
O Brasil entrou definitivamente na rota anual de visitas obrigatórias do CEO do conglomerado de defesa EDGE Group, Hamad Al Amar. Nos últimos cinco dias em que esteve no país, em abril, o executivo se reuniu diariamente com as Forças Armadas, encontrou fuzileiros navais no Rio de Janeiro e esteve com as duas empresas nas quais tem participação no País: SIATT e Condor.
Acontece que o Brasil se tornou uma importante planta industrial do grupo fundado nos Emirados Árabes Unidos nos últimos anos e sustenta boa parte da projeção de US$ 624 milhões em faturamento na América Latina no ano de 2029.
Foi por meio da aquisição de 50% da SIATT, empresa especializada na produção de mísseis antinavios localizada em São José dos Campos (SP), que o grupo iniciou sua expansão aqui, em 2023. De lá para cá, já foram investidos US$ 3 bilhões em aquisições e expansão da capacidade de produção. Em 2024, o EDGE se tornaria sócio majoritário da fabricante de armamentos não letais Condor, com fábrica em Nova Iguaçu (RJ).
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Sozinhos, os dois braços da holding foram responsáveis por contribuir com uma receita de US$ 133 milhões aos US$ 5 bilhões de faturamento global registrados pelo EDGE Group em 2025.
“Os governos dos Emirados Árabes Unidos e do Brasil são muito alinhados. Há tantos outros investimentos emiradenses no Brasil. É um relacionamento que temos de longo prazo”, conta Al Amar em entrevista ao InfoMoney. “Mas, é claro, o Brasil é a maior indústria da América Latina e é importante nos estabelecermos aqui. Para não falar sobre a quantidade de engenheiros e instituições de ensino que poderiam nos beneficiar no País.”
Expansão da capacidade
Desde a compra da SIATT, que tinha como principal contrato a venda de mísseis MANSUP-ER para a Marinha do Brasil, as forças de defesa são um importante parceiro da EDGE no Brasil.
No LAAD Security, um evento restrito a forças policiais, forças armadas, autoridades e profissionais dos setores de segurança nesta quinta-feira (16), o Grupo anunciou uma nova parceria com o Exército Brasileiro para testar fuzis CARACAL em ambientes operacionais rigorosos e realistas.
A empresa está prestes a fechar um novo contrato com as Forças Armadas para outro tipo de míssil, afirma Al Amar, e mantém discussões para a venda de veículos como botes de patrulha — veículos são parte do portfólio do EDGE Group ao redor do mundo.
Para atender à demanda, que inclui ainda exportações para países como Emirados Árabes e Angola, a SIATT inaugurou uma nova fábrica em Caçapava (SP), e projeta uma nova unidade de testes de explosivos até o fim do ano em São José dos Campos, onde está sua sede e a primeira unidade de fabricação no Brasil.
Já com a Condor, o grupo atende mais de 80 países pelo mundo. A linha de produtos não letais anunciou a construção de uma nova fábrica no Brasil em breve, no estado de São Paulo, em cidade a ser definida. Ao todo, o EDGE Group investiu entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões na ampliação de fábricas no Brasil.
Produção de drones no Brasil
Também durante o LAAD Security a EDGE anunciou um memorando de entendimento com o Indra Group para explorar conjuntamente o desenvolvimento e a produção de sistemas de radar de próxima geração na América Latina. O negócio envolve uma colaboração estratégica tripartite, combinando a expertise da Indra em tecnologias de radar e integração de sistemas, a capacidade industrial da SIATT e o alcance da EDGE.
Soluções já desenvolvidas nos Emirados Árabes e com potencial de mercado no Brasil devem entrar para o portifólio da companhia em breve. “Refiro-me, por exemplo, a drones terrestres, aquáticos e aéreos. Percebemos que o Brasil tem tanto o interesse quanto a necessidade de uma capacidade de reconhecimento que ainda é inexplorada”, diz Al Amar.
Embora não haja um contrato assinado na região, a expansão de drones é parte de uma estratégia global do EDGE Group onde a América Latina poderia ser abastecida com uma fábrica local: “O que faremos agora é, de fato, focar em drones para começar a produzi-los em projetos internacionais, expandindo para além dos Emirados Árabes”.
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