
O ex-primeiro-ministro Gordon Brown foi nomeado enviado especial do Reino Unido para finanças globais como parte da tentativa de Keir Starmer de apaziguar as alas rivais do Partido Trabalhista, após o partido registrar um desempenho desastroso nas eleições locais.
Brown, que foi ministro das Finanças (chancellor) e depois premiê trabalhista entre 1997 e 2010, ficará encarregado de desenvolver novas parcerias internacionais de financiamento para apoiar investimentos em defesa e segurança, com foco especial em laços europeus, disse o gabinete de Starmer neste sábado. Isso inclui a criação de mecanismos multilaterais de financiamento — algo que a chanceler Rachel Reeves vinha tentando fazer, com sucesso limitado, nos últimos meses.
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A nomeação faz parte do esforço de Starmer para sinalizar, tanto ao Partido Trabalhista quanto ao público em geral, que ele quer unificar a sigla, depois que cerca de 30 deputados pediram que ele apresentasse um cronograma para sua saída. Alguns chegaram a citar o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, como sucessor preferido e defenderam que ele possa concorrer a uma vaga no Parlamento.
A ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner e o secretário de Saúde Wes Streeting também vinham avaliando tentativas de disputar a liderança antes das eleições locais. Rayner ainda não se manifestou, e Streeting indicou que não fará um desafio imediato, embora tenha evitado endossar Starmer de forma explícita.
“Em todo o país, vimos alguns resultados extremamente ruins para o Partido Trabalhista”, disse Streeting. “Precisamos respeitar os eleitores, receber o recado com humildade e reconhecer que o governo nacional tem enorme responsabilidade por essas derrotas, que não foram culpa dos candidatos locais.”
Outros ministros de gabinete pediram aos parlamentares que não desafiem a autoridade de Starmer, enquanto alguns, como Ed Miliband, Lisa Nandy, Shabana Mahmood e Yvette Cooper, ofereceram um apoio mais morno. Miliband sugeriu recentemente a Starmer, em uma reunião privada, que ele deveria considerar uma transição organizada de poder, informou o The Times na quinta-feira.
Starmer também nomeou neste sábado outra figura influente do trabalhismo, Harriet Harman, como sua conselheira para temas de mulheres e meninas.
Embora Harman e Brown sejam nomes muito respeitados entre os parlamentares trabalhistas, recorrer ao “velho guarda” para tentar simbolizar mudança provavelmente terá efeito limitado. Vários deputados trabalhistas criticaram em privado a decisão à BBC.
O movimento também será visto como uma tentativa de afastar qualquer desafio à liderança — figuras históricas do partido costumam ter papel crucial na derrubada e na escolha de líderes em todo o espectro político. Brown já tem sido influente ao pressionar o governo a adotar medidas para aliviar a pobreza infantil.
A principal missão de Brown será buscar apoio entre aliados para aderir à iniciativa financeira de Reeves, voltada a impulsionar compras conjuntas de equipamentos e munições e acelerar investimentos em defesa, com o mecanismo previsto para ser lançado em 2027. Até agora, só Finlândia e Holanda aderiram, enquanto o Canadá continua pressionando o Reino Unido a se juntar a uma iniciativa similar liderada por Ottawa.
Reeves espera que isso ajude a cobrir um rombo no orçamento de defesa sem precisar aumentar o endividamento, tirando parte dos gastos militares das suas regras fiscais — algo que tanto Brown quanto Burnham sugeriram, mas ao qual ela resiste, segundo pessoas a par do assunto. Brown também atuará na retomada das negociações para o Reino Unido entrar no fundo europeu de armamentos SAFE, do qual a União Europeia na prática barrou a participação britânica no ano passado ao exigir uma taxa de acesso considerada muito alta, segundo essas pessoas.
O Partido Trabalhista caminha para perder mais de 1.400 das cerca de 2.500 cadeiras que defendia em conselhos locais na Inglaterra, em meio a um salto no apoio ao Reform UK, de Nigel Farage. A sigla também perdeu apoio em País de Gales, na Escócia e viu muitas cadeiras em Londres migrarem para o Partido Verde.
Starmer planeja novos anúncios e um discurso na segunda-feira para detalhar o que seu gabinete descreveu como “os próximos passos do seu plano para construir um Reino Unido mais forte e mais justo”.
Em artigo no Guardian, ele afirmou assumir a responsabilidade pelo resultado e estar disposto a refletir sobre o recado das urnas, mas alertou que a “abordagem correta” para o partido e para o país é ser “unificador, e não divisor”.
“Embora precisemos responder à mensagem que os eleitores nos enviaram, isso não significa pender para a direita ou para a esquerda”, escreveu Starmer. “Significa reunir um amplo movimento político, ser firme em nossos valores, ousado em nossa visão e responder às demandas das pessoas.”
© 2026 Bloomberg L.P.
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