O julgamento sobre a morte de Diego Maradona ganhou novos elementos com o depoimento de sua filha, Gianinna Maradona, que afirmou existir um “plano” por parte do círculo que acompanhava o ex-jogador nos últimos dias de vida. A declaração foi feita em San Isidro, na Argentina, onde sete profissionais de saúde respondem por suposta negligência.
Durante o depoimento, Gianinna descreveu um ambiente de decisões concentradas fora do núcleo familiar, com influência de pessoas próximas ao ex-jogador. Ela citou o advogado Matías Morla e o ex-assistente Maximiliano Pomargo como figuras centrais nesse contexto. Ambos não são réus neste processo específico, mas foram enviados a julgamento em outra ação relacionada à gestão dos direitos comerciais de Maradona.
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A filha do ex-jogador afirmou que o grupo priorizava interesses financeiros em detrimento da saúde. “Não consigo conceituar corretamente esse plano, a ideia de que queriam matá-lo. Mas Morla queria ter a vida do meu pai nas mãos? Com certeza”, disse. Segundo ela, havia uma estrutura de controle que influenciava decisões médicas e administrativas.
Um dos pontos centrais do relato diz respeito à escolha do local de recuperação após a cirurgia cerebral realizada em novembro de 2020. Gianinna afirmou que a equipe médica descartou a internação psiquiátrica, que permitiria tratar dependências, e optou por manter Maradona em uma residência em Tigre, nos arredores de Buenos Aires. Para ela, a alternativa evitava a necessidade de supervisão judicial, o que afetaria interesses do entorno.
O imóvel escolhido é alvo de questionamentos no processo. A acusação sustenta que o local não tinha estrutura médica adequada para a condição do ex-jogador. Gianinna afirmou que a equipe atuava de forma coordenada, mas com falhas graves na execução dos cuidados. “O enfermeiro que deveria tê-lo examinado antes de ir embora não o examinou, e o enfermeiro que chegou depois também não”, declarou.
Ela também apontou o médico Leopoldo Luque como figura central na condução do tratamento. Segundo o depoimento, ele tinha papel predominante nas decisões clínicas, embora a responsabilidade, na visão da família, seja compartilhada entre todos os envolvidos.
Maradona morreu aos 60 anos, vítima de parada cardiorrespiratória associada a edema pulmonar, conforme laudos médicos. O processo aponta que ele passou horas sem assistência adequada antes de morrer, sozinho em seu quarto.
Os sete profissionais acusados negam irregularidades e sustentam que a morte ocorreu por causas naturais. Caso condenados, podem receber penas que variam de oito a 25 anos de prisão.
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