Conhecida por seus polos de tecnologia e pela presença de grandes empresas de diferentes segmentos, Campinas também se destaca na produção de uma das bebidas mais consumidas do país: o café. O que muita gente não imagina é que a metrópole mantém viva a tradição cafeeira, resgatando parte importante da sua história econômica.
Na semana em que foi celebrado o Dia Mundial do Café, o acidade on Campinas visitou uma indústria localizada no bairro São Bernardo para mostrar, na prática, como funciona todo o processo produtivo – desde a chegada dos grãos até a torrefação, embalagem e distribuição para supermercados da região.
De acordo com o gerente-geral da fábrica do café Canecão, Gerson Dolenc, a produção média é de 300 toneladas por mês, com capacidade diária de aproximadamente 20 toneladas.
Visita é aberta ao público
O local abre para visitação para quem quer ver de perto como funciona a produção do café que estão à disposição dos consumidores nas prateleiras dos mercados e, neste ano, serão nas seguintes datas: 15 de maio, 11 de setembro e 13 de novembro. As inscrições ainda não estão disponíveis.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Apesar de todo o processo industrial acontecer em Campinas, os grãos de café são adquiridos de cooperativas e fornecedores de outros estados, principalmente de Minas Gerais e do Espírito Santo.
“Os cafés arábicas vêm, na maioria, de Minas Gerais, enquanto os robustas são da região do Espírito Santo”, explica Dolenc.
Como funciona a produção de café?
O produto chega à indústria ainda em estado natural – já beneficiado, mas sem passar por torra ou moagem.
A primeira etapa dentro da fábrica é a limpeza dos grãos. Segundo o gerente, o café passa por três processos de pré-limpeza realizados por máquinas, que retiram impurezas como galhos e folhas.
Após essa etapa, o café segue para um sistema totalmente automatizado.
Com os grãos limpos, começa o processo de industrialização. Todo o restante da produção é feito sem contato manual.
“Depois disso, o café é totalmente automatizado: passa pela torra, depois moagem, empacotamento e enfardamento”, detalha Dolenc.
Na torra, os grãos são submetidos a altas temperaturas em equipamentos industriais. Um dos torradores da fábrica processa cerca de 120 quilos em quatro minutos. Outro equipamento tem capacidade para até 240 quilos em aproximadamente 25 minutos, dependendo do tipo de café.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Após a torra, o café é moído e segue para a etapa de embalagem, que também é automatizada.
Diferença entre café almofada e a vácuo
A indústria trabalha com diferentes tipos de embalagem, sendo as principais o modelo almofada e a vácuo.
“No café a vácuo, o oxigênio é retirado da embalagem, o que preserva melhor as características do produto”, explica o gerente.
Já o café almofada tem um processo mais rápido e automatizado. “A gente faz uma média de 50 pacotes por minuto no almofada. No vácuo, são cerca de 18 pacotes por minuto, além de ter uma etapa manual no encaixotamento”, completa.
Essa diferença impacta diretamente no custo, tornando o produto a vácuo mais caro.

Outro diferencial da produção está na forma como o café é preparado. O processo de “blend”, que é a mistura de diferentes tipos de grãos, é feito após a torra.
“O que é o blend? É a receita do bolo. Muitas empresas fazem isso no café cru. Nós torramos cada tipo separadamente, porque se torrar junto, um pode ficar cru e o outro passar do ponto”, explica Dolenc.
Segundo ele, a mistura é realizada na etapa da moagem, garantindo padronização de cor e sabor.
Controle de qualidade
A qualidade do produto é monitorada em todas as etapas. Antes da compra, a empresa analisa amostras dos lotes. Após a chegada à fábrica, os grãos passam por nova avaliação.
Durante a produção, testes são realizados a cada 30 minutos.
“Os operadores levam amostras para o laboratório, onde analisamos corpo, granulometria, umidade e outros parâmetros”, afirma.
A empresa também mantém amostras de todos os lotes produzidos, o que permite rastrear qualquer eventual problema.
“Se houver alguma questão, conseguimos identificar quando o produto foi feito, em qual máquina e qual fornecedor enviou a matéria-prima”, diz.
Atualmente, a fábrica conta com 92 colaboradores, sendo cerca de 20 diretamente na produção. Segundo Dolenc, o número já foi maior e chegou a ultrapassar 150 funcionários, mas foi reduzido com a automação.
“Com a tecnologia, a gente consegue produzir mais com menos pessoas, mantendo a qualidade”, afirma.

História da fábrica em Campinas
Fundada em 1962 por empresários de Campinas, a indústria foi adquirida pelos atuais proprietários em 1976 e, desde então, ampliou sua atuação.
Hoje, além da matriz em Campinas, a empresa conta com duas filiais no estado de São Paulo: uma na região de Lins e outra no Vale do Paraíba. Nessas unidades, são realizadas atividades de armazenamento e comercialização.
A maior parte da produção é distribuída no estado de São Paulo, incluindo a Região Metropolitana de Campinas, interior e capital.
“Campinas é um ponto estratégico, principalmente pela logística, que facilita a distribuição para várias regiões”, destaca Dolenc.
Alta no preço do café
Nos últimos anos, o café registrou aumento significativo de preço, impulsionado por fatores climáticos e econômicos.
“O Brasil e outros países produtores tiveram problemas com o clima, além da alta do dólar e do aumento do consumo em países como a China”, explica.
Apesar disso, o gerente avalia que o produto ainda mantém bom custo-benefício.
“Mesmo assim, o café ainda tem um preço relativamente baixo quando comparado a outras bebidas”, conclui.

LEIA MAIS – Americana registra primeira morte por dengue em 2026 na região de Campinas
O post Campinas tem fábrica de café famosa no bairro São Bernardo que produz até 300 toneladas por mês; conheça apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
