A pequena Clara Faust, de 5 anos, moradora de Rio Claro – a 85 quilômetros de Campinas – , enfrenta desde julho do ano passado uma batalha contra a leucemia. Após 10 meses de tratamento no Hospital Boldrini, em Campinas, ela conseguiu uma liberação especial: ir à praia pela primeira vez desde o início da doença.
A viagem foi para Praia Grande, Litoral Sul do estado de São Paulo, e marcou uma conquista importante após meses de internações, quimioterapias e restrições.
Para tornar o momento ainda mais especial, a família escreveu no vidro de trás do carro a frase: “@clarafaust_oficial vencendo a leucemia. Buzine!”.
O resultado foi um buzinaço espontâneo de motoristas durante o trajeto, registrado em vídeo e publicado nas redes sociais da menina, que já soma mais de 285 mil visualizações, 40 mil curtidas e cerca de 1,8 mil comentários.
Diagnóstico após sintomas confundidos com “dor de crescimento”
Segundo a mãe, Raphaela Faust, que precisou fechar seu comércio para poder acompanhar a filha no tratamento, os primeiros sinais surgiram há cerca de um mês e meio antes do diagnóstico, quando Clara começou a sentir dores na perna.
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Inicialmente, o quadro foi tratado como dor de crescimento. Com o passar do tempo, os sintomas se agravaram: dores intensas, dificuldade para andar, perda de peso e palidez.
Após a avaliação de um ortopedista, exames apontaram que o problema não era ortopédico. O diagnóstico de leucemia foi confirmado no dia do seu aniversário de 5 anos, no dia 2 de julho.
Logo Clara foi encaminhada ao Hospital Boldrini já em estado grave, com alto comprometimento do organismo e necessidade de transfusões de sangue.
“De lá para cá foram dias difíceis, internações, muitas quimioterapias pesadas e a privação em poder sair, ir a escola , a praia, nadar em piscina entre outras coisas que é normal de criança fazer”,
explicou a mãe da pequena Clara.
Clara é a caçula da família e tem dois irmãos: Henrique, de 19 anos, e Alice, de 8.
Retomada gradual da rotina
Depois de 10 meses considerados críticos, Clara entrou na fase de manutenção do tratamento – etapa em que há maior estabilidade, mas que ainda exige acompanhamento rigoroso.
Nessa fase, ela seguirá com quimioterapia por cerca de dois anos, com aplicações semanais intramusculares e medicação oral diária.
“Essa fase é mais ‘tranquila’. É a fase em que a vida começa a voltar ao normal, com alguns cuidados. Até o final ainda terá 104 quimioterapias intramusculares (um por semana) e mais 730 via oral (um por dia) durante 2 anos”, contou ao acidade on.

Com a melhora no quadro, Clara também foi liberada para retomar algumas atividades, como voltar à escola e, em momentos específicos, quando os exames permitem, passeios como a ida à praia.
Conquista vai além do passeio
Para a família, a viagem ao litoral representa mais do que um momento de lazer. Após meses sem poder sair de casa ou ter uma rotina comum de criança, a liberação simboliza uma vitória dentro do tratamento.
A repercussão nas redes sociais também tem um propósito maior. A família utiliza o perfil para compartilhar a rotina da menina, levar informação e incentivar a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e da doação de sangue, que é essencial para pacientes em tratamento contra o câncer.
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Atendimentos a crianças com leucemia cresceram em SP
O número de atendimentos a crianças com leucemia no estado de São Paulo aumentou em 2025 na comparação com 2024, segundo dados oficiais da saúde.
Entre crianças com menos de 4 anos, a alta foi de 21,8%. Já na faixa etária de 5 a 9 anos, o crescimento foi ainda maior: 38,7%.
Em números absolutos, isso representa:
• Menores de 4 anos: aumento de 513 atendimentos
• Crianças de 5 a 9 anos: aumento de 1.046 atendimentos
Os procedimentos clínicos ambulatoriais por leucemia também cresceram:
• Menores de 4 anos: de 2.356 em 2024 para 2.869 em 2025
• 5 a 9 anos: de 2.703 em 2024 para 3.749 em 2025
Especialistas explicam que o aumento nos atendimentos não significa necessariamente que há mais casos da doença, mas pode indicar ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Não que esteja acontecendo algo que gere mais, é uma estatística uniforme, mas o número de atendimentos aumentou. Além de atendimentos, o auxilio é maior. Isso reflete no índice de cura também – afirma o médico Amilcar Cardoso
Tipo mais comum é a leucemia linfoide aguda
A forma mais frequente da doença em crianças é a leucemia linfoide aguda (LLA), responsável por cerca de 80% dos casos.
A doença se origina na medula óssea, responsável pela produção das células sanguíneas. Nessa condição, os glóbulos brancos sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma desordenada, ocupando o espaço das células saudáveis.
Sintomas podem ser confundidos com doenças comuns
Os sinais iniciais podem se parecer com infecções ou anemias, o que dificulta a identificação precoce. Entre os principais sintomas estão:
• Palidez
• Cansaço excessivo
• Febre sem causa aparente
• Manchas roxas ou sangramentos
• Dores ósseas
• Aumento do abdômen ou das ínguas
Se o quadro persistir e não houver melhora, a orientação é buscar avaliação médica.
Tratamentos mais modernos ampliam chances de cura
O tratamento da leucemia infantil é complexo e personalizado. A quimioterapia segue como principal recurso, mas novas terapias vêm ampliando as perspectivas de cura.
Entre as abordagens mais modernas estão:
• Imunoterapia, como anticorpos monoclonais e a terapia CAR-T cell, que utiliza células do próprio paciente modificadas para combater o câncer;
• Transplante de medula óssea, indicado em casos de alto risco ou recaída;
• Terapias-alvo, que atuam sobre mutações genéticas específicas;
• Cuidados de suporte, fundamentais para controlar sintomas e reduzir efeitos colaterais.
Com os avanços terapêuticos e o trabalho de equipes multidisciplinares, as taxas de cura da leucemia infantil no Brasil superam 80% em muitos centros de referência, alcançando níveis semelhantes aos de países desenvolvidos.

Diagnóstico precoce é fundamental
O câncer infantil costuma evoluir mais rapidamente, mas também responde melhor ao tratamento. Por isso, especialistas reforçam que cada dia conta.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz os riscos de complicações futuras.
A conscientização e a atenção aos sintomas são apontadas como fatores decisivos para garantir tratamento rápido e eficaz às crianças, segundo Amilcar.
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