
A Shell concordou em comprar a produtora canadense ARC Resources por US$ 13,6 bilhões, seu maior negócio em mais de uma década, à medida que busca reforçar suas reservas de combustíveis fósseis.
As ações da ARC dispararam, enquanto as da Shell recuaram.
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A ARC possui uma base de gás de xisto e líquidos de alta qualidade e baixo custo que complementa as operações já existentes da Shell no Canadá, disse a companhia sediada em Londres em comunicado.
Sem aquisições relevantes desde que o diretor-presidente Wael Sawan assumiu o comando, os esforços da Shell para repor sua base de reservas de longo prazo vinham enfrentando crescente escrutínio. Assim como várias de suas grandes rivais de energia, a empresa vem recentrando o foco em seus negócios centrais de óleo e gás, numa estratégia para elevar os retornos aos acionistas.
“Isso estabelece o Canadá como um mercado-chave para a Shell, ao mesmo tempo em que avança a nossa estratégia de entregar mais valor com menos emissões”, disse Sawan no comunicado. A aquisição da ARC “fortalece nossa base de recursos para as próximas décadas”.
O negócio com a ARC será a maior aquisição da Shell desde a compra da BG Group, em 2015, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A transação será paga com cerca de 25% em dinheiro e 75% em ações, com um prêmio de 20% sobre o preço médio ponderado de 30 dias da ARC.
As ações da ARC chegaram a subir até 24%. As da Shell caíam 1,8%, a 3.247 pence, às 15h13 em Londres.
Desde que assumiu a empresa, há três anos, o foco de Sawan tem sido consertar o balanço, cortar custos e se desfazer de ativos com baixo retorno.
O negócio aumenta o fluxo de caixa livre anual da Shell e sua taxa de crescimento anual composta, disse Sawan em teleconferência com a imprensa.
Segundo o comunicado, a operação também reforça a meta da Shell de manter uma produção relevante de hidrocarbonetos líquidos em torno de 1,4 milhão de barris por dia até 2030 e além. O acordo ainda dará suporte à produção da planta de gás natural liquefeito LNG Canada, da qual a Shell detém 40%.
Uma expansão da fase dois do LNG Canada já era esperada, mas Sawan afirmou que esse negócio não tem impacto sobre essa decisão. O foco do terminal de LNG está em continuar a aumentar e sustentar a produção.
As operações da ARC estão situadas na mesma região do ativo Groundbirch da Shell, na Colúmbia Britânica, que abastece o LNG Canada, e do projeto Gold Creek, na vizinha Alberta, de acordo com o comunicado. A aquisição também dá à Shell exposição a outro projeto de exportação de LNG, por meio do contrato de suprimento da ARC com o Cedar LNG, uma unidade menor em construção próxima à planta da própria Shell.
A compra da ARC marca uma guinada nas operações norte-americanas da Shell, depois de a companhia ter vendido, em grande parte, sua posição em areias betuminosas em 2017 para a CNQ. A empresa sediada em Londres também vendeu seus ativos de shale nos EUA, na Bacia Permiana, para a ConocoPhillips em 2021.
Este é o maior negócio de óleo e gás no Canadá desde 2012, quando a CNOOC. comprou a produtora de areias betuminosas Nexen por US$ 15,1 bilhões à época.
Os conselhos de administração das duas empresas apoiaram o negócio de forma unânime, segundo o comunicado. A conclusão é esperada para o segundo semestre de 2026, sujeita às aprovações de acionistas, da Justiça e de reguladores.
© 2026 Bloomberg L.P.
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