O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, recebeu cerca de 30 mil visitantes durante a edição 2026 do Ciência Aberta, realizada entre sexta-feira (29) e sábado (30). O evento gratuito permitiu ao público conhecer de perto laboratórios e projetos desenvolvidos em um dos principais polos de pesquisa científica do país.
Ao todo, participaram 284 caravanas escolares, entre instituições públicas e privadas, vindas de dez estados brasileiros, do Distrito Federal e até do Paraguai.
Durante os dois dias de programação, os visitantes tiveram acesso a cerca de 100 atividades interativas, além de contribuir com a doação de 5,1 toneladas de alimentos, que serão destinadas a entidades assistenciais. Também foram distribuídas 1,2 mil mudas de plantas.
O principal destaque da visitação foi o Sirius, acelerador de partículas instalado no CNPEM e considerado uma das mais modernas fontes de luz síncrotron do mundo. A estrutura é utilizada em pesquisas de alta complexidade em áreas como saúde, energia, agricultura e meio ambiente.
Entre os estudos realizados no local estão investigações sobre vírus como o SARS-CoV-2, causador da Covid-19, e o vírus mayaro, que circula no Brasil nos últimos anos.
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Como funciona o Sirius, no CNPEM
Classificado como um laboratório de luz síncrotron de quarta geração, o Sirius funciona como uma espécie de raio-X extremamente potente, capaz de revelar estruturas em escalas microscópicas de átomos e moléculas.
A tecnologia está presente em apenas três equipamentos semelhantes no mundo.
Para gerar os experimentos, elétrons são acelerados a velocidades próximas à da luz e percorrem um anel de aproximadamente 500 metros de extensão cerca de 600 mil vezes por segundo. Em seguida, são direcionados para as chamadas linhas de luz, onde os pesquisadores realizam análises detalhadas de diferentes materiais.
O processo utiliza ímãs de alta potência responsáveis pela geração da luz síncrotron, invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe produzido pelo equipamento é cerca de 30 vezes mais fino que um fio de cabelo.

Futuro laboratório de biossegurança
Além do Sirius, o CNPEM também será sede do Orion, futuro laboratório de biossegurança máxima (NB4), atualmente em construção. O espaço será voltado ao estudo de agentes biológicos de alto risco e ao desenvolvimento de estratégias para enfrentamento de futuras pandemias, sendo considerado um projeto inédito em escala mundial.

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CNPEM de Campinas vai representar o Brasil em parceria com o Uruguai

O CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) de Campinas vai representar o Brasil em uma parceria com o Uruguai. O acordo prevê a ampliação na cooperação entre os países em pesquisas nas áreas de ciências da vida, inovação tecnológica e formação de recursos humanos.
A iniciativa terá um investimento inicial de R$ 50 milhões do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Além do CNPEM, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) faz parte do acordo. Já o Uruguai é representado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pelo Instituto de Pesquisas Biológicas Clemente Estable (IIBCE).
Criação de centro de pesquisa
O diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque, explicou que a ideia é que as instituições coordenem a criação de um centro voltado à organização de temas de pesquisa conjunta, à formação de pessoas e à estruturação de redes, envolvendo também outras parcerias.
“Trata-se de uma cooperação bilateral entre Brasil e Uruguai, com potencial para articular projetos e iniciativas em parceria com diferentes atores dos dois países. Os detalhes ainda estão sendo definidos, tendo como primeira atividade prevista a vinda de pesquisadores uruguaios ao CNPEM.”, disse José Roque.
O Centro Brasil-Uruguai de Pesquisa e Inovação em Ciências da Vida vai definir áreas prioritárias, executar de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de promover ações de capacitação, intercâmbio de pesquisadores e estudantes e organizar eventos científicos, compartilhando infraestrutura científica e tecnológica. O acordo também estabelece uma governança binacional, responsável pela orientação estratégica e pela tomada de decisões.
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