Primeiro sedã médio da Fiat no Brasil, automóvel nacional com quatro válvulas por cilindro, pace car (oficial) na história da Fórmula 1 e sedã nacional com motor turbo. Este foi o legado que consolidou o Tempra no coração dos brasileiros, mas também foi a régua que dificultou a carreira do Marea como seu sucessor.
Apresentado em maio de 1998, o Marea foi o primeiro nacional com motor de cinco cilindros, configuração já utilizada com grande sucesso por fabricantes como Audi, VW e Volvo, na Europa. A ordem do diretor-superintendente Giovanni Battista Razelli era clara: o Marea brasileiro deveria ter o mesmo padrão do Marea italiano.
As primeiras unidades da perua Marea Weekend eram importadas. Mas o sedã sempre foi nacional, recebendo extenso trabalho na calibração e refrigeração do motor, escalonamento do câmbio, dimensionamento da suspensão e pneus de perfil alto, como revela o engenheiro Robson Cotta, que trabalhou na Fiat por quase 40 anos.

A distância entre os eixos era a mesma do Tempra: 2,54 metros. Mas o Marea era maior, mais largo e mais baixo e se destacava pelo nível de equipamentos: ar-condicionado era item de série na versão de entrada ELX, bem como travas elétricas, freios a disco nas quatro rodas, cintos de segurança dianteiros com pré-tensionadores e traseiros de três pontos.
Mais completa, a versão HLX adicionava airbag para o motorista, rodas de liga leve, faróis de neblina, faróis principais com regulagem elétrica e lavadores, retrovisores elétricos e comandos de som no volante. Entre os opcionais: ABS, teto solar elétrico, bancos de couro e banco do motorista com ajustes elétricos.


As duas versões usavam o motor Pratola Serra 2.0 de cinco cilindros (conhecido como Fivetech), com duplo comando de válvulas, quatro válvulas por cilindro, variação de abertura das válvulas e Bosch Motronic. Seus 18,1 kgfm e 142 cv aceleravam os 1.351 kg do carro de 0 a 100 km/h em 10,8 s, com máxima de 199,5 km/h.
O Marea era mais rápido e veloz que o Honda Civic LX (bem mais leve) e Chevrolet Vectra GLS (com motor de 2,2 litros). Seu comportamento dinâmico era beneficiado pelas suspensões independentes nas quatro rodas: dianteira McPherson e traseira por braços arrastados.
A versão SX chegou no final de 1998: perdeu ar-condicionado, toca-fitas, vidros elétricos e 15 cv no motor. O variador do comando de válvulas foi desativado por uma questão tributária: na época modelos com até 127 cv pagavam 25% de IPI. Os 142 cv do ELX resultavam em uma alíquota de 30% e o tornavam cerca de 13% mais caro.

A versão mais desejada chegaria apenas em dezembro de 1998: o Marea Turbo acelerava de 0 a 100 km/h em 8,1 s e chegava aos 219 km/h de velocidade, graças a um turbocompressor Garret, responsável por gerar 27 kgfm a 2.750 rpm e 182 cv a 6.000 rpm. Suspensão e freios foram completamente redimensionados para conter o fôlego adicional.
Em 1999 o Marea recebeu airbag duplo como item de série, sendo o primeiro a oferecer bolsas laterais (side-bags) como opcionais. Na linha 2000 o Marea SX adotava um inédito motor de quatro cilindros, 1.8 16 válvulas de 127 cv, também com variação do tempo de válvulas. Em julho, o motor 2.0 aspirado cedeu lugar ao 2.4 de 160 cv nas versões ELX e HLX.

Reestilizado em 2001, o Marea recebeu grade dianteira redesenhada com o novo logotipo da Fiat e lanternas traseiras (herdadas do italiano Lancia Lybra). No final do ano, o motor 2.4 poderia receber o câmbio automático Aisin de quatro marchas e a versão ELX passou a ser oferecida com o mesmo motor 1.8 da versão SX.
Infelizmente, o Marea foi vitimado pelo próprio avanço tecnológico: o prazo de 20.000 km recomendado para a troca de óleo o tornou um sério candidato à formação de borra no motor e o uso de lubrificantes de especificação errada agravou o problema. A falta de mão de obra qualificada em oficinas independentes consolidou sua (injusta) má fama no mercado.

A última fase do Marea começou em 2005: a versão SX recebeu o motor Corsa Lunga argentino de 1,6 litro, 16 válvulas e 106 cv. Seu desempenho ainda era adequado, mas o modelo já não convencia frente a versões básicas do Toyota Corolla, Renault Megane, Ford Focus e Chevrolet Astra. O último Marea deixou a linha de produção em Betim (MG) em novembro de 2007.
Ficha Técnica – Fiat Marea HLX 2.0 1999
Motor: transversal, 5 cilindros em linha, 1996 cm3, alimentado por injeção eletrônica. Potência: 142 cv a 6.000 rpm. Torque: 18,1 kgfm a 5.000 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria: fechada, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 439 cm; largura, 174 cm; altura, 142 cm; entre–eixos, 254 cm
Peso: 1.351 kg
Pneus: 195/60 R15
Teste – Setembro de 1999

ACELERAÇÃO – 0 a 100 km/h em 10,79 s
VELOC. MÁX. – 199,5 km/h
CONSUMO – 9,33 km/l (média)
Urbano: 6,39 km/l
Rodoviário: 10,2 km/l
