Impulsionado por um motor de quatro cilindros, o pequeno Mercedes–Benz 190 SL (W121) cativou o público do Salão de Genebra de 1955 ao ostentar o estilo do cupê 300 SL em uma carroceria conversível produzida até 1963. Foram necessários mais de 30 anos para que seu sucessor espiritual chegasse ao mercado: o Mercedes-Benz SLK (R170).
Para entender a gênese do SLK é preciso voltar ao início dos anos 1990, época em que o mercado mundial celebrava o retorno dos roadsters. O sucesso do Mazda MX-5 Miata fez com que toda a indústria percebesse a ânsia dos consumidores por pequenos conversíveis com apenas dois lugares, simples e acessíveis.
Os executivos de Daimler-Benz sabiam que um Mercedes jamais poderia ser simples e acessível: sua clientela tradicional rejeitaria um carro assim. Para tanto decidiram criar um modelo revolucionário: um esportivo (sportlich), leve (leicht) e curto (kurz), palavras que no idioma alemão deram origem à sigla SLK.

A esportividade seria garantida pela plataforma do Classe C (W202) e com o emprego de sofisticadas suspensões: dianteira por braços duplos triangulares e traseira multilink. Curiosamente, a direção manteria o arcaico sistema de esferas recirculantes para proporcionar a sensação típica dos Mercedes-Benz: relaxada e isolada de choques e vibrações.

Pesando 1.270 kg em sua versão mais simples, o SLK era muito leve quando comparado ao Mercedes-Benz R129: o SL 320 (seis-cilindros) pesava 1.750 kg e o SL 600 (V12) superava as 2 toneladas. Superdimensionado, o SLK era extremamente rígido e seguro para garantir o conforto de rodagem típico de um Mercedes e para superar todas as normas de segurança vigentes.
Sob orientação do designer Bruno Sacco, o departamento de estilo da Daimler iniciou o desenvolvimento de um conversível ainda menor que o 190 SL: o SLK teria menos de 4 metros de para-choque a para-choque. Os 2,4 metros de entre-eixos não foram definidos ao acaso: era a mesma medida utilizada tanto no 300 SL quanto no 190 SL dos anos 1950.


A primeira aparição do SLK ocorreu no Salão de Turim de 1994: o protótipo SLK1 antecipou as linhas que o protótipo SLK2 voltaria a exibir meses depois no Salão de Paris. Foi nessa segunda aparição que o público foi ao delírio com a apresentação do teto rígido Vario e seu sofisticado mecanismo de acionamento eletro-hidráulico.
Com o simples toque de um botão, a tampa do porta-malas se abria no sentido contrário para acondicionar o teto de aço, articulado na parte superior do vidro traseiro. Movimentos precisos e coordenados que transformavam o cupê hermeticamente fechado em conversível e vice-versa – uma sofisticação que não era oferecida desde o Ford Fairlane 500 Skyliner, de 1957.

Para muitos o teto Vario do SLK teve o mesmo impacto das portas asa de gaivota do 300 SL: o ruído excessivo e as infiltrações de água da capota de lona eram problemas do passado. A histeria no mercado ofuscou concorrentes como BMW Z3 e Porsche Boxster, não apenas pela praticidade como também pela notável qualidade de construção típica da Mercedes-Benz.

A produção foi iniciada em 1996 nas versões SLK 200 (2 litros e 136 cv), SLK 200 K (2 litros e 192 cv) e SLK 230 K (2,3 litros e 193 cv), as duas últimas sobrealimentadas com compressor mecânico. Tanto o câmbio manual quanto o automático tinham cinco marchas: o SLK 230 K acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 7,5 segundos, com máxima em torno dos 230 km/h.


A primeira reestilização ocorreu em 2000 e trouxe o refinado motor M112 de seis cilindros em V nas versões SLK 320 (218 cv) e SLK 32 AMG (354 cv com sobrealimentação): o primeiro acelerava de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos e o segundo em 5,2 segundos. O SLK 320 chegava aos 245 km/h, enquanto o SLK 32 AMG era limitado eletronicamente a 250 km/h.
Até 2024, pouco mais de 300.000 unidades do R170 foram produzidas na fábrica da Mercedes-Benz em Bremen. Com desenho inspirado em um Fórmula 1, o sucessor R171 era dinamicamente superior em todos os quesitos, mas já não oferecia a mesma sensação de solidez e qualidade que fidelizou gerações de clientes da casa de Stuttgart.
Ficha técnica
Mercedes-Benz SLK 230 Kompressor 1998
Motor: long., 4 cil. em linha, 2.295 cm3, injeção eletrônica, compressor mecânico, 193 cv a 5.300 rpm, 28,5 kgfm entre 2.500 e 4.800 rpm
Câmbio: automático de 5 marchas, tração traseira
Carroceria: conversível, 2 portas, 2 lugares
Dimensões: comprimento, 399 cm; largura, 171 cm; altura, 129 cm; entre-eixos, 240 cm
Peso: 1.325 kg
Pneus: 205/55 R16 (diant.), 225/50 R16 (tras.)
