
O empresário Maurício Camisotti firmou com a Polícia Federal o primeiro acordo de delação premiada no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Apontado pelos investigadores como peça-chave do núcleo financeiro do esquema, ele deve fornecer informações que podem redefinir o rumo das apurações.
Preso desde setembro de 2025, Camisotti foi detido na mesma operação que alcançou Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, também investigado como operador relevante das irregularidades.
Segundo avaliação da PF, o empresário teria papel central na engrenagem que viabilizava o fluxo financeiro das cobranças irregulares sobre aposentadorias e pensões.
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O acordo foi negociado diretamente com a Polícia Federal e ainda será analisado pela Procuradoria-Geral da República. As tratativas começaram no fim de 2025, em um momento em que a investigação avançava sobre estruturas empresariais ligadas ao esquema.
Núcleo financeiro
Relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) afirmou que a família Camisotti teria movimentado valores superiores aos atribuídos a outros operadores do caso. Segundo ele, o grupo recebeu cinco vezes mais recursos ilícitos do que o chamado “Careca do INSS”, suspeito de desviar cerca de R$ 53 milhões.
A investigação também alcança o entorno familiar do empresário. Paulo Camisotti, filho de Maurício, é citado como dirigente de mais de 20 empresas sob análise das autoridades, o que reforça a suspeita de uma estrutura empresarial utilizada para operacionalizar os desvios.
Outras delações em negociação
Além do acordo já firmado, outras colaborações seguem em discussão. Entre elas, a do procurador federal Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro, e a de André Fidelis, ex-diretor de benefícios do INSS.
Fidelis deixou o cargo em julho de 2024 após a divulgação de reportagens do portal Metrópoles sobre irregularidades nos descontos aplicados a beneficiários. Como responsável por formalizar parcerias com associações e sindicatos, ele autorizava a oferta de serviços que resultavam em cobranças diretas nos benefícios.
Esse modelo levou ao crescimento acelerado de entidades como a Conafer, que teve aumento expressivo de filiados e receitas. Diante das distorções, o INSS firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para revisar e revalidar os descontos realizados.
A expectativa dos investigadores é que a colaboração de Camisotti ajude a mapear a estrutura financeira do esquema e identifique novos envolvidos. O foco passa a ser a rastreabilidade dos recursos e a conexão entre empresas, associações e agentes públicos.
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