereza Cristina entre de vez no jogo.
Caiado quer ampliar tempo de TV e disputa União e PP com Flávio
Enquanto Flávio Bolsonaro tenta atrair o PP, Ronaldo Caiado tem adotado estratégia diferente e busca avançar primeiro sobre o União Brasil, para depois tentar trazer o PP. Caiado tem sinalizado preferência por buscar o vice fora do PSD, em siglas com maior peso eleitoral. Nesse grupo, dirigentes citam nomes femininos da bancada — como o da ex-deputada Rose Modesto, do Mato Grosso do Sul — que poderiam atender ao recorte defendido pelo governador.
A estratégia prevê, em um segundo momento, avançar sobre o PP, formando uma composição mais ampla. O movimento é descrito por interlocutores como inverso ao adotado pelo Flávio Bolsonaro, que tenta atrair simultaneamente as duas legendas. No caso de Caiado, a avaliação é que a construção deve ser gradual, começando por um partido âncora que dê sustentação política à candidatura.
Uma ala próxima a Gilberto Kassab, contudo, defende a montagem de uma chapa pura, com um nome do próprio partido. Neste cenário, emerge a ex0prefeita de Caucaia e deputada federal recém-filiada ao PSD, Fernanda Pessoa. O ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen, aliado de Kassab, resume essa posição:
— PSD acredita que cada partido deveria ter seu candidato e, por isso, defende uma chapa pura. Pode ser mulher ou homem, o que importa é ser do PSD. Vamos esperar primeiro o Flávio escolher o dele e as convenções para escolhermos o nosso.
Interlocutores reconhecem, no entanto, que uma solução interna tende a ter alcance limitado, por não resolver a principal demanda do projeto: ampliar tempo de televisão e estrutura partidária.
Aliados afirmam ainda que o governador deve adiar a definição do vice e usar o próprio desempenho nas pesquisas como instrumento de negociação. A leitura é que, ao se consolidar como opção competitiva — na faixa de terceiro ou quarto colocado —, Caiado ganha força para barganhar apoio e definir a composição da chapa em condições mais favoráveis.
The post Flávio Bolsonaro amplia opções de vice no PP e eleva pressão sobre Tereza Cristina appeared first on InfoMoney.
