
A diretora de Estabilidade Financeira do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Sarah Breeden, afirmou que a guerra envolvendo o Irã elevou o risco de que vulnerabilidades já presentes no sistema financeiro global se materializem de forma simultânea, ampliando o potencial de choques adversos.
Em discurso nesta sexta-feira, 17, Breeden destacou que conflitos no Oriente Médio “aumentam a incerteza e a imprevisibilidade”, com impacto direto sobre preços de energia e condições financeiras. Segundo ela, o ambiente atual eleva a probabilidade de que fragilidades acumuladas “cristalizem ao mesmo tempo”, como já ocorreu em crises passadas.
A dirigente ressaltou que, embora o sistema financeiro tenha mostrado resiliência recente, impulsionada por reformas pós-crise de 2008, os riscos migraram para outras áreas menos transparentes. Entre os principais pontos de atenção, ela citou o crescimento dos mercados privados, o aumento da alavancagem em títulos soberanos e valuations esticados em alguns ativos, especialmente ligados à tecnologia e inteligência artificial.
Breeden alertou que choques simultâneos em crescimento, inflação e juros – cenário plausível em meio à escalada geopolítica – podem afetar diversos agentes ao mesmo tempo. “Porque o sistema é interconectado, o estresse em uma área pode amplificar comportamentos em outras”, disse.
A diretora do BoE também mencionou episódios recentes de volatilidade, incluindo movimentos em mercados de juros após o início do conflito com o Irã, como evidência de como posições alavancadas podem amplificar choques.
Apesar disso, Breeden avaliou que há diferenças relevantes em relação ao passado, como um sistema bancário mais capitalizado e ferramentas macroprudenciais mais robustas. Ainda assim, enfatizou que “os momentos mais perigosos não são apenas aqueles em que os riscos são elevados, mas quando são facilmente ignorados”.
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