Foi com o Tiggo 5X que a Caoa começou a reconstruir a imagem da Chery quando assumiu o controle da operação da marca chinesa no Brasil, em 2017. O SUV compacto estreou no final do ano seguinte já com produção nacional e motor flex. É exatamente a mesma estratégia que a Caoa está seguindo com o Changan Uni-T e deu tão certo que, mesmo após sete anos, o SUV de entrada da Chery está melhor do que nunca.
São sete anos de Brasil, mas com gostinho de oito. O Caoa Chery Tiggo 5X já está na linha 2027, que representa a terceira e mais abrangente atualização visual do modelo. Da estreia até agora, só não houve mudanças nas dimensões: segue com 4,34 metros de comprimento, 2,61 m de entre-eixos, 1,83 m de largura e 1,65 m de altura, praticamente o tamanho de um Hyundai Creta. Todo o resto está diferente.
Desta vez, a dianteira foi modificada por completo. Os novos faróis são full-led e muito mais estreitos, a grade dianteira cresceu para se encontrar com a tomada de ar na base do para-choque e troca as luzes de neblina por barras de led nas laterais. Para tudo ficar harmônico, capô e para-lamas também são novos.
A lateral ajuda a identificar as versões. O Tiggo 5X Sport, de R$ 124.990, tem rodas aro 17”, e a versão Pro, de R$ 141.990, usa as mesmas rodas aro 18” de antes. A principal diferença está no desenho da coluna C, que agora é revestida com um plástico preto brilhante que tenta unir visualmente os vidros das portas e o vidro traseiro.

A moda das lanternas interligadas também chegou ao Tiggo 5X. Uma barra iluminada integra as lanternas, que encolheram em tamanho e agora têm iluminação por led. Como a placa foi deslocada para cima, o comando de abertura da tampa está embutido na lanterna, em uma posição menos ergonômica do que antes.

A própria tampa está mais quadrada, porque o novo para-choque abandonou as lanternas de neblina e se livrou das falsas saídas de escape. Novamente, a intenção foi deixar o design menos carregado.
Inspiração no topo
Desde 2023 o Tiggo 5X não é o carro mais vendido da Caoa Chery. Primeiro foi ultrapassado pelo Tiggo 7 e, em 2025, até o Tiggo 8 vendeu mais que ele (17.884 contra 13.671 carros, uma larga vantagem). Um meio de contornar isso parece ter sido buscar no Tiggo 8 a inspiração para a renovação do painel. Agora o 5X também tem o quadro de instrumentos digital integrado com a central multimídia, com as duas telas de 10,25” na mesma moldura – no irmão maior, são duas telas de 12,3”. A conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay foi garantida.

Os comandos táteis para o ar-condicionado automático bizona (exclusivo da versão Pro) estão mantidos, mas o console central passa a ser o mesmo do Tiggo 7 PHEV, com um porta-copos com tampa ao lado do seletor do câmbio, onde antes ficava a base de carregamento sem fio de smartphones.
Esta foi deslocada para próximo do apoio de braço central e passa a ter 50 W e ventilação, mas a versão Sport continua sem isso. A mesma ventilação chega dentro do compartimento sob o apoio de braços. Tomadas USB (tipo A e C) e 12 V ficam sob o console. Por fim, os botões do volante também mudaram, mas os botões antigos, sem relevos, eram mais intuitivos.

O Tiggo 5X continua com o mesmo padrão de acabamento de antes. O painel tem superfícies emborrachadas e apliques de um fino vinil macio ao toque, algo que se repete nas portas dianteiras. Os bancos têm revestimento sintético com costuras longitudinais que passam boa impressão de longe, mas que de perto deixam evidentes os desvios nas costuras.
Em termos de espaço, o SUV compacto manda bem: os ocupantes da frente podem encontrar uma posição sem se preocupar com quem está na fila de trás, onde o Chery só peca pelo assento, que poderia estar posicionado um pouco mais alto. O porta-malas segue com 340 litros de capacidade (VDA).


O Tiggo 5X Sport destoa de outros carros da sua faixa de preço pela lista de equipamentos, que inclui sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e banco do motorista com ajustes elétricos, mesmo custando menos de R$ 125.000. O Tiggo 5X Pro vai além e soma ajustes elétricos para a lombar do motorista, teto panorâmico (que não existe mais em outros países), câmeras de visão 360o, airbag central dianteiro (totalizando sete bolsas) e o pacote ADAS, que inclui de frenagem de emergência, alerta de faixa e monitor de pontos cegos a piloto automático adaptativo. É um bom conteúdo para um carro mais barato que os VW Tera (R$ 144.390) e Renault Kardian (R$ 149.990) nas respectivas versões topo de linha.

Oferecer mais por menos vem sendo a estratégia da Caoa Chery para manter seus SUVs com vendas relevantes. No caso do Tiggo 5X, isso passa pelo motor. Enquanto os carros da sua faixa de preço têm, no máximo, um motor 1.0 turbo, o Chery usa um 1.5 turbo ainda sem injeção direta, mas que é flex e gera 150 cv e 22,8 kgfm. A propósito, todo o sistema de injeção deste motor, inclusos os módulos e bicos com sistema de partida a frio, são fabricados no Brasil.
A calibração do motor também foi feita aqui, mas ainda exige concessões. Se por um lado o desempenho é bom, a ponto de o 5X ter chegado aos 100 km/h em 10,2 s em nosso teste (tempo de Fiat Pulse 1.0 turbo, o mais rápido entre os SUVs 1.0), por outro o consumo é proporcional ao tamanho do motor. Em regime urbano, cada litro de gasolina rendeu 9,5 km e no regime rodoviário melhorou para 10,7 km. Os rivais 1.0 turbo não têm dificuldade para entregar médias superiores a 12 km/l na cidade e 16 km/l na estrada.

A esperança de um consumo melhor está depositada no futuro Tiggo 5X HEV, versão híbrida plena que terá o mesmo conjunto de 204 cv do Omoda 5. Seu lançamento era esperado para o fim do ano, mas deverá ficar para o início de 2027.
O mais improvável nas evoluções pelas quais o Tiggo 5X passou está no fato de ele estar mais agradável hoje, com o câmbio CVT com simulação de nove marchas, introduzido em 2022, do que era com o câmbio de dupla embreagem e seis marchas que usou até aquele momento. O câmbio encontra a relação de marcha adequada rapidamente, sem que o motor precise elevar muito o giro para o carro embalar. Acredite: carros chineses com câmbio CVT bem calibrado são muito raros. O lado bom disso é o baixo nível de ruído na cabine.

Após sete anos sendo fabricado em Anápolis (GO), o Tiggo 5X tem vidros, baterias, alto-falantes, pneus e partes da suspensão traseira entre os componentes com produção nacional. Mas grande parte da estrutura ainda vem da China. A nacionalização caminha em paralelo com os ajustes específicos para o Brasil, que são validados aqui e na China.
A Caoa Chery diz que os ajustes na suspensão do Tiggo 5X nunca pararam, houve evoluções a cada ano-modelo na tentativa de deixá-lo mais adequado às condições brasileiras. Por isso não deixaram mudar o conjunto multibraços traseiro pelo eixo de torção usado em todos os outros países onde o modelo é vendido.


Na comparação com o carro que deixou o teste de Longa Duração em 2019, a evolução acumulada é enorme. Hoje o SUV tem rodar mais sólido e assentado, deixando para trás um comportamento saltitante que tendia a deixá-lo instável em curvas. Cargas de mola, amortecedores e a tensão aplicada pelas barras estabilizadoras, hoje, controlam muito bem a movimentação da carroceria. O 5X encara lombadas e valetas sem batidas secas e sem parecer instável. A direção ainda pode ser mais direta e ganhar peso (mesmo no modo esportivo), mas este Chery se tornou um carro mais agradável de conduzir, já se garante como um carro nacional.
Normalmente, quando um modelo beira os oito anos à venda, está datado e já foi muito simplificado. Não é o caso do Tiggo 5X, que parece estar vivendo seu melhor momento em dinâmica, conteúdo e preço.
Veredicto
Tem carro que é propositalmente piorado e simplificado com o tempo. O Tiggo 5X melhorou e melhorou um tanto em sete anos
e ganhou fôlego para mais alguns. ★★★★☆
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
As peças de carroceria são bem alinhadas, mas a unidade testada exigia força para fechar a porta do motorista corretamente. Falta melhor alinhamento nas costuras dos bancos.
★★★☆
TECNOLOGIA
O Tiggo 5X faz o que se espera de um SUV compacto, mas suas telas não são as maiores ou têm a melhor interface. Vale destacar a chave presencial, que atua por aproximação, dispensando botões nas maçanetas.
★★★★☆
VIDA A BORDO
Exceto pelo porta-malas, que poderia ser maior, o Tiggo 5X atende bem às principais necessidades do público de SUVs compactos.
★★★★☆
RENDIMENTO
O motor, calibrado no Brasil, e o bom câmbio CVT garantem o bom desempenho. Mas ainda há espaço para melhorar o consumo.
★★★★
COMPORTAMENTO DINÂMICO
É o maior ponto de evolução do Tiggo 5X nos últimos anos. O carro ficou mais neutro e estável, e tem seu curso de suspensão mais controlado. É exemplo para outros carros de origem chinesa.
★★★★★
SEGURANÇA
O sétimo airbag entre os passageiros dianteiros é grata surpresa. Alguns dos sistemas ADAS, que são destaque da versão Pro, tendem a ser muito alarmistas, como o alerta de colisão.
★★★★
SEU BOLSO
O Tiggo 5X tem conteúdo, porte e potência de carros R$ 40.000 mais caros. O consumo é um ponto negativo, mas a garantia, que agora é de sete anos, também precisa ser considerada.
★★★★★
Ficha Técnica – Caoa Chery Tiggo 5X Pro
Motor: flex, diant., transv. 4 cil., turbo, 16V, 1.499 cm³, 150/147 cv a 5.500 rpm, 22,8/22,3 kgfm a 1.750 rpm
Câmbio: CVT, 9 marchas, tração diant.
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
Freios: disco vent. (diant.) disco sólido (tras.)
Pneus: 225/55 R18
Dimensões: compr., 433,8 cm; larg., 183,1 cm; alt., 165,2 cm; entre-eixos, 261 cm; porta-malas, 340 litros; peso, 1.433 kg; vão livre do solo, 16,1 cm; tanque de combustível, 51 l
Teste Quatro Rodas – Caoa Chery Tiggo 5X Pro
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 10,2 s |
| 0 a 1.000 m | 32,1 s / 160,1 km/h |
| Velocidade máxima | 180 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 4,3 s |
| D 60 a 100 km/h | 5,6 s |
| D 80 a 120 km/h | 7,3 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 14,6/25,9/59,5 m |
| Consumo | |
| Urbano | 9,5 km/l |
| Rodoviário | 10,7 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | 38,6 / 61,5 dBA |
| 80/120 km/h | 66,7 / 70,5 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 100 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 1.800 rpm |
| Volante | 2,7 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 141.990 |
| Garantia | 7 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 28 °C; umid. relat., 75%; press., 756 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
Assistência ao condutor

| Farol alto automático | Sensor de estacionamento |
| Piloto automático adaptativo | Prevenção de saída de faixa |
| Frenagem autônoma | Alerta de saída de faixa |
| Alerta de ponto cego | Câmera 360º |
Ergonomia

A: 151 cm (diant.) / 146 cm (tras.) B: 94,5 cm (diant.) / 98 cm (tras.) C: 98,5 cm (diant.) / 95 cm (tras.)
